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#PersonagemDaUerj: Vera Lúcia/

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • há 5 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

A Uerj pelos olhos de Vera: memórias e movimentos

Por: Beatriz Barbiere



Reprodução: Beatriz Barbiere

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Antes mesmo de a Uerj existir como a conhecemos, Vera Lúcia já caminhava pelo terreno onde a universidade seria erguida. Moradora da Mangueira desde que nasceu e desfilante da escola por cerca de três décadas, ela reúne em sua trajetória a força do trabalho, a alegria do samba e a generosidade do convívio. Aos 72 anos, Dona Vera é uma daquelas figuras que costuram gerações, afetos e histórias. Nessa entrevista emocionante, ela mostra que seu amor pela Uerj é grande, mas que ela é muito maior do que qualquer crachá pode dizer.


Quando a senhora começou a trabalhar na Uerj?


Eu entrei na Uerj em 9 de setembro de 1980, lá no Hospital Pedro Ernesto. Comecei trabalhando na copa aprendendo tudo na prática. Fiquei 22 anos. Saí depois que minha mãe faleceu lá… Foi muito difícil continuar naquele ambiente depois disso. Aí eu pensei: ‘Vou tentar a Uerj’. Fui à Superintendência de Gestão de Pessoas (SGP), antiga SRH da Uerj, tentar uma vaga e consegui. Quando cheguei, comecei a trabalhar na copa também. Eu fazia o café para as salas do primeiro andar, preparava tudo direitinho e também entregava os memorandos — ia de sala em sala, de setor em setor, falando com todo mundo, conhecendo o pessoal. Quando eu paro para fazer as contas, já são quase 45 anos. É uma vida inteira! Eu fico pensando: ‘Nossa, passou tudo isso?’ Mas passou, e eu vivi cada pedacinho dessa história. A Uerj me acompanhou em tudo, em cada fase minha.


Quem é a Vera?


Ah, minha filha… eu sou povão mesmo. Sou daquelas que conversam com todo mundo, vivo bem com todo mundo, gosto de gente, gosto de ouvir e de falar. Sou comunicativa, brincalhona, cheia de histórias — se me dá um bom dia, eu devolvo na mesma hora e já puxo uma conversa. Sempre fui muito espontânea, muito aberta, desde pequena. Cresci assim: no meio do samba, do pagode, da alegria, da rua cheia. Gosto de estar perto das pessoas, de saber da vida, de dar atenção. Acho que isso é o que me faz ser eu: essa vontade de viver junto.


Qual sua relação com a Uerj hoje?


Aqui é melhor do que estar na minha casa. Moro sozinha, eu e Deus. Então, quando chego à Uerj, é como se eu entrasse num outro tipo de lar, cheio de gente que eu gosto e que gosta de mim. Converso com um, converso com outro, recebo carinho, respeito. E tem outra coisa: eu vi isso aqui antes de ser Uerj. Vi quando era tudo morro, antes de levantarem prédio, antes de virar essa universidade enorme que é hoje. Acompanhei a construção, os primeiros passos, os setores nascendo… fui vivendo tudo junto. Já passei por muitos setores, fiz muita coisa e aprendi demais aqui dentro. A Uerj me deu estabilidade, me deu convivência, me deu histórias. Sou muito grata por isso tudo. Muito mesmo. É uma vida de parceria.


Você mora na Mangueira, um lugar cheio de história, samba e resistência. O que a Mangueira representa pra você?


Eu nasci lá, dentro da Mangueira, e moro até hoje na mesma casa. É um lugar tranquilo, bom. Lá é minha vida inteira. Carnaval, samba, vizinhos que viram família. Eu desfilei por 34 anos na Estação Primeira de Mangueira — pensa nisso! Era fantasia, era ensaio, era aquela vibração boa que só quem vive sabe. Nos últimos três anos, por causa da saúde, eu não tenho conseguido desfilar, mas continuo acompanhando tudo. Não consigo largar. Tenho até vontade de juntar todas as camisas dos 34 anos e colocar uma ao lado da outra, só para lembrar de cada carnaval, de cada emoção daquela avenida. E uma época que eu gostava demais era quando a gente preparava as fantasias na Vila Olímpica da escola. Eu ajudava a arrumar, colar, costurar e ficava tão feliz de ver os vizinhos descendo o morro, todos arrumados, bonitos, prontos para desfilar com as fantasias que eu mesma ajudava a fazer. Lá na Mangueira todo mundo me conhece. Eu não ando uma rua sem alguém me chamar, dar um abraço, perguntar como eu estou. A Mangueira para mim é isso: acolhimento, memória, alegria e pertencimento.


Quando as pessoas falam da sua alegria, do seu sorriso, você acha que isso vem da onde?


Eu acho que isso vem da minha criação. Sempre fui assim: brincalhona, conversadeira, cheia de vontade de estar com as pessoas. Aprendi que a gente tem que ser amiga, tem que ouvir, tem que falar com carinho. Eu penso muito no amanhã, sabe? A vida é curta, é cheia de altos e baixos. Já vivi tanta coisa que eu sei que um sorriso muda o dia de alguém. E muda o meu também. Teve uma vez aqui na Uerj que um colega me viu e começou a chorar de alegria. Chorou mesmo! Aí eu chorei junto, porque sou emotiva, não consigo segurar. Esse tipo de coisa marca a gente.


Você tem alguma história curiosa ou interessante relacionada à Uerj?


Tem muitas! Eu até casei na Festa Junina da UERJ, você acredita? Arrumaram vestido, fizeram tudo direitinho, foi uma farra! Aqui tinha muito show, muita festinha na Concha e a gente dançava, ria. Era bom demais. Também guardo com muito carinho meu ato de investidura, daquela época em que a gente virou estatutário. Foi um momento importante demais para mim. Cada cantinho da Uerj tem uma lembrança minha. Tudo isso faz parte da minha história — e eu sou muito grata por fazer parte da história daqui também.




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