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Rhaenyra Targaryen e a representação de mulheres na mídia: por que personagens femininas continuam sendo taxadas de fracas ou loucas?

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 14 de ago.
  • 3 min de leitura

Uma análise sobre os estereótipos que envolvem o imaginário do feminino na cultura pop


Por: Luana Maciel


 Reprodução: Instagram

Rhaenyra Targaryen, personagem de A casa do Dragão


A casa do Dragão é uma série de fantasia original da HBO Max, baseada nos livros de George R.R. Martin, e que acompanha a guerra entre dois irmãos pela sucessão do trono da família Targaryen. Os episódios são lançados semanalmente, todo domingo, na plataforma de streaming. Há algumas semanas, foi ao ar o terceiro episódio da terceira temporada, que apresentou aos fãs uma proposta diferente: seu foco estava inteiramente na perspectiva de Rhaenyra Targaryen, a irmã mais velha e herdeira legítima do trono.


No episódio, o público acompanha a ascensão de Rhaenyra ao trono, e o modo como ela é obrigada a lidar com várias emoções e sentimentos, do luto ao nervosismo diante de muita pressão e dúvidas sobre si mesma e o seu futuro. Entretanto, foi uma cena do episódio que me deixou especialmente intrigada. Ou melhor, a reação do público a tal cena. Em meio ao caos instalado no mundo da série, a rainha enfrenta um dilema bem comum a todas as mulheres ao ter que lidar com cólicas menstruais. 


Os comentários on-line sobre essa cena foram bem antagônicos. Enquanto muitos elogiavam a série por tratar de forma tão natural um tema que ainda é um tabu na mídia, outros criticavam a cena, considerando-a desnecessária e até reclamando que ela estaria contribuindo para uma imagem da personagem como fraca. 


Não é do meu interesse debater se a personagem Rhaenyra é ou não uma boa governante e outras questões inerentes à série. A questão que busco evidenciar é como os aspectos atrelados ao feminino ainda são muito associados à fraqueza na mídia e no mundo da cultura pop. Personagens femininas precisam ser sempre duronas ou excessivamente rudes para que possam ser respeitadas e reconhecidas pelo público como fortes.


Historicamente, as personagens femininas foram relegadas a papéis secundários na mídia, ocupando lugares de mães, donzelas em perigo ou interesses amorosos sem personalidade. A limitação do papel feminino na indústria do entretenimento não era só ficção, ela refletia os estigmas que eram impostos às mulheres da vida real também. Com o passar dos anos, contudo, personagens femininas de destaque foram finalmente nascendo. Porém, para ocupar esse lugar, elas precisavam inicialmente ganhar atribuições associadas ao retrato dos personagens masculinos.


Eu poderia ir além e discutir que todos esses padrões de gênero, femininos e masculinos, são construções sociais, mas para não correr o risco de fugir da temática em debate, me atenho ao questionamento: por que personagens femininas sofrem a cobrança de não poder demonstrar “fraqueza” ou serem sentimentais demais, mas se são muito poderosas e fortes também acabam caindo no estereótipo da “louca”, ao mesmo tempo em que filmes e obras que mostram homens na mesma situação de vulnerabilidade são aclamados e elogiados?


Além disso, mesmo personagens que se encaixam nessa imposição de força e resiliência sofrem outros tipos de cobrança dos fãs. A Capitã Marvel, por exemplo, uma das heroínas mais poderosas do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), foi vítima de comentários de desaprovação do público em 2019 quando seu filme foi lançado, pelo motivo de não ser considerada simpática e não parecer alegre o bastante.


Reprodução: Instagram

Wanda Maximoff, à esquerda, e Capitã Marvel, à direita


Ainda no universo dos super-heróis, Wanda Maximoff, a feiticeira escarlate, é constantemente taxada de louca e descontrolada por perder o controle de seus poderes. Em ambos os casos, vale ressaltar que a característica criticada seria motivo de aplausos se pertencesse a um personagem masculino. Um super-herói mais sério e contido é esperado (basta olhar para o Batman), e um vilão masculino que perde o controle de seus poderes por causa de um trauma, seria perdoado ou compreendido com muito mais facilidade.


Assim, é possível notar que as personagens femininas sofrem múltiplas cobranças que não se aplicam da mesma forma aos papéis masculinos. No final das contas, esses comentários e críticas vêm de um lugar de misoginia, intencional ou não, que busca estigmatizar as mulheres e que impõem constantes regras de como elas devem se portar, falar, agir ou responder a determinadas situações. 


Dessa maneira, representações modernas como a Rhaenyra Targaryen são fundamentais na luta pela desconstrução desses estereótipos de gênero. Personagens complexas e multidimensionais como ela rompem com a visão estigmatizada da mulher na mídia, apresentando ao público figuras femininas que são muito mais interessantes, identificáveis e reais.

 
 
 

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