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Alunos da Uerj só querem ir e vie em paz e com segurança

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Violência preocupa estudantes na hora de ir embora da universidade.


Por: Diego Oliveira


Para ir e voltar da Uerj todos os dias, os estudantes encaram os mais diversos desafios: horas no transporte público, falta de conduções diretas para algumas localidades, ausência de transporte em determinados horários e, principalmente, falta de segurança. A insegurança nos transportes públicos do Rio de Janeiro reflete um problema que assola o nosso estado há muitas décadas. Por conta desse cenário, os estudantes da Uerj, que se deslocam diariamente em busca de melhores oportunidades por meio do ensino superior, acabam se tornando alvos fáceis da criminalidade.


Além de assaltos, assédio, racismo e outras formas de violência direta, muitos alunos, durante seus trajetos de ida e volta, circulam por áreas dominadas pelo tráfico ou por milícias. Não é incomum que estudantes sejam surpreendidos no meio de conflitos armados, seja entre facções rivais ou entre forças do Estado e criminosos.


Três dos quatro ramais de trens que ligam o Centro da cidade do Rio de Janeiro às Zonas Norte e Oeste, além de oito municípios da Baixada Fluminense, passam por áreas dominadas por criminosos. Nos ônibus também ocorrem alterações no serviço devido a problemas de segurança, com linhas sofrendo desvios de rota ou interrupções por risco de que os coletivos sejam utilizados como barricadas. Em casos mais graves, os veículos chegam a ser incendiados.


Ana Beatriz Contarato, que mora de Campo Grande, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e cursa Relações Públicas na Uerj, conta que o vagão feminino nos trens não funciona 24 horas por dia e frequentemente não tem fiscalização. Ela diz que se sente insegura ao fazer esse trajeto sozinha: “Muitas vezes preciso recalcular a rota, pegar um ônibus diferente que me deixe mais perto ou até um Uber para chegar em casa segura.”


Ana relata ainda um caso que piorou a sensação de segurança: “Uma vez, estava a caminho da Uerj um pouco mais tarde do que o comum, era por volta das 18h. Na altura da Vila Militar, o trem sofreu uma tentativa de arrastão. Foi desesperador ver todas aquelas pessoas correndo, muitas sendo empurradas ou tropeçando.”


Como podemos ver nesse relato, ao utilizar os transportes públicos do Rio de Janeiro, todos passam a ser potenciais vítimas da insegurança e da criminalidade que transformaram o simples ato de ir e vir em uma preocupação diária para os estudantes da Uerj, com alguns grupos correndo ainda mais riscos do que outros..


A fim de evitar situações de violência e fazer seus percursos de ida e volta com mais tranquilidade, Ana Beatriz também compartilha algumas dicas de como se proteger dentro dos transportes: “Eu ando sempre olhando para todos os cantos e desconfio de cada movimento. Dentro do trem, não me sento perto das portas, sempre olho pelas janelas e mantenho a atenção redobrada em estações desertas. Para mulheres, deixo a dica de compartilhar a localização com pelo menos uma pessoa, andar por ruas com bastante comércio, nada de fones de ouvido e, se possível, ter sempre um dinheiro extra para pedir um carro de aplicativo até a porta de casa.”


Para muitos passageiros, tornou-se uma realidade cotidiana sentir medo nos seus trajetos diários. Dessa forma, pessoas comuns, que muitas vezes se sentem desamparadas por aqueles que deveriam ter o poder e o dever de agir, acabam criando suas próprias estratégias para se proteger e minimizar os danos causados pela violência.


No fim das contas, os alunos da Uerj não estão pedindo privilégios. Querem apenas aquilo que deveria ser básico para qualquer cidadão: poder sair de casa, estudar, trabalhar e voltar para casa em paz e com segurança.

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