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Califórnia altera regra da validade dos produtos, entenda como isso pode confundir clientes

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 2 de ago.
  • 2 min de leitura

Legislação brasileira também não garante ao público compreensão precisa dos rótulos de alimentos, colocando em risco a saúde pública 


Por: Sofia Inerelli


 Foto: Abr

Mulher faz compras em um supermercado
Mulher faz compras em um supermercado

A Califórnia, no último mês, restringiu as expressões que identificam a validade dos alimentos. Ao padronizar os rótulos o governo pretende garantir que os consumidores interpretem corretamente as datas impressas nas embalagens, e evitar que descartem produtos ainda próprios para o consumo. No entanto, as mudanças previstas na nova  lei, conhecida como Bill 660 (AB 660), não garantem uma compreensão exata da validade pelos consumidores.

 

Os termos como "Best if Used" ("Melhor se consumido até") e "Best if Frozen By" ("Melhor se congelado até"), previstos na legislação da Califórnia, abrem brechas para diferentes interpretações ao não definirem um prazo preciso de validade. No Brasil a legislação também contém falhas, uma vez que não delimita um local para o prazo de validade, permitindo que fabricantes coloquem a informação onde a visualização não é muito clara. As letras pequenas com cores fracas são outros fatores criticados pelos consumidores, pois ao atrapalhar a verificação colocam a saúde pública em perigo. 


Confira a seguir os riscos da ingestão de produtos fora da validade, de acordo com cada alimento:


  • Alimentos perecíveis (laticínios, carnes, produtos frescos): Após a validade, há grande chance de proliferação de bactérias patogênicas (que causam doenças). Seu consumo pode levar também a intoxicações alimentares graves. Fique atento pois o sabor e cheiro podem não ser alterados. 


  • Alimentos menos perecíveis (enlatados, secos, embalados a vácuo): No caso dos enlatados a deterioração pode levar à produção de toxinas (como a do botulismo) se a lata estiver estufada ou amassada. Os produtos secos podem desenvolver mofo ou perder nutrientes.


  • Alimentos in natura (frutas, vegetais): A deterioração é mais visível (mofo, mudança de cor, textura). O risco é mais de perda de qualidade e nutrientes do que de intoxicação grave, mas o consumo de partes mofadas deve ser evitado.


Apesar de todos os riscos, a verificação da validade dos alimentos durante as compras não é muito comum. Suzana Freitas, professora-adjunta da faculdade de Nutrição da Uerj, entende que essa falta de costume ocorre por três fatores: a correria do dia a dia, a falta de conscientização sobre a importância dessa prática e a confiança na indústria alimentícia que faz o consumidor acreditar que não haverá nada de errado com o produto. A nutricionista ressalta que, caso o estabelecimento esteja comercializando alimentos com prazo fora da validade, o cliente tem o direito de receber outro produto igual sem qualquer custo adicional, desde que esteja próprio para o consumo. 


Abr/Wilson Dias

Catadores de lixo: enquanto cerca de 6,4 milhões de pessoas ainda passam no Brasil, país desperdiça comida. 
Catadores de lixo: enquanto cerca de 6,4 milhões de pessoas ainda passam no Brasil, país desperdiça comida. 

As datas de validade são importantes pois servem como um parâmetro para garantir a segurança alimentar assim como evitar o desperdício, este não é apenas ruim para o estabelecimento, afeta o meio ambiente também. Como 780 milhões de toneladas de lixo orgânicos no Brasil não são destinados corretamente, ou seja vão parar em aterros sanitários, segundo dados da Embrapa, a geração de gases do efeito estufa e chorume tóxico, que contamina o solo, a água e toda nossa atmosfera também serão consequências desse desperdício. 




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