Uerj sem fronteiras: alunos estrangeiros na universidade
- Comunica Uerj

- 1 de ago.
- 3 min de leitura
Estudantes internacionais descobrem um novo mundo ao longo da graduação
Por: Júlia Martins
Foto por Mikhail Nilov/ PEXELS

Ingressar em uma graduação significa desbravar um novo mundo, mas, para alguns estudantes, também implica aprender um novo idioma e conhecer uma nova cultura. De acordo com a Diretoria de Cooperação Internacional da Uerj (Dircint), cerca de 40 países possuem convênio com o Brasil para enviar alunos em intercâmbio durante a graduação. Por isso, o COMUNICA buscou entender como é a experiência de um aluno estrangeiro na Uerj e como essas pessoas chegam até a universidade.
Mary Isabel Rivero, estudante boliviana de Relações Internacionais, é uma dessas alunas no campus Maracanã. Ela está no terceiro período na Uerj e conheceu a possibilidade por influência da própria família. Em entrevista ao COMUNICA, contou que seu pai e seus tios haviam estudado no Brasil e que isso a motivou a sair da zona de conforto e a fazer o mesmo: “Eu ouvia as histórias que eles me contavam, as situações que eles viveram aqui, como foi difícil para eles e como eles gostaram. Então, isso foi me incentivando a sair, a fazer o mesmo, a sair do comum e do meu conforto, mesmo deixando algumas comodidades minhas de fora.” Sobre o processo de candidatura, Mary Isabel também disse que foi preciso reunir alguns documentos, como a grade escolar e atestados físicos e psicológicos.
Ao falar sobre as principais dificuldades quando chegou, Mary destacou a cultura e o idioma. Ela já esperava desafios, mas afirma que a realidade foi mais difícil do que imaginava, tanto pelo choque cultural quanto por estar longe da família. Mesmo se preparando desde o ensino médio para estudar fora - e tendo feito a prova de proficiência na língua portuguesa, o Celpe-Bras - ela conta como foi difícil se comunicar e compreender as interações: “Mesmo que eu já soubesse o idioma, eu não o tinha praticado desde que eu consegui proficiência em português. Então foi um choque muito grande, tentar aprender gírias, as pessoas, os professores quando eles falavam e se comunicavam com a turma na aula. Falar também foi muito complicado. Na minha cabeça, eu imaginava que estava falando incrível só que quando eu falava saía tudo horroroso.”
Outra grande dificuldade, segundo ela, é a saudade de casa, principalmente da família e dos amigos. Embora seja difícil lidar com isso, Mary explica que é possível se acostumar à saudade e que a experiência tem gerado novos aprendizados e vivências: “Você vai se adaptar à saudade, isso não quer dizer que você vai parar de senti-la, mas que vai se acostumar a viver com ela. Você vai fazer um novo círculo de amigos, conhecer pessoas legais e pessoas ruins, é preciso saber escolher o seu círculo e tomar boas decisões.”
A Dircint cuida da entrada desses alunos. Coordenado pela reitoria, o departamento foi criado para ampliar o alcance da universidade no cenário internacional, com a criação de editais para o ingresso de alunos estrangeiros e a promoção de intercâmbios para estudantes brasileiros. A diretoria possui diferentes programas, como o internato internacional, no qual alunos da área da saúde de outros países podem fazer internato na Uerj. Além do intercâmbio tradicional, em que o estudante passa um semestre fora do país de origem, há o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), do qual Mary Isabel faz parte, em que estudantes internacionais entre 18 e 23 anos podem realizar toda a graduação na universidade. Para isso, é preciso que os países tenham algum tipo de acordo educacional, cultural ou científico/ tecnológico com o Brasil. De acordo com o site do Dircint, cerca de 40 países possuem acordos vigentes com o Brasil para a realização de intercâmbios em universidades.
Atualmente, Mary Isabel diz que se sente feliz por ter escolhido sair da zona de conforto e pelos amigos que conquistou: “Agora, no 3º semestre, eu me sinto bastante acolhida, eu me sinto muito querida, eu tenho uma rede de amigos grande, atualmente eu estou praticando vôlei. Então, atualmente, eu estou bastante tranquila em relação a isso, eu já tenho pessoas com quem contar e eu já me acostumei com o fato de não ter a minha família por perto.” Por fim, ela incentiva quem deseja estudar fora do país de origem a sonhar alto: “Porque é assim que as coisas acontecem, com você idealizando. Tudo vai se alinhar de acordo com o que você faz e o que você quer para o futuro.”








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