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Garra, orgulho e dificuldades: os times esportivos gerais da Uerj

Foto do escritor: Comunica Uerj
Comunica Uerj
9 de out.
4 min de leitura

Com uma grande variedade de modalidades nos esportes, atletas universitários superam problemas com trabalho em equipe e elevam o nome da instituição em torneios amadores, estaduais e nacionais


Por: Luiza da Costa 


Fotos: Arquivo Pessoal/Maria Luísa Fontes

Montagem de fotos: em cima, equipe geral de cheerleading da Uerj, Flame. Embaixo, time geral de vôlei feminino da Uerj campeão da TUC (taça universitária carioca), em 2025. 


O esporte universitário na Uerj representa muito mais do que apenas a prática de atividades físicas, configurando-se como um verdadeiro ponto de encontro para a paixão, a disciplina e a identidade da comunidade estudantil. Nas mais diversas modalidades mantidas pelos times gerais da universidade, como futsal, handebol, vôlei e cheerleading, atletas dedicam suas rotinas à preparação para torneios e campeonatos disputados ao longo de todo o ano. Para quem deseja fazer parte dessas equipes, a porta de entrada costuma acontecer anualmente por meio de processos seletivos conhecidos como try outs, nos quais os estudantes passam por testes de aptidão técnica e física para defender a camisa uerjiana.


Entre os times de destaque está o Uerj Flame, equipe oficial de cheerleading da instituição. Atualmente, o time encontra-se em um hiato temporário de suas atividades de treino e apresentações, mas se prepara para voltar à ativa com a realização de um novo try out previsto para o segundo semestre letivo deste ano. A coordenadora da modalidade e estudante de Engenharia Química, Giulia Rabello, de 23 anos, relembra que ingressou na equipe em 2022 logo após entrar na faculdade, movida pela curiosidade de praticar um esporte que até então só conhecia por filmes e séries dos Estados Unidos. Segundo Giulia, a experiência transcendeu a vida acadêmica e transformou a modalidade em uma verdadeira paixão, levando-a a assumir a liderança da coordenação a partir de 2024 para ajudar no fortalecimento do esporte. 


A atleta destaca a emoção de vestir a camisa da faculdade no cenário esportivo: “É inexplicável. Sou muito fã da minha faculdade, então poder representá-la e mostrar toda a garra que nós sabemos que o uerjiano tem é muito especial. Para mim, representar a Uerj vai muito além de vestir o uniforme. É levar o nome da universidade, a nossa identidade e toda essa garra uerjiana para outros lugares.” Ela aponta ainda que, além do ritmo intenso de treinos e da busca pelo equilíbrio com a rotina de estudos, a gestão da equipe exige esforço coletivo dos próprios alunos: “Também precisamos correr atrás dos recursos para manter o time. Fazemos rifas, cheer shots (doses de bebida alcoólica em festas vendidas especialmente pelas cheerleaders) e outras ações para arrecadar dinheiro para materiais de treino, uniformes, inscrições e outros custos. É um trabalho feito pelos próprios atletas, mas que faz parte da construção do time.”


A paixão por defender a Uerj também se faz presente no vôlei, representado no âmbito geral pelo Centro de Qualificação de Voleibol, o CQV. A equipe conta com a experiência de atletas como Maria Luísa Fontes, estudante de Jornalismo de 19 anos, que carrega no currículo anos de dedicação ao esporte de rendimento. Inspirada pelo pai, Maria Luísa começou no vôlei ainda na infância e passou por clubes como o Tijuca Tênis Clube e o Fluminense, acumulando conquistas marcantes na base, como a Copa Cidade Maravilhosa em 2019, o Campeonato Brasileiro Interclubes (CBI) em 2022 — no qual foi eleita a melhor ponteira da competição —, e o Campeonato Brasileiro de Seleções (CBS) em 2023 pela seleção carioca. O caminho até os títulos exigia uma rotina intensa: "Sobre a preparação, é muito da rotina do atleta: dormir cedo, dieta regrada, dedicação, comprometimento com o time."


Apesar do destaque e do alto nível atingido na base federada, a ponteira optou por recalcular a rota ao chegar à vida adulta, reencontrando no ambiente universitário o prazer de jogar. "Tenho um amor tão grande por poder representar a Uerj nos universitários porque é uma instituição que admiro e sempre admirei muito. Aos 17 anos, precisei tomar a escolha de seguir ou não no profissional e percebi que não queria aquilo, não por não gostar de jogar, mas porque a rotina de um atleta é muito restrita e eu queria mais. Mas eu não queria largar o esporte e o vôlei", relata. Vestindo a camisa da Uerj, Maria Luísa participou de marcos expressivos com o CQV, como a conquista de uma vaga inédita para disputar a etapa estadual dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) no Espírito Santo, em 2025: "A gente foi com praticamente tudo pago pela Federação Universitária. Foi muito legal e honroso mesmo representar a Uerj lá." Além das competições universitárias, o CQV disputa torneios locais como a Liga de Vôlei do Estado do Rio de Janeiro (Liverj), o que permite a integração entre alunos e atletas externos no fortalecimento do projeto.


Uerj Flame, quando foram campeões do Campeonato de Cheerleading Carioca em 2024

Apesar do histórico de títulos e conquistas que marcam a trajetória das equipes gerais da Uerj, o dia a dia dos atletas é acompanhado de entraves estruturais significativos. Maria Luísa aponta as severas dificuldades enfrentadas pela equipe feminina de vôlei para conseguir espaço e horários de quadra no Campus Maracanã: “Quando eu entrei, a gente tinha uma hora de quadra por semana às segundas-feiras. O que é muito pouco para qualquer time que queira treinar. Antes da greve o nosso treino era de oito às nove, e depois, o horário da quadra foi diminuído para até as oito. Ou seja, o time feminino ficou sem quadra para treinar, isso é realmente inadmissível. Nós somos um dos times mais antigos da Uerj e nós já demos várias honrarias, de orgulhar a faculdade mesmo, e a gente está sem hora para treinar, estamos tendo que correr por fora tentando fazer amistoso (jogos contra times rivais à parte de qualquer competição, com fim exclusivo de treinamento).” Mesmo diante dos desafios de infraestrutura e da constante busca por espaço e financiamento, os atletas e times gerais da Uerj mantêm vivo o compromisso com o esporte, provando que a dedicação e o sentimento de pertencimento continuam sendo o motor principal de suas trajetórias.


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