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Radiação em alimentos é o novo brócolis

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Irradiação de comidas pode ser a grande salvação para desperdício de alimentos, mas esta ainda não é bem vista pela sociedade  


Por: Sofia Inerelli  


Foto: Unsplash License

Cientista fazendo experimento com frutas em um laboratório  
Cientista fazendo experimento com frutas em um laboratório  

Quando éramos crianças não havia nada em que temíamos mais do que um brócolis no prato, sua presença incomodava mesmo não causando mal a ninguém, hoje vejo que esse dilema é enfrentado pela radiação em alimentos. Aprovada e regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2001, a irradiação consegue esterilizar os alimentos, os mantendo conservados por mais tempo, mas esta ainda não é bem vista pela sociedade em geral.


Casos sérios de contaminação pela energia nuclear, como Chernobyl e Hiroshima e Nagasaki, marcaram a história da humanidade, tornando compreensível o medo frente a radiação. Entretanto, os impactos da irradiação em alimentos no ser humano nunca foram comprovados. A radiação do tipo gama, utilizada na indústria alimentícia, é completamente nociva à saúde, já que a energia apenas atravessa a comida sem deixá-la contaminada, ou radioativa.


O alimento não entra em contato com a energia pois já se encontra embalado. Laila Fernanda, do Instituição da Comissão Nacional de Engenharia Nuclear (CNEN) explicou que é uma forma de evitar uma contaminação após a radiação. A partir do momento que a pessoa abre o pacotinho, a comida vai entrar em contato com o oxigênio e com os micro-organismos novamente e o prazo de validade normal do produto começa a valer. 


A vantagem do uso da radiação é que o processo de desinfetação, diferentemente dos produtos químicos jogados nas frutas ou hortaliças, não deixa resíduo nos alimentos. Tal efeito possibilita que a comida seja consumida imediatamente após o tratamento. Mas há algumas desvantagens, como os altos investimentos e a resistência frente à radiação. Outro fator limitante é que não são todos os tipos de alimentos ao qual a radiação pode ser aplicada, aqueles com alto conteúdo de lipídios podem sofrer oxidação, além disso há riscos de resistência à radiação por parte dos micro-organismos e a perda de alguns componentes nutricionais do alimento.

Portal Gov.br 

Produtos disponíveis no mercado com ingredientes tratados por processo de irradiação
Produtos disponíveis no mercado com ingredientes tratados por processo de irradiação

O Brasil já utiliza esse processo, em especial em exportações devido a possibilidade de conservar por mais tempo os produtos. O país também exige a identificação no rótulo através da frase “Alimento tratado por processo de irradiação”, e quando um produto irradiado é utilizado como ingrediente em outro alimento, deve-se declarar essa circunstância na lista de ingredientes, entre parênteses. Porém, o que considero ser o papel principal da radiação em alimentos é a possibilidade de evitar o desperdício, em especial em um mundo onde a fome não foi erradicada.



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