Na ponta da língua: estudantes da Uerj apostam nos idiomas para impulsionar a carreira

Habilitações em Letras e o projeto Licom aproximam universitários de novas línguas, culturas e oportunidades profissionais, ampliando horizontes dentro e fora da graduação
Por: Roberta Gomes
Portunhol, Françoá e Voilà. Quem nunca ouviu ou até pronunciou alguma dessas expressões? Entre tentativas, improvisos e sotaques, falar outro idioma faz parte do imaginário de muitos brasileiros. O ex-técnico da seleção brasileira Joel Santana eternizou esse fenômeno com o célebre “Control the mete...”, transformando um inglês improvisado em um dos momentos mais lembrados da cultura popular. Mas, para estudantes da Uerj, o desafio vai muito além do embromation: aprender uma nova língua tornou-se um investimento real em formação e carreira.
Imagem: Pinterest/@pngtree

Tongue Cartoon
Para muitos estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), aprender uma língua estrangeira vai além do currículo da graduação. Seja por meio das habilitações do Instituto de Letras ou do projeto de extensão Licom (Línguas para Comunidade), alunos investem em novos idiomas para ampliar as possibilidades de carreira, intercâmbio e atuação no mercado de trabalho.
Há 57 anos, o Instituto de Letras (ILE) da Uerj forma professores, pesquisadores e tradutores nas modalidades de Licenciatura e Bacharelado. Entre os cursos, sete oferecem dupla habilitação: Português-Alemão, Português-Espanhol, Português-Francês, Português-Grego, Português-Italiano, Português-Latim e Português-Japonês. Além da graduação, o instituto mantém programas de especialização, mestrado, doutorado e o Licom, que oferece cursos e oficinas de línguas para a comunidade. Atualmente, cerca de 1.700 estudantes estão regularmente matriculados.
Do japonês à tradução
Letícia Elias, de 21 anos, cursa o 4º período de Português-Japonês e escolheu a habilitação pela combinação entre afinidade cultural e perspectivas profissionais. Seu objetivo é atuar como tradutora.
Segundo ela, o maior desafio está no Kanji, sistema de escrita composto por ideogramas e origem chinesa, enquanto a gramática japonesa lhe parece mais acessível do que a portuguesa.
“Os sistemas de escrita japonesa são Hiragana, Katakana e Kanji. O Kanji é a parte mais difícil para mim. Já a gramática é mais tranquila, porque considero menos complexa que o português.”
Ao final da conversa, Letícia compartilhou uma expressão curiosa em japonês: 肉はビーガンの皿にだけ落ちる (“A carne só cai no prato do vegano.”)
O francês como caminho para o intercâmbio
A graduanda de Jornalismo Sofia Inerelli, de 20 anos, encontrou no Licom a oportunidade de estudar francês paralelamente à graduação. Há quase dois anos no projeto, ela acredita que dominar outro idioma amplia tanto a formação acadêmica quanto as possibilidades de atuação internacional.
“Ainda tenho dificuldade com a gramática e com a pronúncia, mas evoluí muito na compreensão oral. Quero ler autores franceses no idioma original, conhecer melhor a cultura francófona e fazer um intercâmbio.”
Sofia também deixou uma breve apresentação em francês: Je suis Sofia. J’adore. (“Eu sou Sofia. Eu amo.”)
O italiano que virou primeira opção
A partir do edital de vagas remanescentes da Uerj, Letícia Ferreira, de 21 anos, inscreveu-se no curso de Letras e ficou em dúvida entre as habilitações em Francês e Italiano. Apesar de considerar o francês um idioma bonito e reconhecer um mercado de trabalho mais amplo nessa área, a estudante tinha mais dificuldade com a pronúncia. Por isso, optou pelo Italiano.
Atualmente no 4º período da graduação, Letícia destaca como principal diferencial do curso a possibilidade de conhecer a história de grandes nomes do Renascimento italiano, como Leonardo da Vinci, Rafael e Michelangelo. A gramática, porém, é o principal desafio.
“Sinto que a estrutura gramatical do idioma é um pouco confusa, mesmo com a sonoridade do italiano sendo parecida com a do português.”
Com o objetivo de se tornar tradutora, Letícia encerrou a conversa com uma expressão que costuma usar no dia a dia: Arrivederci, ragazzi! (“Tchau, rapaziada!”)
Idiomas e diplomacia
Para Rafael Lima, de 20 anos, estudante de Relações Internacionais, aprender francês é parte de um projeto de vida. Fluente em inglês, ele está no último módulo do Licom e pretende prestar o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).
“O curso oferece uma base muito sólida. Quero ser diplomata e acredito que, quanto mais idiomas eu dominar, maiores serão minhas oportunidades.”
Mesmo tímido, Rafael resumiu sua filosofia em uma frase simples: C’est la vie. (“É a vida.”)
De aluno a professor
A trajetória de Wesley Peterson mostra como o Licom também forma educadores. Formando em Português-Espanhol, do Instituto de Letras da Uerj, ele atua como professor bolsista do projeto e já lecionou para crianças, adultos e idosos.
Para Wesley, o ensino de idiomas deve ser dinâmico e incentivar o estudante a participar ativamente do processo de aprendizagem. Em seu último período como bolsista, ele destaca o papel social da extensão universitária ao aproximar a Uerj da comunidade.
Sua frase no idioma foi: “Bueno, nosotros como sociedad, tenemos que tratar el tema de la sensibilidad como algo hermoso y no rechazarlo.” (“Como sociedade, precisamos tratar a sensibilidade como algo bonito, e não a rejeitar.”)
Mais do que “desenrolar”
Seja nas salas de aula do ILE ou nas turmas do Licom, aprender outro idioma representa mais do que dominar vocabulário e gramática. Para esses estudantes, cada nova língua é uma ponte para outras culturas, novas oportunidades e diferentes formas de contar suas próprias histórias.








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