Brechó na Uerj

Por: Renan Mariath Redatora: Fernanda RodriguesVocê costuma usar roupa de brechó? É engraçado, pois pelas conversas que já tive com meus pais e pessoas de gerações anteriores, pude ter uma percepção de que o brechó na juventude deles não era uma coisa tão “descolada” quanto hoje. Pois é, o ponto é esse.Roupa, para além de expressividade, sempre vai passar pelo “status”. A ideia de comprar roupas de segunda mão, a preços mais baratos do que as novas na loja, seguia uma lógica simples: maior economia, menor primazia. Então, como essa ideia se modificou tanto nos tempos atuais? Os jovens que frequentam e consomem roupas de brechó, em sua grande maioria pelo que observo, não me parecem carentes ou necessitados. Muito pelo contrário, diria que o público se dá num perfil classe média e por vezes até acima. Não é mais exatamente sobre dinheiro. E brechó também não é mais sinônimo de roupa velha. Um ponto crucial eu diria é a autenticidade. A customização, a mistura, a busca por achar um look menos previsível, afinal de contas, se todos comprarem os lançamentos da loja, chegando ao rolé tem uns três ou quatro com a mesma blusa que você. E o que antes era limitado a um espaço físico, hoje em dia não é mais. Os grupos de WhatsApp, Telegram e outros permitem que isso aconteça de maneira virtual, trazendo um quê de comunidade. Por exemplo: “brechó do bairro tal ”, “brechó da academia”, todos feitos somente através de mensagens e fotos. Ou como o que iremos falar um pouco a seguir, “Brechó Uerj”. Criado em maio de 2024, o Brechó Uerj foi uma ideia de três amigas, que se conheceram na faculdade e logo perceberam que compartilhavam do mesmo interesse pelo universo do brechó. Por passarem grande parte do dia na universidade e conviverem com diferentes pessoas de outros cursos, Mariana Souza, Giullia Velloso e Beatriz Neris decidiram criar um espaço para unir a comunidade brecholeira da Uerj.
Foto: Arquivo pessoal/Beatriz Neris

Da esquerda para a direita: Beatriz Neris, Mariana Souza e Giullia Velloso
Elas contam que começaram a divulgar o grupo nas comunidades das aulas da faculdade e pediam para as pessoas compartilharem com todos e, assim, o grupo cresceu bem rápido. Seja pelo preço, seja pelo estilo de vida de consumo consciente, ou até mesmo pela autenticidade, o fato é que os integrantes do Brechó Uerj formam um público bem diversificado. E o assunto aqui é moda, mas elas garantem que os anúncios no grupo já ultrapassam a barreira de “somente roupas e acessórios”. Com vendas de CD’s, eletrônicos, livros, e até mesmo móveis, o que começou pequeno, hoje, nas palavras das fundadoras, “é um mundo”. E talvez seja justamente nessa transformação que esteja a força dos brechós hoje. Mais do que um lugar para comprar e vender coisas usadas, eles passaram a funcionar como espaços de troca, descoberta e convivência, onde a roupa é apenas o ponto de partida.
No fim das contas, talvez o que tenha mudado não seja apenas a maneira como compramos roupas, mas o significado de comprar de segunda mão. O brechó deixou de representar somente economia ou necessidade e passou a envolver identidade, autenticidade, sustentabilidade e pertencimento. No Brechó Uerj, isso fica evidente: o que começou como um espaço para comprar e vender roupas acabou se tornando uma comunidade de trocas. Se antes vestir uma roupa usada podia significar ter menos, hoje pode significar justamente ter mais liberdade para escolher o que vestir.








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