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Metrô: o único transporte fluminense verdadeiramente acessível

Foto do escritor: Comunica Uerj
Comunica Uerj
há 7 dias
5 min de leitura

Por: Diego Oliveira


Entre experiências pessoais e o cotidiano dos passageiros, vejo no metrô do Rio um modelo de acessibilidade que deveria ser realidade em todo o sistema de transportes.


Rememorando as últimas duas semanas, meus amigos leitores puderam compreender como funciona a acessibilidade nos ônibus e nos trens do Rio de Janeiro. Dando continuidade à série em que falo da minha experiência sobre os transportes utilizados pelos alunos da Uerj nos arredores do campus Maracanã, chegou a hora de explicar por que considero o metrô uma referência em acessibilidade no estado.


Então, venha comigo, porque vou levar vocês para uma viagem mais do que especial.


Diferentemente dos ônibus e dos trens que conectam a Uerj ao Centro do Rio às Zonas Norte, Sul, Sudoeste e Oeste da cidade, à Baixada Fluminense e a diferentes pontos da Região Metropolitana, o metrô conecta o bairro do Maracanã de maneira rápida, eficaz e acessível à Zona Sul, a parte da Zona Norte, à Barra da Tijuca e ao Centro da cidade.


Além disso, considero o metrô do Rio de Janeiro uma referência quando falamos em funcionamento de um transporte de massa no território nacional.


Além de conectar a Uerj a bairros economicamente importantes da cidade do Rio, o metrô é, na minha experiência, o transporte mais rápido, inclusivo e com um dos melhores horários de funcionamento do estado. Para que esse serviço funcione dessa maneira e consiga atender aos passageiros, o treinamento oferecido aos funcionários da MetrôRio, empresa responsável pela administração do serviço, é fundamental.


Para considerar este o melhor meio de transporte local, levo em conta não apenas seu funcionamento, mas também o comprometimento da empresa, o treinamento dos colaboradores e, principalmente, a humanização com que os procedimentos são conduzidos diariamente.


No metrô, a acessibilidade e o acolhimento começam desde o momento em que atravessamos as escadas e entramos no perímetro externo das estações.


Na minha experiência utilizando de maneira autônoma, comecei em 2014, quando passei a fazer o trajeto entre a Uerj e o Centro do Rio. Quando cheguei próximo à roleta pela primeira vez, sem saber exatamente como funcionaria o atendimento, fui abordado gentilmente pelo guarda que estava naquele local.


Ele perguntou se eu iria embarcar. Como eu ainda não entendia como funcionava o auxílio oferecido dentro do metrô, ele me explicou todo o procedimento com muita tranquilidade e cordialidade.


De maneira prática, quero explicar como funciona o acesso de uma pessoa com deficiência no metrô, desde a entrada até o desembarque.


Primeiro, somos recebidos na roleta por um agente, que pergunta de maneira profissional se precisamos de auxílio. Em seguida, esse funcionário nos ajuda a atravessar a roleta e comunica, por rádio, a um auxiliar de plataforma que irá até o local onde estamos.


Esse profissional nos acompanha até a plataforma e pergunta para onde vamos. Depois, comunica à sala de controle da estação o nosso destino. A informação é encaminhada ao centro de controle, que avisa à estação de desembarque sobre a composição, o vagão e a porta pela qual a pessoa com deficiência pretende desembarcar.


Quando chegamos ao destino, outro funcionário nos aguarda e realiza o procedimento de desembarque, acompanhando o passageiro até o perímetro externo da estação.


É importante destacar que as estações do metrô contam com agentes treinados e capacitados para desempenhar essa função essencial aos passageiros que necessitam desse apoio.


Mas, se você pensa que esses profissionais atendem com excelência somente às pessoas com deficiência, é aí que o amigo e a amiga estão enganados.


Os agentes também auxiliam passageiros com bolsas pesadas, orientam turistas brasileiros e estrangeiros, prestam auxílio em situações de urgência médica e lidam com as mais diversas situações que surgem ao longo de um dia inteiro de operação.


Quando comparo o metrô de 2014, época em que comecei a andar sozinho pela cidade, com o metrô de 2026, depois de ter adquirido experiências utilizando transportes em outras cidades e até mesmo fora do Brasil, percebo que houve poucas mudanças no modelo de treinamento, na aplicação das regras e na maneira como os agentes prestam seus serviços.


Mas não vejo essa pouca mudança como algo negativo.


Pelo contrário. Na minha experiência, percebo que, no metrô, diferentemente dos ônibus e dos trens, existem menos aspectos que precisam ser adaptados.


Boa parte das medidas de acessibilidade que foram discutidas e implementadas com força a partir da Lei nº 13.146/2015, a Lei Brasileira de Inclusão, já fazia parte das práticas adotadas pelo sistema do metrô há mais de uma década.


É justamente por isso que considero o metrô um transporte que, em muitos aspectos, já apresenta características que deveriam representar o futuro da mobilidade: segurança, rapidez, eficiência, inclusão e acessibilidade.


Para finalizar esta edição da nossa conversa, gostaria de deixar meu abraço fraterno aos colaboradores da MetrôRio, especialmente aos agentes de plataforma, aos profissionais das roletas e aos trabalhadores da sala de controle, que cruzam dados e informações para que o serviço seja prestado da melhor maneira possível.


Para mim, é gratificante utilizar um transporte que, de fato, consegue atender a diferentes passageiros e oferecer condições de atendimento que buscam respeitar suas necessidades.


Nunca trabalhei, trabalho ou pretendo trabalhar na MetrôRio. Faço questão de deixar isso claro porque, para que meus amigos e amigas entendam uma coluna repleta de elogios, é necessário compreender de onde eles vêm.


Os elogios surgem justamente porque vivemos em uma cidade que, de maneira geral, ainda está muito distante de ser verdadeiramente inclusiva.


Os cidadãos precisam diariamente utilizar transportes em condições muitas vezes aquém do ideal, principalmente quando levamos em consideração o valor das passagens e a carga tributária paga ao longo de todo o ano.


E, se a situação já é difícil para os cidadãos em geral, podemos imaginar o tamanho das dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência permanente, pessoas com mobilidade reduzida ou indivíduos que passam por algum tipo de incapacidade temporária.


Entendo que ainda são poucas as cidades minimamente acessíveis em todo o território nacional. Entretanto, se continuarmos cobrando da União, dos estados e dos municípios uma atuação mais efetiva para melhorar a qualidade dos nossos transportes, talvez chegue o dia em que não será necessário elogiar de maneira tão efusiva uma empresa como a MetrôRio por oferecer aquilo que, em grande medida, deveria ser considerado básico.


Afinal, quando levamos em conta o valor arrecadado por meio das passagens e os subsídios oferecidos pelo governo estadual, oferecer um serviço acessível, seguro e eficiente deveria fazer parte das obrigações fundamentais de qualquer sistema de transporte público.


Por isso, encerro esta coluna fazendo um elogio ao metrô por fazer o básico.


E digo isso porque, infelizmente, outras empresas e outros sistemas de transporte, como ônibus, trens, barcas e tantos outros, ainda não conseguem oferecer sequer o mínimo necessário em matéria de acessibilidade, salvo raríssimas exceções.


Espero vocês de volta na próxima semana.


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