#PersonagemDaUerj: Fabio Iorio / Professor do Departamento de Jornalismo

#PersonagemDaUerj: Fabio Iorio / Professor do Departamento de Jornalismo
Matéria por: Kawani Vitória
Foto: Murilo Soares

Professor universitário desde 1976, Fabio Mário Iorio é formado em Cinema e Jornalismo pela UFF, com mestrado em Comunicação e Cultura e doutorado em Ciência da Literatura, ambos pela UFRJ. Na FCS, costuma ministrar disciplinas como Introdução ao Jornalismo, Jornalismo Esportivo, Edição em Jornalismo Impresso Cotidiano e Não Cotidiano, Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa, além de orientar Projetos de Monografia. Nesta entrevista, ele reflete sobre suas décadas de docência, as mudanças no ensino, sua relação com os alunos e sua própria formação como professor e pesquisador.
Quando o senhor começou a trabalhar na Uerj?
Eu entrei na Uerj em 2006, vão fazer 21 anos.
Qual a sua relação com a Uerj?
No início, entrei com 20 horas, depois passei para 40, aumentei a carga horária e a atividade de extensão. Eu tinha acabado de fazer minha defesa de tese, então comecei outra pesquisa. Depois, sem ser paga, uma pesquisa desenvolvida por mim dentro de um projeto de pesquisa aqui na universidade. Extensão faço até hoje, e as aulas eu sempre dei na graduação e na especialização.
Eu sempre fui a favor da aula preferencial (presencial). Você vai dando a matéria, os tópicos que você acha mais importantes, um contexto do motivo desses tópicos estarem sendo abordados. Na primeira aula, você já mostra a ementa, todo o conteúdo do programa, o que você vai fazer com a turma, o que você espera da turma, assim criando todas as regras de convívio.
Graças a Deus, eu tenho um convívio com alunos que nunca me trouxe problema sério. Posso ter até alunos que não ficaram satisfeitos com o curso, pela minha maneira de pensar, pelo conteúdo que eu selecionei ou pela minha maneira de trabalhar. Por exemplo, uma vez eu dei 10 a uma menina e 10 a um rapaz. Ela ficou chateada por ter tirado a mesma nota que ele, pois ela frequentou as aulas e o rapaz faltou muito. Aí eu falei para ela: ‘Mas qual é o seu problema? Você está preocupada com a nota dele? A nota não é mérito. A nota é uma avaliação. O ideal seria ele se avaliar e você se avaliar o quanto foi útil que você aprendeu, o que você vai usar desse material do conteúdo do programa’”.
O senhor tem 50 anos de experiência como professor universitário, o que o senhor acha que mudou do tempo que começou a dar aula para agora?
Para ser sincero, o que mudou foi a chegada das tecnologias: primeiro era apostila e depois veio a internet. Então, a internet, que é dos anos 90, passa a ser introduzida como forma didática na aula.
O que não mudou até hoje foi o ensino de coerção. O aluno tem que fazer o que o professor impõe, o professor tem que dar nota, tem que fazer as formas de avaliação e de relacionamento padrão, embora nas universidades públicas isso é quebrado. O professor tem autonomia dentro da sala de aula.
Para mim, só nos regimes autoritários que se muda isso. Eu, quando estudei, fiz faculdade desde 1972 até 1980. Eu fiz graduação de cinema e jornalismo e depois eu fiz mestrado. Aí passei um tempo sem fazer curso nenhum, fui fazer o doutorado apenas em 2000. Quis aprender mais estudando em casa, me preparando para as aulas, do que tirar em seguida o doutorado.
Acho que isso não mudou. A garotada, como não tem quase mercado de trabalho, ela escolhe as bolsas de estudo, a universidade, o doutorado e estuda em seguida sem ter maturado nada. Nenhum autor, nenhum livro, sem artigos. Não se desfazendo da capacidade do aluno, muito pelo contrário, até elogiando porque eles com pouca idade já atingem essa discussão. Mas a maturidade é nenhuma. A maturidade é o tempo que você tem de reflexão e o conjunto de informações que adquire e sabe trabalhar com elas, no campo teórico e no campo prático. Ela é mínima no ensino até hoje. O que as pessoas estão contando é estatisticamente: quantidade de alunos, quantidade de trabalhos, quantidade de notas, e não a parte qualificadora. O que você aprende? Qual o seu senso crítico da sua profissão, da sua cidadania, do seu conhecimento em relação a sua vida dentro da sociedade e sua vida pessoal? Isso é o que o ensino transmite, mas não é o que as pessoas aprendem.
O professor também é oprimido por isso, não é só o aluno. Então, a pressão é geral. E essa pressão não é tirada com atitudes impulsivas, tem que ser tirada com cautela e com convívio pacífico, para que o aluno possa entender a proposta que você está dando, sua disciplina e sua contribuição para o curso. Isso que eu aprendi nesses 50 anos.
Quem é o Iorio?
Eu sou o bom resultado de alguns professores e alguns conteúdos que eu aprendi através desses professores e do meu campo de estudo. Eu tenho o maior prazer desse conhecimento, desse convívio com esse conhecimento, com aquelas pessoas que se interessam pelo mesmo conhecimento. Quero aprender mais e quero curtir mais os outros professores, para aprender com eles mais coisas. Sou uma pessoa que sei que eu transmito um ponto de vista, sei que eu transmito um repertório, mas sempre aberto a transmitir além disso.
O senhor tem alguma história curiosa ou interessante sobre a Uerj?
Quando eu entrei na Uerj, eu me choquei em ver que a maioria dos alunos eram petistas. Antes de Lula, o Brasil foi interrompido no processo histórico. Pensei que iríamos retomá-lo, mas quando eu entrei na Uerj, eu verifiquei que não iríamos retomá-lo, porque já estava configurado e consolidada a nova liderança, que seria o Lula. E não era a minha liderança política, a minha era o Leonel de Moura Brizola.
Mas eu acompanho até hoje a trajetória do Lula. Uma série de divergências, mas acho uma trajetória muito interessante. Do quadro que nós temos hoje, ainda há uma dependência dessa figura, embora eu esteja a favor de que, já surgindo vários novos nomes, que seja possibilitada a chance de esses novos nomes substituírem ou serem também uma liderança dentro do campo político.








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