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#PersonagemdaUERJ: Namíbia Machado/Estudante de jornalismo e dona do studio Namíbia Hair

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 25 de jul.
  • 4 min de leitura

Namíbia faz a comunicação social ir além da sala de aula, aplicando-a em seu trabalho como trancista e mantendo um diálogo sincero e acolhedor com seus clientes. 


Por: Maria Estela Costa


Foto: Maria Estela Costa

Cria de Padre Miguel e caloura de Jornalismo na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Namíbia Machado, de 19 anos, teve seu primeiro contato com as tranças ainda na infância, por ser um meio prático de sua mãe administrar o tempo cuidando dela e de seus irmãos. Desde então, a trança passou a ser presente e relevante em sua vida, até que aos 13 anos passou a ser uma fonte de renda. No entanto, a trança não é sua única paixão, o jornalismo também entra nessa história e, com a graduação, ela passa a trilhar uma dupla jornada. Para isso funcionar, ela utiliza seu perfil no Instagram (@studionamíbiahair) como o principal contato com os clientes, estabelecendo uma comunicação sincera, objetiva e acolhedora. 


Seu perfil vai além do resultado das tranças, há uma interação direta com o público por meio de relatos, dicas, vlogs, esclarecendo dúvidas e desmentindo fake news. Além disso, apresenta os clientes como protagonistas em vídeos de “antes e depois”, o que além de estimular a fidelidade dos consumidores, atrai novos olhares. 


Em que momento as tranças entraram na sua vida? 

A trança entrou na minha vida quando eu ainda era criança, tinha uns 8 anos. Minha mãe fazia muita trança no meu cabelo, meu cabelo é muito cheio e tinha muito trabalho para ficar penteando. Eu sou a filha caçula, então ainda tinha outras meninas para minha mãe cuidar. Ela falou: ‘Vou começar a fazer trança para facilitar.’ Só que era com meu cabelo natural. Passaram-se os anos, minha mãe já não tinha mais paciência para fazer no meu cabelo e me ensinou. Com 12 anos eu comecei a fazer sozinha e com uns 13 anos eu comecei fazer nas outras pessoas e só foi indo.


Qual foi a maior mudança daquela época em que você era iniciante, para a profissional que você se tornou hoje?

Eu acho que muda o significado da trança, porque no início eu via a trança como uma coisa para esconder meu cabelo, as pessoas também não gostavam do próprio cabelo, então eu fazia para tirar aquela visão ali que eles tinham. Hoje em dia eu vejo que a trança tem outro significado e consigo levar isso nos meus atendimentos também, para que as pessoas se sintam bonitas com a trança e sem a trança. Eu acho que isso foi assim uma das maiores diferenças que eu senti. Além da questão técnica, de aprender novas coisas, de fazer num tempo um pouquinho mais rápido, porque é um processo muito demorado, todas essas coisas assim eu fui sentindo depois de muito tempo.


A universidade exige uma disposição mental, por conta das leituras e produção de textos, enquanto ser trancista exige maior disposição física, para aguentar as horas em pé. Como você administra o tempo para conseguir conciliar os dois e lida com esse cansaço físico e mental? 

É difícil. Eu já fazia faculdade antes de vir para cá, na Celso Lisboa. Meu horário era totalmente diferente, eu estudava de manhã, então conseguia trabalhar de tarde até de noite. Depois que vim para cá, não tem como fazer isso. Tive que diminuir os meus horários de atendimento na semana, não consigo mais atender todos os dias, porque fico muito cansada. Conciliar está sendo muito difícil, porque é muita coisa realmente. Às vezes, eu termino uma trança muito tarde, mas tenho que ler um texto para o dia seguinte, então uso o tempo do transporte. No ônibus, eu levo 2 horas para chegar aqui, e é o tempo que eu estou lendo. Na volta, é o tempo que eu estou editando uma publicação para postar no feed. Eu tento usar o pouquinho de tempo que eu tenho para tentar otimizar as coisas.


Para você, qual é o segredo para criar uma comunidade fiel no meio digital, sobretudo, sendo uma profissional autônoma?

No meu perfil, eu tento ser o mais transparente possível para que as pessoas vejam que realmente têm  eu ali. Não é só a profissional que quer clientes, que quer trabalhar com aquilo, que quer receber o dinheiro. Vai muito além disso, eu acho legal essa conexão que eu tenho com o pessoal do Instagram, por ser sincera, por ser transparente, mostrar tudo o que acontece, mostrar os bastidores de como eu faço, contar um pouco da minha história também. Essas coisas aproximam as pessoas.


Pretende unir a comunicação social com o seu trabalho ou acha que serão caminhos opostos?

É uma coisa que eu penso todos os dias, porque dá para conectar os dois, mas também vejo que tranças não é um trabalho que vou manter por muito tempo, por conta do cansaço. Exige muito do meu corpo, eu sinto muita dor na coluna, no pé. Eu não me imagino daqui a tantos anos trançando no mesmo ritmo que faço hoje, ainda mais porque quero explorar mais essa área da graduação, eu quero trabalhar nesse meio. Pode ser que se distancie um pouco, mas até lá eu vou continuar firme.


Qual conselho daria para as pessoas que também são autônomas e estão entrando na faculdade e iniciando a dupla jornada?

A gente sente um desespero quando a gente começa, mas dá para conciliar. Eu acho que a rotina de cada um é diferente, isso é lógico, o trabalho de todo mundo é diferente, o tempo também, mas eu acho que tentar se organizar na rotina e viver sabendo que não vai ser tudo no seu tempo, porque ainda tem isso: você pode marcar uma cliente agora, mas aí tem uma palestra para você assistir, e você vai ter que escolher o que vai fazer. Vai ter que abrir mão de algumas coisas também para conciliar os dois. O meu conselho seria tentar fazer essa organização e manter a calma porque não vai sair tudo do jeito que a gente imagina, mas dá certo.



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