#PersonagemDaUerj: Emilyn Bastos / Passista da Mangueira
- Comunica Uerj

- 8 de ago.
- 3 min de leitura
Por: Júlia Martins
Foto: Emilyn Bastos / Reprodução do Instagram @emelynbastos

Graduanda em psicologia na Uerj, Emilyn Bastos também é conhecida por brilhar fora dos muros da universidade. Cria da Mangueira, a passista de 21 anos vem de uma família inteira com presença marcante no mundo do samba, especialmente na Estação Primeira de Mangueira. Com o talento e a paixão pelo samba sendo passados de geração para geração, Emilyn é passista da escola desde os 13 anos de idade. Nesta entrevista, ela conta um pouco sobre sua relação com o samba, a universidade e como é a sua rotina.
Quando você começou a estudar na Uerj e qual a sua relação com a universidade?
Comecei a estudar aqui em 2023. Minha relação com a Uerj vem antes de mim. Começou com a minha irmã, que foi a primeira pessoa da minha família a cursar o ensino superior, e ela cursou aqui na Uerj, Educação Física. Então surgiu esse interesse muito grande. Pela relação familiar e também por ser muito próximo de casa, do lado da Mangueira. Então faz todo sentido.”
Como você concilia a sua rotina como passista com os estudos?
É um pouco cansativo (risos). Em tempo de Carnaval, eu não pego muitas matérias à noite. Eu costumo pegar mais de tarde, e tem vezes que eu tenho que vir maquiada, arrumada com a roupa embaixo de calças e de casaco para cobrir a roupa de brilho. A gente tem ensaio fechado de passista mais ou menos a cada 15 dias, às quintas-feiras à noite, então é um dia em que eu não posso pegar matéria. A gente vai começar agora também no sábado, (a ensaiar) os sambas, todos os finais de semana. E, mais para frente, a gente começa o ensaio de rua domingo. E também quinta-feira tem ensaio de canto. E eu também trabalho com carnaval infantil, sou coordenadora dos passistas da Mangueira do Amanhã. Então, às segundas-feiras à noite, também tem projeto da Mangueira do Amanhã.
Como você começou no mundo do samba?
Começou com a minha avó, ela foi baiana da Mangueira por mais de 50 anos. Tanto minha avó paterna quanto minha avó materna também são da escola. Aí veio minha mãe, que foi rainha de bateria, minha irmã é rainha de bateria, minha tia foi passista, minha prima foi musa e eu sou passista desde os quatro anos de idade. Não tinha muito para aonde fugir (risos).”
Por que você escolheu estudar psicologia? Essa escolha possui alguma relação com a sua carreira como passista ou com o mundo do samba?
A ideia veio quando eu estava na escola, no terceiro ano já. Mas acho que o meu envolvimento maior foi quando eu comecei a ter esse contato mais próximo com as crianças no projeto social do Mangueira do Amanhã. É um projeto de escola mirim, no qual eu comecei, aos 4 anos. Então tudo começou a circular muito em torno de Psicologia Infantil, a autoestima das crianças negras ligada à arte, ligada ao samba. E tudo se entrelaçou nesse ponto, assim.”
Como você enxerga a relação entre a Uerj e o mundo do samba? Você acredita que esse é um tema amplamente discutido?
Dentro da Uerj, ainda que seja uma distância geográfica muito próxima da Mangueira, ainda existem preconceitos muito grandes atrelados ao carnaval, a uma hipersexualização das mulheres, principalmente passistas. De enxergar a mulher apenas como um corpo, como se não tivesse nada além disso. Realmente um lugar de objetificação mesmo. De enxergar a mulher como um objeto, até mesmo dentro da Uerj, seja entre alunos ou professores.








Comentários