Teatro Odylo Costa, filho é palco de espetáculo protagonizado por grupo de pesquisa e criação cênica da Uerj.
- Comunica Uerj

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Atualizado: há 4 dias
Por Luiza Lara
Reprodução: Luiza Lara

Quinze minutos antes do horário previsto para o início da sessão do dia 14 de novembro da peça Cabeça de Papelão, uma atriz se acidentou ao manusear um objeto do cenário, sendo levada ao hospital. Rapidamente, o elenco se organizou e entregou um show que, aparentemente, não tinha qualquer ponta solta. Foi uma surpresa quando, no encerramento e nos agradecimentos, a equipe mencionou o que acontece, e que, mesmo diante da necessidade de mudança em cima da hora e preocupação com a colega de elenco – que passa bem – a peça foi um verdadeiro espetáculo.
Apresentando a segunda temporada na Uerj, Cabeça de Papelão é parte de um projeto de extensão, que tem como proposta a formação de um grupo de pesquisa e criação cênica residente nos espaços da DiTeatro, localizada no Campus Maracanã.
Adaptação do conto O homem da cabeça de papelão de João do Rio, publicado pela primeira vez em 1912, a obra conta a estória de Antenor, menino que tinha um grande defeito: só dizer a verdade. Retrata, a partir disso, os desafios de viver em uma sociedade que marginaliza pessoas fora dos padrões de comportamento, que corta as asas já na infância, desde reprimir dificuldades como se manter sentado em sala de aula. A consequência é que um menino livre e criativo é forçado a tomar a decisão drástica de perder sua originalidade e individualidade em troca de ser como os outros. Ser normal.
O mistério da troca de cabeças brinca com os sentidos e com a imaginação de quem assiste. Com um cenário em movimento, composto muitas vezes pelos próprios atores, vestidos em cores, através do uso de pinturas faciais, além das brincadeiras com as palavras, a peça ganha um tom divertido. A trilha sonora tem ainda um lugar especial, uma vez que é feita ao vivo do início ao fim, e junto com os jogos de iluminação, torna a experiência mágica.
Foram realizadas quatro sessões com interpretação simultânea em Libras, e a sessão em que esta colunista estava presente foi marcada pela ida do coletivo de mães da Uerj. A realização de um evento artístico desse porte na universidade democratiza o acesso à arte tanto pelo preço cobrado (entre R$5 e R$10), quanto pela ocupação do espaço por mães junto às suas crianças.
De acordo com o programa de Cabeça de Papelão, o projeto “propõe a criação de um grupo de pesquisa teatral residente nos espaços da Divisão de Teatro da Uerj” e, em termos artísticos, reafirma o teatro da universidade como espaço de “arte de vanguarda”.
Em entrevista ao COMUNICA, a assistente de direção, Mariana Consoli declarou que há expectativa de levar a peça ao Teatro Odylo Costa, filho novamente, sobretudo após o sucesso e a resposta positiva que receberam do público, mas a produção depende do recebimento de subsídio para tornar o retorno possível. Além disso, mesmo após o fim das apresentações da segunda temporada, a residência do grupo continua.
A peça é, sem dúvidas, uma oportunidade para os atores e seu desenvolvimento artístico, assim como para as comunidades externa e interna, que podem contemplar espetáculos por preços acessíveis. Mas, além disso, acredito que para estudantes de jornalismo fica ainda o convite a pensar na formação enquanto profissionais críticos e atentos à realidade de uma sociedade que, como escreveu João do Rio, está “matando gente para matar o tempo”.








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