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Rede LGBTI+ atua contra discriminação e projeta futuro mais inclusivo na Uerj

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 28 de out.
  • 4 min de leitura

Apoio ao estudante, biblioteca digital, banco de vagas afirmativas e planos de articulação com todos os campi da universidade estão entre as ações desenvolvidas


Por Alexandre Augusto


Reprodução: Pixabay

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A criação da Rede LGBTI+ do movimento estudantil da Uerj nasceu da urgência. A ideia surgiu em 2023, quando um grupo de estudantes começou a ouvir relatos de assédio e discriminação dentro da universidade – casos ligados à transfobia, à lesbofobia e a outras formas de LGBTfobia. Desde então, o coletivo tem acumulado experiências e se estruturado para ampliar sua atuação em defesa dos direitos de estudantes LGBTI+.


Para compreender melhor o trabalho da Rede, a coluna Mundo Uerj, do COMUNICA, conversou com alguns de seus fundadores, que relembraram as motivações para a criação do movimento e apresentaram os projetos atualmente em andamento.


Tainá Peixoto, estudante de Ciências Sociais, conta que a iniciativa começou quando ela passou a ouvir os relatos de colegas sobre episódios de violência e decidiu investigar como esses casos estavam sendo encaminhados pela universidade. Ao fazer esse levantamento, percebeu que, embora existissem coletivos atuando na pauta LGBTI+, os canais de acolhimento funcionavam de maneira fragmentada e sem coordenação entre si. “Muitas vezes, quem recebia os relatos não sabia como proceder, e as próprias vítimas não sabiam a quem recorrer”, relembra.


Com experiência prévia em iniciativas como o Grupo Arco-Íris e o programa Rio Sem LGBTfobia, Tainá passou a contribuir para a Rede oferecendo apoio direto e acompanhamento em situações de discriminação, especialmente no registro de denúncias. “Criamos um protocolo de atendimento que envolve o contato com organizações de apoio e acolhimento, e permanecemos ao lado das pessoas até que se sintam seguras”, explica.


Esse acompanhamento próximo é uma das marcas do coletivo, cuja atuação também ultrapassa os muros da universidade. Tainá relata que, em casos em que alguém sofre violência e precisa deixar a própria casa, a Rede busca compreender o contexto da pessoa – onde mora, quais são suas necessidades – e faz a ponte com o centro ou casa de acolhimento mais adequada.


Louie Marte, também estudante de Ciências Sociais da Uerj, avalia que a recente reativação do grupo ocorre em um momento sensível, marcado pelo retorno de práticas discriminatórias, como o uso do nome morto – termo que designa o nome de registro civil com o qual a pessoa trans ou travesti não se identifica – em listas e documentos institucionais. Ele cita, por exemplo, casos de desrespeito ao nome social em listas do bandejão, mesmo após avanços conquistados por meio de mobilizações estudantis.


Para Louie, o problema não está exatamente no sistema, mas na forma como ele é operado. Segundo o estudante, situações como a impressão de listas com o nome morto poderiam ser evitadas com um simples treinamento das pessoas responsáveis pelo procedimento. “Essas falhas refletem as barreiras que a burocracia impõe a estudantes trans, que muitas vezes se veem diante de processos confusos e não sabem por onde começar a garantir seus direitos”, analisa.


Caio Germano, aluno de Direito da Uerj, resume o papel da Rede diante dessas dificuldades: “A informação é uma forma de quebrar a burocratização. Nosso objetivo é facilitar o acesso a redes de apoio e a políticas públicas”.


Projetos da Rede


Mesmo diante dos desafios, os integrantes da Rede Uerj LGBTI+ mantêm o entusiasmo e seguem ampliando suas frentes de atuação. O coletivo aposta na diversificação de projetos e na articulação entre os campi da Uerj como caminhos para fortalecer o movimento e consolidar uma rede cada vez mais acolhedora.


Além do apoio direto aos estudantes, a Rede promove uma ação de divulgação de vagas afirmativas voltadas a pessoas LGBTI+, com o objetivo de ampliar o acesso ao mercado de trabalho e contribuir para a autonomia financeira desses estudantes.


Entre os projetos em destaque está a biblioteca digital da Rede, que reúne textos, artigos e indicações de professores sobre diversidade sexual e de gênero. O espaço foi criado para ampliar o acesso a produções acadêmicas e culturais, funcionando como um ambiente virtual de estudo, pesquisa e valorização das narrativas LGBTI+. Tanto a biblioteca quanto o banco de oportunidades podem ser acessados diretamente pelo perfil da Rede no Instagram, o que facilita o contato dos estudantes com essas iniciativas.


O coletivo também trabalha na expansão da Rede para os demais campi da Uerj. O grupo tem dialogado com estudantes de diferentes unidades para mapear coletivos já existentes, identificar demandas específicas de cada campus e fortalecer ações conjuntas, criando uma estrutura de acolhimento mais ampla e integrada.


Com estrutura horizontal e independente, a Rede não é vinculada a partidos políticos nem a entidades institucionais. Seu funcionamento é colaborativo, reunindo estudantes de diversos cursos para organizar fluxos de atendimento, compartilhar informações e garantir o acesso a direitos da população LGBTI+ dentro da universidade.


Ao projetar o futuro, o coletivo imagina todos os campi da Uerj conectados por uma rede de acolhimento sólida, capaz de fortalecer a diversidade e a representatividade da população LGBTI+. A Rede também almeja manter um diálogo contínuo com a gestão universitária, apoiado em dados e diagnósticos, para transformar desafios em políticas inclusivas e construir um ambiente acadêmico mais justo e acolhedor.



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