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Saúde mental em dia?

Foto do escritor: Comunica Uerj
Comunica Uerj
25 de set.
3 min de leitura

Durante a campanha do Setembro Amarelo, conheça algumas formas que os universitários têm de cuidar da mente


Por: Júlia Martins


 Foto por Alex Green / Pexels

 Terapia também é uma forma de cuidado, embora nem sempre acessível


A rotina na universidade é exaustiva por natureza, e não cuidar da mente pode levar a impactos negativos na saúde mental dos estudantes. De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no ano passado, cerca de 54% dos universitários apresentam sintomas de depressão ou ansiedade. O estudo indica que alunos com hábitos menos saudáveis têm mais chance de desenvolver transtornos, o que mostra a necessidade de certas atividades para a saúde mental. Seja praticando algum esporte ou através de hobbies, eles possuem diferentes estratégias para conseguir enfrentar os dias de uma forma mais tranquila. 


Samira Santos, de 22 anos, e Sabrina Massuia, 23, são estudantes de jornalismo nos últimos períodos do curso e possuem algumas maneiras de aliviar essas questões. Mas algo em comum entre as duas e diversos estudantes é a piora na saúde mental durante o final de um período, quando as avaliações acumulam, a cobrança pessoal aumenta e surge a insegurança com a própria capacidade intelectual: “Acho que um fator que me afeta muito também é o de eu estar longe da minha família, já que vim de outra cidade, então eu acabo tendo que lidar com tudo sozinha: trabalho, faxina, faculdade e alimentação”, completa Sabrina. A rotina universitária é exaustiva e alguns realizam certas atividades para se cuidar. 


O esporte é um grande aliado à saúde mental, seja praticado em grupo ou uma corrida sozinho. A dança, por exemplo, é uma atividade física que leva a movimentar o corpo, se conectar com a arte e expressar emoções. Outra prática que auxilia nos momentos de crise é a yoga e a meditação, por trabalharem a respiração, equilíbrio e o relaxamento. Samira tenta realizar esses exercícios e fazer aula de dança ao menos uma vez na semana, mesmo que algumas vezes a rotina com estágio e faculdade não permita. Ela entende a importância de se manter ativa para a sua saúde e o bem que isso causa para a sua mente, no meio da turbulência do dia a dia: “Eu sinto que quando faço isso consigo me conectar melhor. Hoje mesmo fui à aula de dança e foi a melhor coisa que fiz esta semana.” A musculação é outra possível aliada nesse processo, como Sabrina descobriu: “Me ajuda muito a esvaziar a mente e a me deixar mais leve. Me sinto mais calma e ‘pra cima’ sempre que me exercito.”


Alguns hobbies também podem ajudar a relaxar e manter a mente mais tranquila. Sabrina tem a leitura como um escape na rotina. Ela tem esse hábito desde criança e até criou um perfil no instagram para comentar sobre suas leituras: “Eu gosto muito de ler, sempre tento ter esse hábito no meu dia a dia e é um hobbie que me ajuda muito a desestressar. Como é corrido, leio no transporte, entre os intervalos e antes de dormir.”


Embora nenhuma delas tenha um diagnóstico oficial, ambas relataram o desejo de fazer terapia, mas uma dificuldades no acesso, devido aos altos custos das consultas e poucas vagas na rede pública. A Uerj possui o Departamento de acolhida, saúde psicossocial e bem-estar (DASPB), subordinado à Pró-Reitoria de Políticas e Assistências Estudantis (PR4), que tem ações de promoção à saúde mental e à inclusão. Além disso, o curso de psicologia também presta alguns serviços de terapia, com alunos a partir do 5º período, com supervisão dos professores. Entretanto, a procura é gigantesca, e fica praticamente impossível receber um tipo de acolhimento de forma direta. As duas tentaram realizar esse tipo de acompanhamento, tanto na universidade quanto pelo Sistema Único de Saúde, mas não conseguiram manter o tratamento. “Quero voltar a fazer terapia, realmente ajuda muito. Não voltei ainda por causa dos custos e buscar pelo SUS é quase uma missão impossível”, completa Samira. 


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