Greve na Uerj reduz movimento e afeta comerciantes que dependem da universidade
- Comunica Uerj

- 23 de jul.
- 2 min de leitura
As dificuldades de adaptação que o período de paralisação trouxe para os comerciantes da Uerj
Por: Renan Mariath
Com os corredores mais silenciosos e as salas de aula vazias, a greve na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), iniciada em março, trouxe impactos que ultrapassam os limites da comunidade acadêmica. Enquanto estudantes, professores e técnicos viveram a rotina da paralisação, comerciantes que dependem do fluxo diário de pessoas na universidade enfrentaram uma queda significativa nas vendas e convivem com a incerteza sobre quando o movimento voltará ao normal.
Para quem mantém um estabelecimento dentro ou nos arredores da instituição, o período de greve representa mais do que a interrupção das atividades acadêmicas: significa a redução da principal fonte de renda. Sem a circulação de milhares de estudantes e servidores, o número de clientes diminui drasticamente, comprometendo o faturamento e dificultando o pagamento de despesas fixas, como aluguel, fornecedores e salários.
É o caso de Fábio Cassiano, proprietário da lanchonete Sensurado UERJ, localizada no sétimo andar, onde funciona a Faculdade de Direito. Segundo ele, a paralisação, somada ao recesso acadêmico, interrompeu as atividades do estabelecimento por um longo período e obrigou a adoção de medidas difíceis para manter o negócio.
"Tínhamos 10 colaboradores conosco antes da greve, e hoje apenas 3 funcionários. Estamos desde as férias sem trabalhar, pois as férias emendaram com a greve. Os fornecedores têm sido compreensivos e isso nos ajudou bastante. Caso contrário, poderíamos ter ficado numa situação ainda pior. Entendo a causa de todos que fizeram a greve, mas quem depende do funcionamento contínuo da universidade para ganhar o pão de cada dia, infelizmente ficou muito prejudicado, como foi o nosso caso", relata.
Além da queda nas vendas, a redução da equipe foi uma das poucas alternativas encontradas para diminuir os prejuízos. Fábio afirma que não houve espaço para estratégias capazes de compensar a ausência do público universitário, e teve que demitir os funcionários com menos tempo de casa.
O comerciante lembra que esta não foi a primeira vez em que precisou se adaptar para manter o empreendimento. Antes de atuar no ramo alimentício, administrava uma copiadora dentro da universidade. Com as mudanças provocadas pela pandemia de Covid-19, o negócio deixou de ser viável, levando à migração para o setor de alimentação. Ainda assim, a nova atividade também apresenta vulnerabilidades em períodos de paralisação.
"Antigamente tínhamos uma copiadora, mas com a pandemia ela acabou falindo e resolvemos mudar para o ramo alimentício, no qual estamos atualmente. O complicado é que, quando ocorre uma paralisação como essa, com todos os produtos perecíveis, o prejuízo é muito grande. Perde-se muita coisa", afirma.
A realidade vivida pelo comerciante evidencia a relação de dependência econômica entre a universidade e os pequenos empreendedores que atendem diariamente à comunidade acadêmica. Embora a greve tenha como centro reivindicações ligadas às condições de trabalho e ao funcionamento da instituição, seus efeitos se estendem para além das salas de aula, atingindo trabalhadores que, mesmo não participando do movimento, dependem da circulação de estudantes e servidores para garantir o próprio sustento.
Enquanto aguardam a retomada completa das atividades acadêmicas, os comerciantes seguem enfrentando um período de incertezas, na expectativa de que o retorno das aulas também represente a recuperação do movimento e das vendas que mantêm seus negócios em funcionamento.








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