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Haroldinho: o segredo químico e biológico da Uerj

Foto do escritor: Comunica Uerj
Comunica Uerj
5 de out.
3 min de leitura

Localizado dentro do ‘campus’ Maracanã da universidade, o pavilhão se encontra um pouco escondido da visão dos universitários, mas carrega consigo uma grande história


Por: Murilo Soares


Foto: Murilo Soares

Fachada do Haroldinho, no campus Maracanã da Uerj


Ele é nerd, um pouco tímido, não faz questão dos holofotes, gosta de ficar mais afastado da agitação do campus e prefere ser chamado no diminutivo. É daqueles que preferem uma bancada de laboratório e um experimento a uma festa. Falando assim, parece ser a descrição de uma pessoa, mas, na verdade, esse é o Instituto de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), localizado no Pavilhão Haroldo Lisboa da Cunha, ou, como é carinhosamente chamado, o Haroldinho.


Inicialmente construída para ser um hospital público, que nunca chegou a ser inaugurado, a estrutura que hoje integra a Uerj teve diferentes denominações ao longo de sua história, como Universidade do Distrito Federal (UDF), Universidade do Rio de Janeiro (URJ) e Universidade do Estado da Guanabara (UEG). Durante um período, o espaço foi ocupado pela população mais carente, dando origem à Favela do Esqueleto, que surgiu ao lado do então recém-inaugurado Estádio do Maracanã, em 1950. 


Haroldo Lisboa da Cunha, que deu o nome ao primeiro pavilhão da Uerj, formou-se em Engenharia e exerceu cargos importantes na área de Ciências Exatas. Foi reitor da universidade entre setembro de 1960 a junho de 1967, nos primeiros anos de construção do campus Universitário Francisco Negrão Lima. Em 1968, tornou-se o primeiro diretor do Instituto de Matemática e Estatística (IME).


Foto: Murilo Soares

Busto na entrada do Haroldinho em homenagem a Haroldo Lisboa da Cunha


O Haroldinho oferece os cursos de graduação em Química (Licenciatura) e Engenharia Química, localizados no 3º e 4º andares, nos turnos diurno e noturno. Também são oferecidos cursos de pós-graduação stricto sensu, com programas de Mestrado e Doutorado nas áreas de Engenharia Química, Meio Ambiente e Química. Além disso, o pavilhão abriga o Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes (Ibrag). No primeiro andar, estão o Departamento de Ciências Radiológicas (DCR) e os laboratórios LDD e Biovasc. No segundo piso, ficam as secretarias e salas de aula dos Departamentos de Biologia Celular (DBCel), Genética (DGen), Ecologia (Decol), Biologia Vegetal (DBV) e Zoologia (DZ). No quinto pavimento, localizam-se laboratórios de pesquisa e o Departamento de Ensino de Ciências e Biologia (DECB).  


Maxwell Schiavon, de 38 anos, graduado e mestre em Filosofia e atualmente doutorando na área, trabalha na secretaria do Instituto de Química desde 2011 e conta ao COMUNICA sua relação com o Haroldinho: “Tenho uma relação afetiva e de proximidade muito grande com o instituto e com as pessoas que trabalham aqui. Considero aqui um prédio que atende às necessidades urgentes do meio acadêmico tanto em relação às necessidades universitárias como em forma de extensão, devolvendo a formação acadêmica para a sociedade.”


Estudante do sexto período de Biologia e integrante do Laboratório de Ecologia de Paisagens (Lepai) e do Departamento de Ecologia (Decol), Kayque Luiz Guimarães, de 22 anos, começou a estudar na Uerj no segundo semestre de 2023 e conta que, desde então, o Haroldinho está presente em sua rotina. Ele relata, porém, que, por ser antigo, o prédio tem sérios problemas de infraestrutura, como crateras que aparecem no chão de uma sala de aula localizada no anexo, apelidado de UPA, e alagamentos nas salas devido às chuvas. Mesmo assim, o discente descreve o local como calmo, tranquilo e agradável. 


Discreto e mais afastado do pavilhão principal do campus Maracanã, o Haroldinho traz consigo uma grande história intrinsecamente ligada ao surgimento da Uerj e, mesmo com alguns problemas estruturais, o espaço mantém com as pessoas que o frequentam uma relação de carinho, proximidade, afeto e tranquilidade. 


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