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#PersonagemDaUerj: Denilson Gomes/Operador de copiadora no 9º andar

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 2 de ago.
  • 4 min de leitura

Por: Murilo Soares


Foto: Murilo Soares

Operador de uma copiadora localizada no 9º andar, Denilson Gomes, de 56 anos, é conhecido pela simpatia e pelas conversas com estudantes, professores e técnicos que passam diariamente pelo local. Além disso, ele gosta de jogar xadrez, tendo inclusive criado um grupo de jogadores, e cursa remotamente História. Nesta entrevista, conheceremos mais sobre essa figura marcante da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).


Quando você começou a trabalhar na Uerj?


Cheguei a Uerj em 1990. Logo que entrei, iniciei o meu trabalho na universidade em parceria com um homem do andar de Letras, o 11º, e fui funcionário dele por cerca de 18 anos. Sempre fui muito curioso e ambicioso para adquirir conhecimento em coisas a que me propunha a fazer, inclusive o trabalho. Comecei apertando o botão de uma máquina e ao longo do tempo fui aprendendo e desvendando o funcionamento dela. Trabalhei durante um tempo como técnico, porém, não foi uma experiência agradável e satisfatória, pois sentia que algo estava incompleto. Após o período em que fui funcionário, o meu chefe foi morar em outro município, eu conheci a pessoa que me deu a oportunidade de trabalhar no 9º andar e ela me deu a chance de trabalhar com o pessoal de Humanas. Essa oportunidade me gerou independência financeira, pois eu não tinha mais a obrigação de ser funcionário e me deu a liberdade de trabalhar por conta própria, condição que mantenho atualmente.  


Qual a sua relação com a Uerj?


A Uerj tem uma contribuição muito forte para a minha formação como pessoa, para a construção das minhas relações e dos meus aprendizados. Por exemplo, um estudante de Letras que aparece na copiadora e acaba me ensinando coisas sobre a língua portuguesa, ou uma pessoa que cursa Comunicação me permite entender o que é uma troca de ideias, um diálogo, no qual as pessoas se permitem ouvir e questionar com respeito. A Uerj para mim é tudo na minha vida, não tenho como falar de outra forma. Eu agradeço à Uerj por tudo o que eu sou, e gostaria muito que meu filho de 16 anos, que atualmente está estudando para o vestibular, estudasse aqui.  


A sua copiadora é muito procurada pelos uerjianos. Qual a sua relação com o público?


O respeito que as pessoas da Uerj têm por um autônomo que trabalha dentro da universidade sempre foi algo que me deixou feliz. É muito gratificante e valoroso ser visto e reconhecido dentro e até fora da universidade. Durante a pandemia, os docentes, discentes, técnicos e servidores demonstraram preocupação comigo, abriram uma vaquinha on-line e me ofereceram cestas básicas para me ajudar em um momento no qual eu não conseguia exercer a minha profissão. No decorrer da greve, as pessoas também demonstraram interesse em saber como eu estava, e isso foi muito importante para mim, pois mostrou que as pessoas enxergavam o Denilson para além da Uerj. Eu diria que o público que visita a minha loja é majoritariamente formado por amigos que fiz durante os anos. As pessoas que frequentam a copiadora vão para imprimir algo, e acabam tendo uma troca tão grande comigo, por diversos assuntos, que essas conversas se tornam especiais e o serviço pedido se torna a coisa menos importante do momento. Basicamente, a minha relação com o público se resume em uma palavra: amizade. 


Você tem alguma história curiosa ou interessante relacionada à Uerj?


Uma história curiosa que me recordo é o fato de ter sido indicado para atender a uma pessoa que atualmente mora no continente africano. Ela fez intercâmbio aqui, concluiu o doutorado em Ciências Sociais, e me pediu para que eu formatasse e colocasse o diploma dela dentro das normas legais. Com a minha ajuda, ela poderia adquirir e entregar este documento. Foi uma situação curiosa, interessante e inusitada. 


Alguém já o procurou para imprimir algo inusitado?


Eu já fui procurado para trabalhar com projetos raríssimos e de valor imensurável. Houve uma vez em que entraram em contato comigo para trabalhar com um material de uma obra de 1940. Foi gratificante receber esse pedido, pois a pessoa depositou confiança e respeito no meu trabalho para realizar o tratamento desse conteúdo. 


Quais são os seus hobbies e interesses fora da Uerj?


Neste mês, eu iniciei um curso à distância de História, na Uninassau, e busco me graduar para ter a oportunidade de ter mais propriedade, conhecimento e servir de exemplo para os meus filhos. Além disso, eu gosto de jogar xadrez, e como a minha relação com os alunos é tão bacana, eles descobriram esse meu interesse e me convidaram para participar de eventos. Formamos um grupo chamado Amantes do Xadrez UERJ, que inicialmente tinha 10 enxadristas, e atualmente conta com 329 participantes. Essa comunidade foi criada por mim, tem a presença de alunos, técnicos e de pessoas que não são da Uerj, e nós nos encontramos dentro e fora da universidade para praticar o jogo. Eu consegui o apoio das faculdades de Comunicação e Economia para apoiar a realização de um evento de xadrez na PUC. Reuni 10 alunos da Uerj, fomos para a PUC e houve esse encontro entre as duas universidades; foi uma experiência maravilhosa. 



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