Docentes da Uerj aprovam paralisação e pressionam por recomposição salarial
- Comunica Uerj

- 18 de mar.
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Categoria reivindica recomposição inflacionária, critica perdas salariais acumuladas e participa de ato com outros setores do serviço público
Por: Matheus Oliveira
Reprodução: Site da Asduerj

Após mais de duas décadas sem reajuste salarial real, docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) irão paralisar suas atividades nesta quarta-feira (18) e quinta-feira (19) para exigir recomposição inflacionária da categoria. Segundo a Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj), as perdas acumuladas chegam a 110,14% até julho de 2025. Na quarta-feira, um ato, em conjunto com outras categorias do serviço público, ocorrerá em frente ao Palácio Guanabara, sede oficial do governo estadual, em conjunto com outras categorias do serviço público. No dia seguinte, os docentes se reunirão para avaliar a mobilização, uma eventual resposta do governo e debater um indicativo de greve.
Na terça-feira da semana passada (10), 140 docentes participaram de uma assembleia organizada pela Asduerj, na qual foram decididas as paralisações desta semana e deliberado o estado de greve, fase de alerta que indica a possibilidade iminente de paralisação caso as demandas não sejam atendidas.
Os docentes reivindicam uma recomposição inflacionária para a categoria, que não recebe reajuste salarial real desde 2001. Em documento protocolado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e divulgado pela Asduerj, a entidade afirma que os servidores ainda não receberam a reposição referente ao IPCA de 2023 e 2024, cujo pagamento foi estabelecido pela Lei 9.436/2021.
Além disso, o IPCA de 2025 também não foi pago, o que soma uma perda inflacionária de 25,49% até junho do ano passado. Outra demanda da categoria é a revogação da Lei 194/2021, que extinguiu os triênios, adicional salarial concedido a servidores públicos a cada três anos de serviço, para aqueles que ingressaram a partir de 2022. Os docentes também afirmam que não há auxílio-saúde nem auxílio-educação para a categoria, benefícios considerados comuns em outras universidades do país.
Na última sexta-feira (13), a Asduerj protocolou uma solicitação de reunião com o governo para o mesmo dia do ato, com o objetivo de negociar as demandas da categoria. Até o momento, o gabinete do governador não respondeu ao pedido. Vale lembrar que em fevereiro já havia sido feita uma tentativa de reunião, que foi ignorada pelo gabinete do governador. Guilherme Schneider, acessor de comunicação da Asduerj, afirmou que a expectativa é de que a categoria esteja bem mobilizada e compareça em grande número ao ato. Ele também espera que o ofício enviado ao Palácio Guanabara assegure que os servidores sejam recebidos pelo governo.
A pressão dos servidores ocorre em um momento delicado para o governador Cláudio Castro (PL), que está sendo julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em duas ações que podem levar à cassação de seu mandato.
O placar do julgamento está em 2 a 0 pela condenação de Castro, acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Segundo a acusação, a Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos) e a Uerj teriam sido utilizadas para a contratação de cabos eleitorais com recursos do governo estadual durante a campanha.
Na última terça-feira (10), o ministro Antonio Carlos Ferreira apresentou seu voto pela cassação do mandato, mas a votação foi interrompida após pedido de vista do ministro Nunes Marques. A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, informou que o julgamento será retomado no próximo dia 24.






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