‘A volta dos que não foram’: o retorno às aulas para os calouros
- Comunica Uerj

- 21 de jul.
- 2 min de leitura
O retorno após a greve no ponto de vista dos calouros.
Por: Júlia Martins
Foto: Júlia Martins

Após 3 meses da greve unificada de docentes, técnicos e estudantes, os alunos da Uerj voltam, aos poucos, aos corredores da universidade. Entre eles, alguns retornam para um mundo desconhecido, sem conhecer bem o local que vai se tornar sua segunda casa. Com apenas duas semanas de aula antes da greve, os calouros do primeiro semestre de 2026 têm a experiência do primeiro dia de aula pela segunda vez, enquanto os calouros do segundo semestre têm o começo das aulas adiado para novembro.
Durante esse período, alguns calouros tiveram que encontrar formas de passar esse tempo em casa. Murilo Santos, 19 anos, calouro do curso de Jornalismo de 26.1, explica como foi importante para ele se ocupar durante esses meses. Ele destaca o seu trabalho como voluntário no Laboratório de Editoração Digital (LED), da Faculdade de Comunicação Social, para aprender mais sobre a rotina de um jornalista fora da sala de aula. Ele também detalha como foi importante realizar essas atividades e ter uma rede de apoio: “Eu tive duas semanas de aula, mas graças a Deus pude ter uma rede de suporte muito boa, como minha família e amigos, e tive a oportunidade de ter um psicólogo me acompanhando.”
Enquanto isso, os calouros do segundo semestre aguardam suas aulas começarem. Juliana Machado, caloura de Direito de 26.2, conta que espera conseguir compreender as aulas e acompanhar a turma quando começar. Ela compartilhou que uma das estratégias para se ocupar durante esse momento é aproveitar o tempo livre para se entreter com livros, filmes ou sair com a família e amigas: “Pensei que ia ficar mais ansiosa mas até que estou de boa, só fiquei um pouco frustrada por ter adiado o meu início das aulas. Não estou tão animada porque eu sei que a faculdade vai sugar um pouco de mim, então eu estou dando tempo ao tempo, a hora que for começar vai começar.”
A paralisação resultou em conquistas importantes para a comunidade uerjiana, como a recomposição salarial dos servidores e investimento na infraestrutura da Uerj. O novo calendário foi aprovado apenas na última quinta-feira (16), e aos poucos a universidade tenta retomar a rotina, com uma primeira semana de aulas sem conteúdos novos e com flexibilização da presença dos estudantes. “Os professores voltaram, não como se nada tivesse acontecido, mas não teve aquela coisa de se apresentar igual na primeira semana de aula, eles explicam sobre (a greve), como foi difícil e agora é só tocar o barco”, diz Murilo.
A greve dos docentes foi suspensa em 13 de julho, enquanto os servidores técnicos-administrativos continuam em greve. A luta do corpo estudantil também continua: o estado de greve foi decretado na última quinta-feira (16), com o retorno às atividades desde que não haja problemas como o atraso no recebimento das bolsas. Com um semestre inteiro pela frente, a expectativa dos calouros é apenas uma: terminar o período sem novas paralisações e viver a experiência universitária com tudo que há direito.








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