top of page

#PersonagemdaUerj: Paulo André Vieira/Estudante de Arqueologia, produtor editorial e diretor executivo do Eco

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 11 de nov.
  • 5 min de leitura

Quando conhecimento nunca é demais: comunicador do jornal ‘O Eco’ há 18 anos, Paulo André cursa segunda graduação na Uerj


Por Daniela Fernandez


Nascido e criado no Rio de Janeiro, Paulo André Vieira faz da curiosidade sua arma mais eficaz contra a monotonia da vida. Aos 47 anos de idade, o produtor editorial reservou um tempo da sua rotina para estudar algo que o despertava interesse ainda novo — a arqueologia. Ao passo que gerencia O Eco, veículo expoente na área do jornalismo ambiental, Paulo encara o conhecimento arqueológico como um aspecto extremamente relevante na sua formação como comunicador das ciências ambientais. Esta semana, o COMUNICA decidiu conhecer um pouco mais sobre a trajetória multifacetada de Paulo, na qual o vínculo entre comunicação e arqueologia impera em várias instâncias de sua vivência.


Quando você ingressou na Uerj?


Entrei na Uerj em 2023. Antes, fiz Produção Editorial na Escola de Comunicação da UFRJ, no final dos anos 90. Entrei em 1996 e terminei em 2001. Quanto à arqueologia, posso dizer que sempre tive interesse pela área. Percebi isso quando estava no terceiro ano do segundo grau, estudando para o vestibular e visitando diversas universidades para descobrir qual curso realmente queria fazer. Nessas visitas, minha turma foi à Estácio de Sá e vi, em um canto da faculdade, uma placa com o nome “Departamento de Arqueologia”. Na hora, achei aquilo super interessante… Mas acabei cursando primeiro Produção Editorial e, anos depois, fui procurar saber se o curso de Arqueologia na Estácio ainda existia, mas não encontrei nada sobre ele. Aí pensei: ‘Caraca, será que alucinei? Será que estava escrito arquivologia naquela placa? Provavelmente li errado’ Daí, mais tarde, descobri que o curso na Estácio já havia sido encerrado no final dos anos 90. Atualmente, aqui no Rio de Janeiro, a Uerj é a única que oferece graduação em Arqueologia. Em 2023, percebi que tinha uma oportunidade de fazer o curso. Agarrei essa oportunidade e entrei na Uerj.


Quem é o Paulo André?


Acho que posso começar dizendo que sempre gostei de comunicação. Quando era criança, simulava com meus primos várias vezes uma espécie de jornalzinho imaginário na casa da minha avó. Mas, além disso, acredito que seja uma pessoa curiosa, que gosta de saber das coisas. E talvez o fato de ter sido estudante numa época em que a Internet ainda não era um facilitador tão grande como hoje tenha influenciado nessa minha vontade de saber. Meu avô tinha uma enciclopédia em casa. Então, se eu tivesse que fazer um trabalho, ia à casa dele e pegava a enciclopédia. Na faculdade, para ter acesso à Internet, recorremos aos laboratórios e hoje em dia a Internet está no nosso bolso. Então, me considero uma pessoa curiosa, que gosta de aprender as coisas. Tanto que estou fazendo a segunda graduação depois dos 40! É uma graduação bem diferente da que estudei.


Qual sua relação com a Uerj?


O que me chama atenção na Uerj é essa ideia de o campus Maracanã abrigar tantos cursos. São diversas áreas empilhadas num prédio bruto de doze andares. Todas essas diferentes pesquisas, estudos e pessoas convivendo rotineiramente. Acho incrível quando eventos acadêmicos, como o Uerj sem Muros, ocorrem aqui. É tanta diversidade de conhecimento, de informação e de pesquisa acontecendo ao mesmo tempo. Em comparação à UFRJ, na qual estudei anteriormente, isso era menos evidente, pois o campus da Praia Vermelha não abarcava tantos cursos assim. Então, essa diversidade me surpreendeu positivamente quanto à Uerj. Quando entrei para Arqueologia, não sabia o que aconteceria. Não sabia se conseguiria permanecer no curso, ainda mais com receios como o fato de ser uma área muito diferente da qual já havia me estabelecido e de as pessoas serem muito mais novas que eu. Mas me considero sortudo, pois os meus colegas da Uerj são ótimas pessoas.


Você mantém contato com o Jornalismo e as Ciências Ambientais. Como a união entre o ofício jornalístico e as ciências da natureza pode ajudar na educação ambiental?


Acho que o Jornalismo e a Comunicação são fundamentais para conseguirmos literalmente ter um futuro. Trabalhar para que exista um futuro e para que realmente possamos falar sobre o futuro do nosso planeta. Isso é ainda mais importante recentemente com toda essa desinformação que existe, fake news, mentiras. As pessoas permanecem confusas e duvidam dos fatos. Hoje existem pessoas que acham que a Terra é plana e que não existem mudanças climáticas. Acredito que o jornalismo seja o melhor antídoto para essa onda de desinformações. Lá onde trabalho, no Eco, que é um site de jornalismo ambiental, temos percebido que a maneira como as pessoas consomem notícias tem mudado radicalmente nos últimos anos. A audiência do site tem caído, as reportagens estão sendo menos lidas. As pessoas têm passado a acessar notícias por redes sociais. Se informam pelo TikTok, Instagram, Twitter. E o formato de cada canal é diferente. O jornalismo no geral, não só o ambiental, vem tentando se adaptar a isso: tentar informar para que as pessoas busquem se educar e se aprofundar. Por exemplo, esta semana começa o encontro dos chefes de Estado para a COP30 no Brasil, em Belém. Será que as pessoas estão bem informadas sobre a COP e sobre o que está acontecendo lá?


Como a Arqueologia impulsiona sua trajetória como comunicador?


Acho que já faz mais de 20 anos que trabalho com jornalismo de interesse público, sem fins lucrativos. Atualmente, trabalho no Eco, embora não tenha participado de sua fundação. Ele é uma associação criada por grandes jornalistas e cientistas sociais, com o objetivo de comunicar sobre a biodiversidade e a conservação da natureza. Há alguns anos, antes de decidir cursar Arqueologia, desenvolvemos uma websérie chamada Pé no Parque, que era sobre parques nacionais. O projeto apresentava as pesquisas realizadas nessas áreas e, em cada episódio, destacávamos aspectos de cultura e história. Curiosamente, em quase todas as temporadas — e em grande parte dos parques retratados, como Serra da Capivara, Anavilhanas e Superagui, no Paraná — havia alguma relação com a arqueologia. Não era eu que escrevia os roteiros, mas era uma coisa que sempre achei que fazia totalmente sentido: que estivéssemos ali dentro dos parques, falando sobre patrimônio arqueológico também. Então, essa carreira que tenta mesclar comunicação e arqueologia foi natural devido à minha jornada com o Eco.


Você tem alguma história curiosa ou interessante relacionada à Uerj?


Não lembro de algo específico, mas um elemento que merece destaque, para mim, é o bandejão. Quando estudei na UFRJ, o campus da Praia Vermelha não tinha um restaurante universitário (RU) próprio ainda. Então, quando ingressei na Uerj, ainda não tinha vivenciado a experiência de comer em um RU. Essa ideia que o pessoal da minha turma teve de criar o Prova Bandeco é super legal! Acho muito interessante essa dinâmica que eles criaram, porque mostra a variedade de pessoas que um restaurante universitário pode reunir.




Comentários


bottom of page