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Quem cuida de quem gesta?

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Evento na Uerj mostrou a necessidade de acolhimento e cuidado por gestantes e puérperas


Por: Júlia Martins


Foto por Júlia Martins

Mesa com elementos ilustrativos sobre o parto e textos explicativos  
Mesa com elementos ilustrativos sobre o parto e textos explicativos  

De acordo com dados institucionais da Uerj (DataUerj 2025), as mulheres representam 46% do corpo discente. Mas a universidade está pronta para apoiá-las em um momento tão vulnerável como o da gestação? O 1º Encontro de Gestantes e Puérperas da Uerj promoveu esse e outros debates. Organizado pela Superintendência de Equidade Étnico-racial e de Gênero (Supeerg), pela Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PR4) e pelo Projeto Doulas, o evento levou informação, suporte e atividades para cuidar de quem gesta. 


O encontro ocorreu no dia 13 de agosto, quinta-feira, no Coart, e começou com uma apresentação sobre projetos e redes de apoio disponíveis na Uerj. Com atividades como escalda-pés, pintura gestacional, dança, materiais informativos, o principal objetivo do dia era interagir e criar um ambiente descontraído para elas. Uma conversa com nutricionistas do Hospital Piquet Carneiro e uma psicóloga do Departamento de acolhida, saúde psicossocial e bem-estar (Daspb) também estiveram na pauta. Além disso, foi feito um espaço voltado para as crianças e bebês, permitindo que as mães participassem das atividades enquanto as crianças eram acompanhadas.


Criado em 2025, o Projeto Doulas nasceu de uma parceria interinstitucional entre PR4, Supeerg e a Associação de Doulas do Rio de Janeiro. Nele, as gestantes e puérperas recebem suporte individual com doulas, apoio informativo e emocional. Com seis doulas e quatro bolsistas de extensão, o objetivo é acompanhar cada gestante, fornecendo informação sobre amamentação, plano de parto, perinatal e métodos para aliviar dores sem medicamentos - assim, elas ficam mais informadas e preparadas para o momento do parto e o período do puerpério. As doulas são profissionais que trabalham prestando suporte durante todo o período de gestação e puerpério, na garantia de direitos, saúde e bem-estar de quem gesta sem assumir o trabalho de enfermeiros, médicos obstetras ou parteiras. A presença de doulas em maternidades no Rio de Janeiro é assegurada através da Lei Estadual 7.314, de maio de 2016. 


O projeto é voltado especialmente para a comunidade interna, como estudantes, servidores e técnicos, mas por ser um projeto de extensão, também recebe pessoas de fora. O principal objetivo é acolher e  trabalhar para reduzir a evasão universitária. Beatriz Attilio, doula e coordenadora do projeto, destaca que, com o apoio e informação correta, gestantes e mulheres em puerpério conseguiriam seguir ocupando o espaço da universidade: “Muitas pessoas ainda acreditam em muitos mitos que as impedem de estudar ou trabalhar tranquilamente. Quando a gente conhece outras pessoas passando pelas mesmas situações, fica mais leve gestar e falar sobre maternidade”. Ao todo, cerca de 140 pessoas já foram atendidas pelo projeto.


Foto por Júlia Martins

Mulher recebe pintura gestacional durante o evento


Outro tópico discutido foi a saúde mental de quem gesta. Aline Passeri, coordenadora psicossocial e psicóloga do DASPB, esteve no encontro e representou o Aldeia, um grupo de escuta e apoio para mães e/ou gestantes universitárias. A partir de dinâmicas, Aline afirma perceber um fator comum na fala dessas estudantes: a sensação de não pertencimento à universidade, principalmente em cursos majoritariamente masculinos. “Alguns cursos possuem docentes mais sensíveis a essas questões. Mas é muito comum ouvirmos falas de sobrecarga mental, solidão e não pertencimento”, disse ela.


Anna Júlia Barranco, de 28 anos, está grávida de 27 semanas e conheceu o evento por seu marido, estudante da Uerj. Para ela, é muito importante ter projetos que apoiam gestantes e ajudem a perceber que ninguém está sozinho. Mesmo não sendo aluna da universidade, admira a criação desses projetos e reforça a necessidade de discutir assuntos como a maternidade dentro e fora dos muros da Uerj: “É muito bom ter grupos que incentivam. A gente pode conhecer a realidade de outras pessoas e perceber que estamos todos juntos, passando pelas mesmas coisas.”


A Uerj possui alguns serviços e programas voltados para puérperas, gestantes, mães e pais de crianças da comunidade. O Auxílio Primeira Infância (API) e a Licença Maternidade são direitos garantidos pela universidade para os alunos, permitindo que a Uerj se torne um ambiente mais diverso e assegurando a permanência estudantil. Amanda Danelli, assessora da PR4, destacou em sua fala a importância desse tipo de atenção para que as mães se sintam pertencentes e ocupem cada vez mais espaços que são seus por direito: “Independentemente dos espaços que a gente ocupa na universidade, o fato da gente ser mãe está sempre marcando esse espaço primeiro.”


Foto por Júlia Martins


Cartilha informativa sobre o Projeto Doulas distribuída no evento

2 comentários


Gabrielle Vianna
Gabrielle Vianna
há um dia

Obrigada e parabéns pela matéria, muito bem escrita. O tema me atravessa e traz felicidade em ve-lo aqui publicado. O Aldeia e o Projeto Doulas são incriveis, recomendo.

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valeriapsisousa
há um dia

Excelente matéria sobre esse momento único que é gestar! Parabéns pelo trabalho realizado por todos a fim de acolher as gestantes num momento tão delicado, único e cheio de emoções que ficam a flor da pele.

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