A Uerj é muito carioca?

Relatos e experiências de alunos que enxergam a universidade a partir de um olhar de fora do Rio de Janeiro
Por: Luana Maciel
Imagem por: Luana Maciel

A Uerj vista do décimo andar, com a cidade como plano de fundo
A Uerj é a universidade do Estado do Rio de Janeiro e o seu maior campus fica localizado no bairro Maracanã, Zona Norte da capital carioca. Por isso, entre os corredores e salas de aula da instituição faz sentido que caminhem muitos habitantes nativos do Rio. Mas existem também outros alunos, com sotaques, vivências e histórias que vêm de outras cidades, estados e até países. São os uerjianos que vieram de fora do Rio para estudar na universidade.
É o caso de Giovanna Azevedo Cabral, que vem de Nova Serrana, no interior de Minas Gerais. A aluna iniciou seu doutorado em comunicação pela Uerj em março de 2026. Jornalista formada pela estadual de Minas e com um mestrado da federal de Ouro Preto, Giovanna conta que escolheu cursar a Uerj por causa da sua pesquisa de dissertação, que explora as brasilidades da moda. Por causa disso, fez muito sentido se mudar para o Rio, onde essa área ganha bastante destaque.
Um dos pontos de maior choque para a estudante foi o seu sotaque. Giovanna relata ter enfrentado, em bares e restaurantes, situações nas quais as pessoas chegaram a dizer que não era possível compreender o que ela dizia. Mas, nos seis meses de convívio com a Uerj, ela destaca que sua experiência tem sido completamente positiva.
Foto: Reprodução Giovanna Azevedo

Giovanna Azevedo apresenta trabalho na Intercom 2026.
“Tudo no Rio é muito carioca para mim, a forma de falar e a maneira das pessoas se expressarem é muito característico, assim como eu tenho minhas particularidades de mineira”, explica ela.
Para Giovanna, esse processo de migração estudantil é carregado de diversos desafios, desde a questão financeira de se sustentar em uma outra cidade, até a saudade dos amigos e família que ficaram na terra natal. “Ter que construir uma nova rede de apoio e ter confiança em pessoas novas na sua vida é um desafio bem grande”, aponta a estudante. Mas, ao mesmo tempo, é também, segundo ela, muito empolgante por possibilitar novas experiências e oportunidades não apenas estudantis, mas também de vida.
Outra experiência é a de Gabriel Maria, estudante de jornalismo e nascido em Guarulhos (SP). O estudante não faz parte do grupo que se mudou só para estudar na Uerj. Gabriel já morava no Rio há algum tempo antes de entrar na faculdade de comunicação, em 2022. Mas mesmo tendo vivido muitos anos na cidade, ele entende como o espaço universitário pode gerar um certo estranhamento inicial nos estudantes de fora, por ser um local muito diverso e cheio de pessoas distintas, com costumes diferentes.
Para Gabriel, a Uerj é sim uma universidade muito carioca, porque está desde a sua fundação muito ligada à cidade do Rio de Janeiro. Ela representa o Rio em muitos lugares do Brasil e do mundo. “É um dos rostos do Rio de Janeiro, é algo que está sempre na pauta da cidade e do estado”, afirma o discente.
Já Shania Guillaud, estudante da UFF, faz estágio na área de comunicação da Uerj. Tendo nascido e vivido na França, ela compartilha as diferenças que notou ao chegar à faculdade estadual. Para ela, o maior choque cultural foi o tamanho da universidade, com seus vastos corredores e andares. “Eu fiquei bem perdida no início e às vezes ainda fico”, brinca ela. Mas para ela, essa amplitude não é caótica e a organização estrutural da faculdade é um dos pontos que mais evocam sua admiração.
Para Shania, a Uerj é também uma universidade muito carioca. Principalmente por causa da gentileza e simpatia das pessoas que a ajudaram muito a se estabelecer, traços que ela diz associar à população carioca. Uma das diferenças culturais que a estudante já tinha ouvido falar, mas só foi entender na prática é a questão da programação de horários. “Todo mundo pode chegar atrasado, sejam os alunos, o professor, gente do exterior e é muito raro encontrar alguma pessoa que chegue no tempo certo”, conta ela. A tranquilidade como os cariocas lidam com atrasos e imprevistos impressiona Shania, que está mais acostumada ao rigor francês.
Dessa forma, a Uerj é sim, para quem olha de fora, muito carioca. A universidade é atravessada pela cidade e pela cultura local. Mas dentro do espaço estudantil convivem muitas culturas diferentes e diversas que estão em constante troca e diálogo. E essa comunicação cultural se expande para além dos muros uerjianos, de modo que a cidade também é atravessada pela Uerj.








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