#PersonagensdaUerj: Hilliety Gaspar/Estudante de Artes Visuais, ‘Fada da Uerj’ e gótica
- Comunica Uerj

- 4 de nov.
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‘Fada da Uerj’: ela não realiza desejos, mas certamente tenta levar a vida estudantil de maneira mais mágica
Por: Daniela Fernandez
Reprodução: Daniela Fernandez

Para esclarecer definitivamente: a ‘elfa da Uerj’ não é elfa, mas sim, fada. Após ganhar certa notoriedade na rede social X, devido às suas famosas orelhinhas, Hilliety Gaspar, estudante de artes visuais, esclarece qual personagem fantástico ela realmente é. Para a fada de 20 anos de idade e carioca, o mundo e os seres humanos não são vistos de maneira objetiva, tudo pode receber um sentido figurativo e dual. O COMUNICA decidiu conhecer um pouco mais dessa figura profunda e artística, que faz da moda um de seus principais alicerces na vida.
Quando você ingressou na Uerj?
Eu entrei na Uerj este ano, no primeiro semestre. Fiquei muito animada quando entrei e gostei do curso de Artes Visuais. Por enquanto, eu diria que é um curso bom, mas, como ainda estou no segundo período, não tenho uma visão tão sólida acerca dele ainda. Honestamente, nesse segundo semestre, já quis trancar o curso umas cinco vezes, mas o motivo não é necessariamente o curso em si.
Quem é a Hilliety?
Primeiramente, acho que é meio impossível respondermos exatamente a essa pergunta sobre quem nós somos. Se pararmos para perceber, nunca estaremos realmente falando de nós. Estaremos sempre falando de coisas que têm a ver conosco: algum nome que foi imposto a nós, coisas que gostamos, coisas que não gostamos… Nenhuma dessas coisas são necessariamente nós. Somos só animais. E eu deveria, provavelmente, estar em uma montanha aleatória, agora, interagindo com algum bicho e comendo fruta da árvore. Mas como eu não estou fazendo isso, eu me declaro como artista. Pinto bastante, mas não posto tanto os meus trabalhos nas redes… Queria passar a postar mais. Eu faço pintura, faço desenho. Estou pensando em, inclusive, abrir uma loja de acessórios feitos manualmente, pois realmente gosto muito de qualquer coisa manual. Eu acho que é possível descrever minha personalidade com esses componentes e tudo isso, mas diria que nada disso é verdadeiramente eu. Eu, de verdade, deveria ser uma criatura na floresta neste momento, bem no meio de uma montanha.
O que a Uerj significa para você?
Uma forma de subsistência, eu acho. Entrei na universidade pensando muito no fato de ser uma pessoa cotista e financeiramente pobre. Então, refletindo sobre adentrar a faculdade, eu sempre quis achar uma forma de eu sair de onde estava. Eu não queria entrar em qualquer emprego básico que não me agrade. Queria conseguir fazer um curso superior E que eu pudesse sobreviver enquanto o fizesse ele! E a Uerj conseguia me proporcionar isso financeiramente. Sempre quis seguir carreira artística, que é algo muito difícil aqui. Mas a Uerj, pelo menos, devido aos auxílios que recebo dela, me capacita para realizar isso.
Muitos elementos do seu estilo fogem de um certo padrão societário. Qual o papel da moda alternativa na sua vida?
Eu, muitas vezes, acho que as pessoas associam a moda alternativa aos processos de caracterização de personagem e de performance. Mas, na verdade, sinto que, para mim, é o contrário de performance. É até irônico, visto que eu mesma me visto como um personagem. Porém, sinto que não comecei a me vestir assim para me tornar outro alguém, mas sim porque eu não sou eu quando não estou me vestindo dessa forma. Basicamente, eu adequei o exterior ao interior. Desde o ensino fundamental, eu já era considerada a pessoa mais estranha não só da turma, mas da escola inteira! Então, acho que eu cresci e fui me aprofundando e criando minha personalidade.
Historicamente, vestimentas contraculturais estão atreladas à imagem de diversos grupos, como a comunidade queer e os movimentos gótico e hippie. Seu estilo é influenciado por algum desses grupos ou por outras cenas culturais?
Falando sobre essa questão de subculturas, me considero parte da cena gótica. Mas também simpatizo com outra. Gosto muito de metal, apesar de não me considerar metaleira! Também gosto da cena punk e de outras que conheço. Mas a cena que eu me classificaria, por assim dizer, seria a gótica. A questão LGBTQIAPN+ é bem interessante. Se abordarmos a parte da minha vestimenta que seria mais atrelada à fantasia e à montagem de personagens, vejo que tem uma associação ao modo de vida de algumas pessoas trans e não binárias. E eu me considero uma pessoa não binária. Sinto que é muito sobre a sensação de ser algo mais que humano, não no sentido de superioridade, mas de deslocamento. Esse sentimento é consequência da experiência de se desassociar de padrões de gênero e é muito comum entre pessoas que são alternativas. Acho que a pessoa que mais me lembra disso é o David Bowie. Me inspiro muito nele! Ele não é um homem ou uma mulher, ele é um alienígena. Faz total sentido para mim.
Você tem alguma história curiosa ou interessante relacionada à Uerj?
Não tenho exatamente uma anedota para contar, mas posso dizer que fiz muitos amigos. Depois de adentrar a Uerj, minha vida social claramente melhorou. E acredito que devo mencionar o RU também. Eu era uma pessoa que tinha muitos problemas para conseguir comer. Questões advindas de ansiedade ou por falta de tempo para cozinhar algo nutritivo. Ainda tenho uns problemas de seletividade alimentar que complicam um pouco as coisas, mas, apesar disso, o RU realmente virou o maior quebra-galho da minha vida. Inclusive, não vejo a hora de aquela berinjela de carne de soja voltar!







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