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Entre a pressa, o Restaurante Universitário e o salgado da cantina: como os uerjianos tomam café da manhã?

Foto do escritor: Comunica Uerj
Comunica Uerj
28 de set.
4 min de leitura

O desafio dos universitários em equilibrar a rotina agitada com a alimentação saudável


Por: Maria Estela Costa


Foto de Eiliv Aceron na Unsplash

Um café da manhã caseiro, que muitas vezes não é possível antes da aula


O dia no campus Maracanã começa com ritmo agitado, elevadores cheios e a pressa para chegar o quanto antes à aula. Para quem estuda no turno da manhã, assim como a colunista que vos fala, a promessa de um café da manhã digno de pousada é, muitas vezes, impossibilitada devido às inúmeras questões que uma manhã pré-aula pode proporcionar. O corpo dormindo mais do que a cama ou o trânsito na cidade, tudo pode atrapalhar o momento único de fazer a refeição com calma. Além disso, os universitários lidam com a necessidade de economizar, fazendo com que tenham que lidar, logo cedo, com a decisão de encarar a fila do Restaurante Universitário ou recorrer às cantinas.


Não sou do time “Café da Manhã do RU”, isso porque sempre chego na hora exata em que minha aula começa, logo, tenho que decidir entre ficar na fila e me atrasar ou ir direto para a aula e não perder nenhum conteúdo. A segunda opção sempre vence. Porém, venho questionando como os salgados no café da manhã interferem na saúde dos alunos e, também, como fazem aqueles que comem no bandejão. Por isso, fui atrás de alguns alunos para entender melhor.


Aos que conseguem chegar mais cedo, o café da manhã do RU é uma ótima opção. Esse é o caso do aluno do segundo período de jornalismo Isaque Ramos. Ele conta que, apesar de a fila assustar, não atrapalha o dia dele porque a considera rápida. Em relação ao cardápio, Isaque destacou o bolo, servido toda sexta-feira e afirmou que a quantidade servida lhe satisfaz. Particularmente, não sou a maior fã de bolo, mas reconheço os inúmeros elogios quanto ao que é servido pelo Restaurante Universitário. 


Voltando ao debate de quem come na cantina, Isaque disse que, mesmo sem o bandejão, ainda não seria uma opção viável para ele, não só pela questão financeira, mas pela sua saúde: “É um hábito prejudicial à saúde no longo prazo, além do risco de desenvolver o costume de consumir refeições pesadas logo cedo. Não é uma opção saudável.” Sinceramente, concordo com ele, mas me senti um pouco afetada. Talvez seja um bom momento para repensar minha alimentação e a quantidade de vezes que vou às cantinas comer um lanchinho. Na verdade, o que me salva no período da manhã é o pão com ovo vendido na cantina que frequento. Me sinto mais tranquila nessa opção, porque sei que comeria a mesma coisa se estivesse em casa. 


Igor Ferreira, estudante de Relações Públicas, também frequenta o Restaurante Universitário e fez uma análise dos alimentos oferecidos, mas diferentemente de Isaque, não é o suficiente para saciar sua fome pela manhã: “O pão é uma fonte de carboidrato, o queijo é uma fonte de gordura, tem a fruta. Mas acho que poderia ter alguma fonte de proteína, nem que seja um ovo mexido dentro do pão. É o que falta. Dá para se alimentar aqui, mas acho que não te dá tanta saciedade”, relata. 


Nas cantinas a dinâmica passa a ser outra: entre tantas opções, como escolher uma opção que não vá ser prejudicial à saúde? Entre as conversas que tive, Matheus Espíndola, aluno do terceiro período de jornalismo, afirmou que tenta fugir dos salgados, para não perder o foco e assim como eu, costuma recorrer ao pão com ovo. 


“Procuro pedir pão com ovo e um café. Considero uma opção mais saudável e leve em comparação a salgados fritos ou assados, como coxinha e joelho, ajudando a manter o foco em uma boa alimentação. O Bloco 11 oferece essa estrutura, embora em dias mais corridos o salgado acabe sendo a única alternativa viável pela praticidade. Quando isso acontece, fico com a sensação de ter me alimentado mal”, disse. 


Por outro lado, Murilo Gonzalez, também aluno do terceiro período de jornalismo, lida com a correria constantemente, sobretudo nas terças e quintas, o que faz com que ele tenha que encarar a opção mais rápida: o clássico combo de um salgado e um Guaravita. Para manter a alimentação saudável, mesmo diante da dificuldade, ele equilibra o combo com os sanduíches naturais.


“O horário das aulas fica muito puxado para eu conseguir tomar café no RU, então acabo optando pelas cantinas. Geralmente peço um salgado e um guaraná natural. É difícil tentar manter uma alimentação saudável priorizando as cantinas, mas eu sempre busco comer sanduíches naturais também para balancear um pouco”, contou. 


Além disso, ele relatou a dificuldade de manter essa alimentação saudável nas cantinas devido aos preços elevados. O salgado, embora seja nutricionalmente menos adequado, proporciona agilidade e economia, enquanto os lanches saudáveis têm um custo mais elevado e demoram até ficarem prontos.  


Esta coluna não é para ter uma conclusão específica, pelo contrário, é para ouvir os dois lados e iniciar uma conversa ampla em relação à saúde dos estudantes. A universidade exige esforços físicos e mentais, logo, precisamos garantir que a primeira refeição do dia não seja um dos vários obstáculos, mas, sim, um suporte que garanta o bem-estar de quem vive a rotina da universidade. 


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