#PERSONAGEM DA UERJ// Affonso Nunes: chefe do Departamento de Jornalismo
- Diego Figalva
- 30 de jun. de 2023
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Por: Diego Figalva
Affonso Henriques Nunes, 60 anos, é chefe do Departamento de Jornalismo, professor das disciplinas de Comunicação e TV e de Estágio Supervisionado de Vídeo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). É um profissional altamente experiente em produções audiovisuais e exerce a docência desde 2003.
Foto: Maurício Luz

Para o senhor, quem é Affonso Nunes?
Bom, me considero uma pessoa inquieta e sempre estive à procura de uma profissão que tivesse a ver comigo. Eu entendo que o trabalho toma grande parte da nossa vida e acredito que precisamos fazer algo que nos estimule, para que o trabalho não se torne um problema e nos tire a vontade de viver a vida. Eu já tive experiências profissionais que fugiam da área de comunicação e tinha vezes em que eu passava mal por realizar aquela determinada função. Foi depois de algum tempo que eu pude encontrar uma carreira que estava relacionada com o que eu realmente gostava, a imagem, sendo fotografia ou vídeo.
Como professor de audiovisual, o quão importante é formar profissionais que tenham maestria nessa arte?
A gente tem que pensar no audiovisual como uma forma de comunicação fundamental nos dias de hoje. Tudo o que se faz, ou grande parte, tem o vídeo incluído.Então, saber sobre o audiovisual é extremamente importante, hoje em dia, independentemente da área de comunicação em que você esteja, eventualmente, você vai trabalhar com produção de vídeos ou estar em uma equipe de audiovisual. Por isso que eu faço o possível para dar uma formação mínima dentro das possibilidades que temos na universidade. Mas eu peço que os alunos tenham interesse nisso, pois será importante para as suas carreiras.
Com a sua experiência, como o senhor vê o mercado de trabalho no jornalismo televisivo hoje?
Eu entrei no mercado de trabalho há pelo menos 30 anos, e naquela época, tudo era diferente. Não tínhamos a internet desenvolvida como é hoje, mas, ainda assim, o mercado televisivo sempre foi bastante restrito. A televisão é uma área da comunicação que dá muito trabalho, é necessário ter uma equipe versátil e completa, mas comparando o meu tempo ao atual, com certeza aconteceu uma diminuição nas equipes da televisão. Em contrapartida, com a internet, existe a possibilidade de trabalhar nesse mercado fora da televisão como no YouTube, TikTok ou Instagram. Então, eu acredito ser uma boa porta de entrada, apesar de o mercado ser bastante restrito. Quais são os conselhos que o senhor daria para um futuro repórter hoje?
Com certeza assistir a muitas reportagens, ler livros sobre a arte do jornalismo, reportar e entrevistar. Se enriquecer de conteúdo sobre a sua profissão é essencial, mesmo que você tenha o dom da comunicação, seja extrovertido e versátil. É bom consumir muito conteúdo sobre reportagem para enriquecer o seu conhecimento. Como o senhor enxerga a relação com os alunos nas suas aulas práticas? Como professor, a gente cresce se relacionado com pessoas da mesma faixa de idade, dos 20 aos 25 anos. Eu comecei a dar aula em 2003 e lá eu tinha 40 anos e lidava com pessoas de 20, hoje com 60 anos, eu ainda lido com a mesma faixa etária. É importante incluir a tecnologia dessa geração nas aulas, até porque nesse ponto do curso os alunos já estão cansados da teoria e precisam colocar em prática o que aprenderam nos períodos passados. Então, eu pessoalmente, prefiro trabalhar com métodos que eles conheçam como o uso do celular nas gravações, além de ensinar sobre fotografia e o manuseamento de câmeras profissionais. Mas eu acho que o celular, às vezes, pode atrapalhar mais esses jovens do que os ajudar, então prefiro ser o professor que chama atenção dos alunos para que eles possam ter uma boa formação profissional.
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