40 anos da FCS: a história por trás da faculdade de comunicação da Uerj
- Comunica Uerj

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Por: Kawani Vitória
A FCS (Faculdade de Comunicação Social) da Uerj completa 40 anos em 2026. Sua história, contudo, começou há cerca de 50 anos. Em 1971, a Comunicação Social já integrava — e dava nome — ao Instituto de Psicologia e Comunicação Social (IPCS).
Foi nesse cenário que o hoje professor Sérgio Souto ingressou no curso de Relações Públicas, em 1980, mas mantinha o sonho de cursar Jornalismo. “Na Uerj só tinha Relações Públicas”, lembra. Inconformado, iniciou uma mobilização estudantil que, para sua surpresa, recebeu apoio unânime dos colegas. Eles assinaram o abaixo-assinado organizado por Souto, que também conseguiu o apoio do colegiado e até do reitor da época. “Foi a luta mais fácil que tive na minha vida”, brinca.
Apesar do apoio da comunidade universitária, as coisas não foram tão fáceis assim. Segundo Souto, a professora que o havia levado para conversar com o colegiado o chamou posteriormente e explicou: “Eu não queria gerar uma falsa esperança para você. Não vai ter agora o curso de Jornalismo. Vai ter, mas não agora”. Na época, ele conta que desconhecia os trâmites burocráticos necessários para a criação de um curso, como a elaboração e a apresentação do projeto e sua aprovação pelo Ministério da Educação (MEC).
Em 1983, após a regulamentação do MEC, a criação da Faculdade de Comunicação Social foi aprovada pela Uerj. Três anos depois, em 1986, foi criada a habilitação em Jornalismo, juntamente com a grade curricular da nova unidade. Em junho daquele ano, surgiu oficialmente a Faculdade de Comunicação Social da Uerj.
Os primeiros alunos formados pela FCS nas habilitações de Jornalismo e Relações Públicas graduaram-se no final dos anos 1980. Um dos que fizeram parte da primeira turma de jornalismo da Uerj foi Fábio Júdice, atualmente comentarista de cultura do RJTV.
Foto: Site da FCS

Antiga logo da FCS
Jornalismo
A criação do Jornalismo ampliou a formação oferecida pela unidade. Atualmente, o curso busca unir formação teórico-crítica e qualificação técnica, preparando os estudantes para diferentes etapas dos processos de Comunicação e para o acesso público à informação.
A formação inclui disciplinas teóricas e práticas e aproxima os estudantes da pesquisa e da produção de conhecimento.
Para Sérgio Souto, que voltou à Uerj em 2015 como professor, a experiência de estudar e ensinar na FCS também mudou ao longo dos anos. Quando retornou, encontrou uma faculdade diferente daquela que conheceu como aluno, com uma estrutura maior e novas formas de organização acadêmica.
“Eu voltei mais de 30 anos depois de ter vindo aqui como aluno. É uma faculdade muito diferente pela quantidade de alunos. Eu não sei quantos alunos tinha na minha época; não devia ter nem 100 alunos de Comunicação. E, quando me formei, eu tinha, acho que, dois ou três professores da área de Jornalismo. Hoje, na Uerj, a maior parte do corpo docente é não só jornalista, como também teve experiência em redação.”
Relações Públicas
Foi o curso de Relações Públicas que esteve na origem da Comunicação na Uerj, presente desde os tempos do IPCS, quando ainda era a única habilitação oferecida na área.
Curiosamente, nem sempre foi um curso valorizado dentro da própria faculdade. Sérgio Souto lembra do preconceito que cercava a profissão entre os colegas de jornalismo em sua época de estudante: "Na época, quem fazia jornalismo via relações públicas com muito maus olhos. Considerávamos uma profissão meio de puxa-saco", recorda.
Hoje, a Uerj é a única universidade pública do Estado do Rio de Janeiro a oferecer o curso de Relações Públicas, o que reforça seu papel como referência na formação de profissionais para o mercado. A graduação busca desenvolver habilidades e reflexões teóricas e práticas relacionadas à profissão, à sociedade e à realidade na qual o estudante está inserido, aliando atividades de pesquisa e extensão a projetos experimentais e à vivência prática.
O profissional formado pela FCS está preparado para atuar na gestão da comunicação organizacional em instituições públicas e privadas, desde o relacionamento com a mídia e a organização de eventos até a comunicação interna, o relacionamento com clientes e o gerenciamento de crises de imagem pública.
Foto: Site da FCS

Logo comemorativa dos 40 anos da FCS
A identidade visual da FCS acompanha sua história
“A primeira logo desde o início da faculdade, eram vários quadrados juntos que formavam FCS.” disse Marcelo Dos Santos Marcelino, chefe de secretaria da direção da FCS.
Segundo Marcelo, essa identidade acompanhou a instituição desde sua fundação até por volta dos anos 2000, quando a FCS passou a utilizar como símbolo o capacete alado de Hermes, o deus grego da comunicação. Mais tarde, o símbolo de Hermes foi substituído pela identidade que a FCS utiliza até hoje: as letras “f” “c” e "s" minúsculas, usualmente acompanhadas do nome por extenso da faculdade em caixa alta.
Em 13 de março de 2026, a FCS divulgou uma nova versão de sua logo em comemoração aos 40 anos da faculdade. Desenvolvida a partir da adaptação do logotipo mais recente, a marca mantém as letras minúsculas e aproveita os espaços livres na diagonal direita do desenho.
A alteração, apesar de sutil, busca explorar a dinamicidade visual de um símbolo que, há anos, representa a faculdade e contribui para seu reconhecimento por diferentes públicos.
A logo comemorativa também integra um projeto mais amplo de readequação da marca da FCS aos novos padrões visuais. Um grupo de trabalho formado por professores, alunos e técnicos, discute como tornar o logotipo mais leve e alinhado aos padrões contemporâneos de design, deixando a marca mais suave e simples.
“Para justamente pensar em como a gente quer a própria FCS visualmente no futuro. Então, a logo é sempre uma coisa que vai se atualizando em coisas pequenas para se adequar a um momento histórico, momento do tempo presente.” disse Marcelo.
Para Sérgio Souto, ser professor na FCS é um exercício constante de renovação. “Acho que ter contato com vocês de alguma maneira me rejuvenesce. É uma troca”, afirma.
“Cada semestre é um semestre diferente, porque as turmas são diferentes e eu sou uma pessoa diferente. Mas a FCS, eu acho que é isso. Eu acho que é uma universidade pujante, principalmente nas suas turmas mais mobilizadas e que eu procuro estimular, não só o aprendizado, o curso, o conceito, mas estimular a curiosidade pela vida.”
Para ele, a FCS é marcada pela participação dos estudantes e pela troca dentro da universidade. Ao falar sobre os 40 anos da faculdade, considera a data um motivo de comemoração, não apenas para a comunidade acadêmica, mas também para a população do Rio de Janeiro e do país.








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