Público no futebol feminino

Disparidade de torcedores nos estádios é um alerta para a modalidade no Brasil
Por: Matheus Espíndola
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jogo amistoso entre as seleções de Brasil e Chile no Mané Garrincha, 2023
Nas duas últimas semanas, ocorreram os jogos de ida e volta da semifinal do Brasileirão Feminino Série A1. Com duas vitórias, o São Paulo eliminou o Flamengo e está de volta à final depois de ser vice-campeão em 2024. Do outro lado, o Corinthians venceu duas vezes o Bahia e avançou para enfrentar seu rival.
Essa fase da competição foi marcada pelo recorde de público desta edição no jogo de ida entre Bahia x Corinthians: 5.811 pessoas estiveram presentes na Arena Fonte Nova para assistir ao duelo entre as Mulheres de Aço e as Brabas do Timão. Esse número ainda está longe do recorde absoluto do futebol feminino no país. O maior público já registrado em uma partida de futebol feminino em território brasileiro foi justamente da seleção brasileira, nos Jogos Olímpicos de 2016. Na semifinal contra a Suécia, disputada no Maracanã, 70.454 pessoas estiveram presentes, quando o Brasil acabou eliminado nos pênaltis após empate sem gols. Sem contar com a seleção, o recorde nacional pertence à final do Campeonato Brasileiro Feminino de 2024 entre Corinthians e São Paulo, disputada na Neo Química Arena, em São Paulo. Na ocasião, 44.136 torcedores acompanharam a vitória corintiana por 1 a 0. No geral, contando o futebol internacional, o recorde oficial de público da modalidade foi da partida entre Barcelona e Wolfsburg, pela semifinal da Liga dos Campeões da Europa de 2022. Nesse duelo, 91.648 pessoas foram ao Camp Nou assistir à vitória do time catalão.
Esses números são interessantes porque demonstram um grande interesse e busca do público em momentos de decisão. Deixando de lado o futebol europeu, que tem uma relação muito diferente com a modalidade, aqui no Brasil ainda enfrentamos muita dificuldade em relação ao público do futebol feminino. Na edição do Brasileirão do ano passado, a média de público por rodada na primeira fase do campeonato ficou em 5.363 pessoas. Já na fase de mata-mata, esse número sobe para 7.616, um aumento de aproximadamente 42%. Algumas considerações são importantes, principalmente se pensarmos que a final é praticamente um mundo à parte quando comparado com o restante do campeonato. No jogo de volta da final entre Corinthians e Cruzeiro, que foi na Neo Química Arena, o público total ficou em 40.727, de longe o maior público do ano. Inclusive, o time de Itaquera é também o que mais impulsiona o público da modalidade. Das dez partidas com mais presentes na primeira fase, oito são do clube paulista jogando como mandante.
Foto: Reprodução/Instagram (flamengofutebolfeminino)

Time do Flamengo no Estádio Brinco de Ouro da Princesa pela semifinal do Brasileirão Feminino A1
É preciso refletir, portanto, por que existe essa diferença de procura entre as fases mais agudas do campeonato e os jogos considerados menos “importantes”. Mesmo com todas as dificuldades que podemos pontuar sobre a procura pela modalidade, como horários ruins, baixa divulgação, estádios distantes e alternativos, alterações em cima da hora, entre outros, é difícil de contestar que existe um público consumidor e que existe margem de mercado para ampliação. O que precisa ser feito é um trabalho em conjunto entre CBF, clubes e emissoras para cuidar melhor da modalidade como um produto. A Copa do Mundo de 2027, que será aqui em nosso país, pode ser um momento chave para o futebol feminino brasileiro, mas só haverá um legado se todos esses atores se empenharem pela manutenção e melhora das competições.








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