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Perspectivas: como uma palavra quebra o padrão das redações do Enem

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    Comunica Uerj
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Mudança no enunciado surpreende candidatos e abre caminho para abordagem menos engessada.


Por: Gabriel Gatto


Reprodução: Instagram @inep_oficial

Postagem realizada pelo instituto ao confirmar o tema da redação do Enem 2025
Postagem realizada pelo instituto ao confirmar o tema da redação do Enem 2025


O primeiro dia do Enem costuma seguir um roteiro conhecido: expectativa pelo tema da redação, que sempre busca apostar em assuntos sociais urgentes, e a, já habitual, estrutura de enunciados que destacam “desafios” ou “problemas” enfrentados pelo país. Em 2025, porém, o Inep surpreendeu ao propor “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, uma formulação que rompe com o padrão consolidado dos últimos anos.



Nas três últimas edições os temas foram:


Enem 2024: "Desafios para a valorização da herança africana no Brasil".


Enem 2023: "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.


Enem 2022: "Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil".


A lógica era clara: identificar uma falha estrutural, contextualizar sua relevância e propor soluções. Essa repetição ajudou a consolidar entre estudantes e professores a expectativa de que o Enem sempre pediria um “problema social” a ser corrigido.


A escolha da palavra “perspectivas”, contudo, desloca o foco. Em vez de restringir o texto a lacunas e deficiências, o tema abriu espaço para reflexões sobre tendências, transformações demográficas, impactos econômicos, políticas intergeracionais e até oportunidades associadas à longevidade. Para muitos candidatos, isso significou maior liberdade — mas também mais insegurança diante da necessidade de construir um recorte próprio e menos previsível.


A mudança também chamou atenção de professores e influenciadores educacionais que tradicionalmente comentam o exame.


A historiadora e youtuber de educação Débora Aladim costuma divulgar anualmente sua opinião acerca do exame logo após seu encerramento em suas redes sociais. Neste ano não foi diferente:


“Não foi um tema fácil, pois abre margem para muita coisa. Mas é um tema que não é completamente inesperado. O Enem tem um histórico de trazer temas inimagináveis. Mas eles (Inep) se tocaram que, independentemente do tema, o aluno que não estudou não vai se dar bem, então por que não ajudar o aluno que se preparou? Que talvez esteja um pouco mais familiarizado com o tema.”


Mesmo sem abandonar a exigência de uma proposta de intervenção, o tema deste ano convidou o candidato a discutir o envelhecimento não apenas como problema, mas como processo social que envolve desafios, avanços e disputas. A prova, assim, parece apontar para um Enem que incentiva reflexão e autonomia intelectual, superando a dependência de repertórios decorados e estruturas “esqueléticas”. Resta saber se essa guinada será uma tendência das próximas edições ou apenas um ponto fora da curva.




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