A um ponto do ouro
- Comunica Uerj

- 6 de ago.
- 3 min de leitura
O que o vice significa?
Por: Mariana Martins
Reprodução: Instagram (@cbvolei)

Cinco finais, cinco vice-campeonatos. Mesmo sendo a recordista em participações, a seleção brasileira feminina parece não conseguir confirmar a vitória nas decisões da Liga das Nações de Vôlei (VNL). Diante do retrospecto, a derrota para a Turquia significa, necessariamente, algo negativo? O que podemos concluir sobre a campanha do Brasil?
A seleção brasileira de vôlei disputou a VNL entre 3 de junho e 26 de julho. O torneio anual tem 18 participantes e não conta com sede fixa. Após 12 partidas na fase de grupos, o Brasil se classificou entre os três primeiros e avançou ao mata-mata. Nas quartas de final, eliminou o Japão; na semifinal, superou a Itália. Na decisão, porém, viu a vantagem construída no primeiro set escapar e não conseguiu reagir diante da Turquia.
O vôlei é um esporte decidido nos detalhes: é preciso administrar os placares parciais para não permitir que o adversário ganhe confiança e passe a jogar com a vantagem. Essa característica apareceu em boa parte da campanha da seleção feminina. Na semifinal contra a Itália, por exemplo, as brasileiras conseguiram se recuperar de um primeiro set ruim e levar o jogo ao tie-break. O Brasil consegue encarar de igual para igual os grandes nomes do vôlei, mas esse equilíbrio tende a se alterar em partidas que definem o título.
Mesmo em anos em que a seleção jogou como nunca, o resultado final na VNL foi a medalha de prata. A essa altura, fica a impressão de que a equipe tem qualidade e vence, mas algo acontece na final que drena essa energia. É como se o roteiro já estivesse escrito e restasse apenas entrar em quadra e esperar por um desfecho inevitável. Então, sim: a derrota para a Turquia foi um resultado ruim e prolongou a sequência de anos em que a história se repete. Mas nem toda derrota significa, necessariamente, fracasso. O que é possível tirar de positivo de tudo isso?
Os desafios da campanha começaram antes mesmo da estreia. Gabi Guimarães, capitã da seleção, foi cortada para tratar de um desconforto na região lombar. Sem a principal jogadora e referência de liderança, a equipe precisou se reajustar e definir quem assumiria essa responsabilidade. Na fase de grupos, Tainara sofreu uma lesão no tendão quadriciptal do joelho direito, e Júlia Kudiess teve ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) no joelho esquerdo. As duas deixaram a concentração para iniciar o tratamento. A seleção ainda teve a baixa da líbero Nyeme, que decidiu não viajar com a equipe, para cuidar da sua filha Antonela, de apenas 1 ano.
Reprodução: Instagram (@cbvolei)

As expectativas sobre a campanha mudaram, mas a equipe mostrou resiliência, e jogadoras como Júlia Bergmann e Ana Cristina assumiram de vez o protagonismo da seleção. No jogo eliminatório contra a Itália, por exemplo, Ana Cristina foi a maior pontuadora, com 23 acertos, enquanto Bergmann apareceu em momentos decisivos. A dupla se afirmou como presente e futuro do vôlei brasileiro e , ao lado de outras veteranas, ajudou a administrar a ausência de Gabi.
Portanto, é claro que a seleção precisa encontrar um caminho para mudar a história em finais e voltar ao topo do pódio, como de costume. Perder cinco finais preocupa, mas nesta edição, a derrota também pode fazer parte de um processo de mudanças na equipe: novas jogadoras chegando, outras se afirmando e algumas possivelmente se despedindo do vôlei internacional. Além disso, o torneio mais importante de 2026 ainda está por vir. O Campeonato Sul-Americano, em setembro, vale vaga direta para os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028 e, apesar de ser disputado contra seleções de nível técnico menor, será a hora de mostrar do que este grupo é capaz - inclusive de vencer uma final.








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