Qual é o sabor da FCS?

Entre croissants, pão de queijo e café, os sabores que acompanham a rotina da Faculdade de Comunicação Social revelam um ambiente tão diverso quanto quem passa por seus corredores
Por: Lívia Martinho
Se a Faculdade de Comunicação Social da Uerj, localizada no 10º andar do campus Maracanã, fosse uma comida, qual seria? A pergunta parece simples, mas, depois de conversar com quem vive a FCS, descobri que encontrar uma resposta única é impossível. Talvez isso seja justamente o mais adequado para uma faculdade que reúne pessoas, histórias, cursos, períodos e experiências diferentes.
Quando chega o intervalo, cada um parece saber exatamente para aonde ir e o que pedir. Tem quem procure o croissant, quem não abra mão do pão de queijo, quem sobreviva com café e até quem transforme uma caixinha de leite em lanche.
Foto: Lívia Martinho

O 10º andar da Uerj, onde a Faculdade de Comunicação Social ocupa seu espaço no campus Maracanã.
Para Felipe Custodio, estudante de Jornalismo, o lanche favorito é o croissant do 7º andar. Quando se trata de uma refeição, porém, ele prefere o bandejão, e o fricassê de frango é o seu prato favorito. Mas, quando a pergunta muda de “o que você come?” para “qual o sabor da FCS?”, a resposta ganha outro sabor: mousse de limão. “É um pouquinho amargo, mas no final é doce”, explica.
Guilherme Leôncio, também estudante de Jornalismo, encontrou outra maneira de traduzir essa mistura. Com sua experiência, define a FCS como um lugar de momentos muito bons e muito ruins e, portanto, agridoce. Se tivesse que escolher um prato para representar essa sensação, seria o estrogonofe do bandejão, já que, para ele, o estrogonofe é doce e a batata é salgada. “Eu acho que é muito nesses extremos”, conta.
É impossível falar da alimentação da Uerj sem falar do bandejão. Criado em 2011, depois de anos de mobilização dos estudantes, o Restaurante Universitário passou a fazer parte da rotina de quem circula pelo campus. Além de oferecer refeições pensadas para uma alimentação adequada e saudável, o bandejão acabou se tornando também um espaço presente no cotidiano universitário.
Foto: Lívia Martinho

Entre os pratos do bandejão, o nhoque está entre os meus favoritos.
Falando como colunista, eu tenho meu próprio ranking. Entre as opções de que mais gosto estão a lasanha, o nhoque e o macarrão com carne picada. Mas, se tivesse que escolher apenas uma, a torta nordestina seria a campeã. Para a sobremesa, fico com a cocada morena.
Quando a comida deixa de ser apenas comida e passa a representar a faculdade, as respostas começam a falar sobre as experiências de quem as escolheu. Para Letícia Ribeiro, estudante de Jornalismo, a resposta está mais perto dos andares da própria FCS: são as comidas do décimo andar, especialmente o macarrão. Seu lanche preferido, porém, vem de outro lugar. É o salgado integral de frango com palmito do 12º andar, acompanhado de cappuccino do 11º.
Entre uma aula e outra, há ainda quem leve o próprio lanche. Ellen Alves Lima, doutoranda do PPGCOM, conta que costuma trazer sua comida, mas, quando compra algo na universidade, escolhe o clássico pão de queijo com café. Durante as aulas, prefere uma caixinha de leite que consegue consumir sem precisar sair da sala. E, quando pergunto qual comida tem a cara da FCS, ela escolhe uma bebida. “A gente não tá vivendo sem café no momento”, responde.
Entre os estudantes de Relações Públicas, as preferências também são variadas. Marcos Lima, Ana Clara Ribeiro, Louise Cavalcanti, Maria Eduarda Tome, Gustavo Zanon e Melissa Botha citaram opções como o croissant de frango do 11º andar, o sorvete do 7º, a marmita requentada no Cacos (Centro Acadêmico de Comunicação Social) e, novamente, as comidas do décimo. São gostos diferentes para pessoas diferentes. Não existe um cardápio capaz de resumir sozinho tudo o que acontece por aqui.
Agora, se tivesse que definir a FCS por uma comida, escolheria uma bala de maçã verde. Ela é doce, mas também é azedinha, e existe um contraste entre os dois sabores. Para mim, a FCS tem um pouco disso. Há provas, trabalhos, prazos, cansaço e dias em que a universidade parece exigir muito mais do que a gente consegue oferecer. Mas também existem as conversas no hall, as risadas no intervalo, as amizades, as descobertas e os momentos que fazem valer a pena.
Depois de tantas respostas, entendi que não existe o sabor da FCS. Há, na verdade, vários. Há o doce e o amargo do mousse de limão, o agridoce do estrogonofe, o café que acompanha os dias corridos, o pão de queijo que aparece no intervalo, o croissant que virou parada obrigatória para alguns, o sorvete, o almoço no bandejão e até o lanche trazido de casa.
Se fosse preciso colocar os 40 anos da FCS em uma única mesa, provavelmente faltaria espaço.








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