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Uerj preserva memória de sistema penitenciário com museu em Ilha Grande

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 11 de nov.
  • 3 min de leitura

Nas ruínas do cárcere, a preservação transforma memória em cultura


Por: Geovana Costa


Reprodução: Ecomuseu - Ilha Grande

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Todos os caminhos levam a Roma — mas, se olharmos com atenção, muitos deles também levam à Uerj. Em Ilha Grande, a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro é responsável pelo Ecomuseu, unidade dividida em quatro núcleos: Museu do Cárcere (MuCa), Museu do Meio Ambiente (MuMA), Centro de Multimídia (CeMu) e Parque Botânico (PaB). Juntos, eles atuam de forma integrada com o meio ambiente e com a comunidade local.


O Museu do Cárcere guarda registros da história e da memória do sistema prisional do Rio de Janeiro — especialmente dos diversos complexos penitenciários que funcionaram na Ilha Grande no passado. O MuCa busca estreitar sua relação com moradores e turistas, promovendo ações de educação patrimonial. Em seu espaço, é possível encontrar exposições, acervos penitenciários e pesquisas voltadas ao tema do encarceramento.


Já o Museu do Meio Ambiente (MuMA) une arte e ciência para estimular a reflexão de forma lúdica e interativa. Com exposições, acervos e projetos educativos, o espaço foi inaugurado em 2015 e está instalado na antiga fazenda de Dois Rios, que data do fim do século XIX, preservando parte da memória ambiental da região.


Reprodução: Ecomuseu - Ilha Grande

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O Parque Botânico (PaB) contribui para o conhecimento e a conservação das plantas nativas de Ilha Grande, especialmente as ameaçadas de extinção. Sua proposta é contar a história da ilha a partir da vegetação, relacionando diferentes espécies aos povos que marcaram o território: o povo sambaqui, o povo caiçara, o período colonial e o Antropoceno, fase recente marcada pelos impactos ambientais das ações humanas. O PaB realiza projetos de plantio nas ruínas do antigo presídio, além de manter canteiros dedicados a espécies da flora local.


Por fim, o Centro de Multimídia (CeMu) desenvolve pesquisas sistemáticas sobre materiais produzidos na Ilha Grande, contribuindo para a historiografia da região. Pelo site do Ecomuseu, é possível acessar a aba do Centro de Multimídia e navegar por vídeos, imagens, exposições tecnológicas e um vasto banco de dados digital que ajuda a preservar e difundir essa memória.


O presídio tem sua origem em 1894, com a inauguração da Colônia Penal Cândido Mendes, que possuía, inicialmente, o objetivo de reabilitar criminosos por meio do trabalho agrícola, considerado o lugar ideal para abrigar aqueles que eram indesejados pela sociedade. Ao longo dos anos, passou por diversas transformações, recebendo, além de presos comuns, também presos políticos, tornando-se um local de confinamento para aqueles que se opunham ao regime ditatorial. Esse período foi marcado pela tortura, pela repressão e por graves violações de direitos, consolidando a fama sombria do presídio.


Nas décadas de 1960 e 1970, a unidade se estabeleceu como presídio de segurança máxima, abrigando detentos conhecidos, como o criminoso Escadinha, que fugiu de helicóptero em 1985, e o escritor Graciliano Ramos, que relatou sua experiência na obra Memórias do Cárcere. A história da prisão chegou ao fim em 1990, e, em 1994, sua administração passou para a Uerj, que transformou o espaço em local de preservação histórica e cultural.


Serviço:

No site do Parque Botânico da Ilha Grande é possível acessar um tour virtual que disponibiliza imagens de todos os espaços do Ecomuseu. Para quem deseja realizar uma visita presencial, o funcionamento é de terça a domingo (incluindo feriados), das 10h às 16h. O museu está localizado em Angra dos Reis, no bairro Ilha Grande: Rua Amapá, s/nº, Vila Dois Rios – Ilha Grande, Angra dos Reis – RJ.


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