Para além da entrada: como a Uerj assegura a permanência estudantil?

Mais do que ser pioneira na implementação de cotas no Brasil, é o suporte aos estudantes cotistas e em vulnerabilidade social que torna a Uerj cada vez mais uma universidade popular.
Por: Lex
Quase uma década antes da implementação da lei de cotas a nível federal, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) já discutia o Sistema de Reserva de Vagas para alunos egressos de escolas públicas, além das cotas raciais e para Pessoas com Deficiência (PcD). A Lei nº 4.151/2003 estabeleceu ainda a Bolsa Permanência, um auxílio financeiro para garantir a permanência dos estudantes cotistas.
Mais do que a Bolsa Permanência, a Uerj oferece uma série de auxílios para os discentes que entraram por meio do sistema de reserva de vagas: o Auxílio Material Didático (AMD) de R$ 600 oferecido anualmente; o Auxílio Alimentação de R$ 300 para alunos de campi que não possuem Restaurante Universitário (RU); o Auxílio Transporte de até R$ 300 e o Auxílio Primeira Infância (API) de R$ 900 para estudante que tenham filhos com idade de 0 a 6 anos, mais R$ 450 por filho adicional.
Universitários que entram pela ampla concorrência podem requisitar os mesmos auxílios após uma avaliação socioeconômica, recebendo a Bolsa Apoio à Vulnerabilidade Social (Bavs) no lugar da Bolsa Permanência.
Os auxílios de alimentação e transporte devem ser requisitados pelo próprio estudante na plataforma UERJ - Aluno Online, enquanto a requisição do AMD e API ocorrem por meio do Sistema de Benefícios (Sisben). Deve-se ficar atento ao Calendário Acadêmico, publicado no site da Uerj, para saber quando é permitida a solicitação destas assistências estudantis.
Além dos auxílios financeiros diretos, os cotistas da Uerj que não optam pelo Auxílio Transporte têm direito ao Passe Livre Universitário, que garante a gratuidade nos ônibus municipais, BRT, VLT e Vans cadastradas. Aos estudantes cotistas dos campi Maracanã e do Instituto Politécnico do Rio de Janeiro (IPRJ) foi concedida gratuidade no almoço e janta no RU, cujo valor é de R$3,00 para alunos de graduação e pós-graduação strictu sensu de ampla concorrência.
Kauane Vitória de Freitas Silva, aluna do segundo período de pedagogia da Uerj, é uma das universitárias atendidas pelo sistema de cotas e políticas de permanência estudantil: “Me dá acima de tudo segurança de que eu vou conseguir chegar à faculdade, de que eu vou conseguir comer na faculdade, de que eu vou conseguir comprar os materiais que alguns trabalhos e matérias exigem. E isso é o mais importante para mim, entender que eu não vou passar tantas necessidades lá dentro”, relata.
Entretanto, mesmo as assistências da Uerj têm defeitos. O auxílio transporte só é recebido um mês após o ingresso do estudante, fazendo com que o aluno precise custear pelo menos o primeiro mês de passagem sozinho. Kauane conta que isso chegou a fazê-la faltar alguns dias: “Eles demoraram para colocar o meu nome na lista, então eu tive que ficar pagando a passagem e escolhendo os melhores dias para ir e os melhores dias para faltar, já que eu não conseguiria pagar a passagem de ida e volta todos os dias.”
Ainda assim, passar para a Uerj ainda é sonho e esperança de Também coordenadora do pré-vestibular social +Nós, na unidade Complexo do Alemão, ela diz que consegue tranquilizar seus alunos ao contar que todo o processo exaustivo de preparo para o vestibular vale a pena. Além da prova em si ser cansativa para eles, o próprio processo de organização dos documentos necessários para ingressar como cotista pode ser fruto de ansiedade e medo. “Mas quando eles estão agora nesse momento, quase acabando o ano, quase acabando as provas, fazendo o pedido de cotas, procurando todos os documentos do mundo para pedir a cotas, eu também consigo falar para eles que vale a pena, porque eu vivo isso na pele todos os dias e eu sei que essa tranquilidade não se abre mão tão facilmente.” Estando do outro lado da ponte, Kauane assegura que esse esforço não é em vão.








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