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#OComunicaVêOQueAUerjCurte: ‘Caju’ — o som plural e sentimental de Liniker que segue florescendo

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 21 de out.
  • 4 min de leitura

Um ano após o lançamento, o álbum retorna ao centro das conversas e reafirma a cantora como uma das vozes mais sensíveis e criativas da música brasileira.


Por: Gabriel Gatto


Liniker sempre carregou na voz e na história a mistura de ritmos que ouviu na infância, em especial o samba, samba-rock e soul. Desde Indigo Borboleta Anil (2021) e o reconhecimento no Grammy Latino, a artista conquistou seu espaço na música brasileira. Em agosto de 2024, Liniker lança o íntimo e sensível Caju, álbum que foi aclamado pelos fãs e pela crítica, colocando-a em um patamar ainda mais alto do que já havia conquistado. Aliás, foi com esse álbum que eu a conheci. Recentemente, com o anúncio dos indicados ao Grammy Latino 2025, ela aparece com 7 indicações, incluindo três das categorias principais: Gravação do Ano, Canção do Ano e Álbum do Ano.



Reprodução: Instagram Liniker

Capa oficial do álbum Caju divulgada pela cantora
Capa oficial do álbum Caju divulgada pela cantora

O COMUNICA ouviu o que a Uerj curte e Caju foi lembrado como o mais escutado do momento, mesmo após um ano do lançamento, pelos estudantes de direito Aldo e Adriele, no nosso quadro “O que a Uerj curte?”, nosso programa quinzenal nas redes sociais do COMUNICA, permitindo a comunicação entre os repórteres e colunistas com os nossos leitores. Nesta edição, o álbum Caju de Liniker foi citado mais vezes pelos estudantes e será analisado por este colunista.


“Quero saber se você vai correr atrás de mim num aeroporto

Pedindo pra eu ficar, pra eu não voar, pra eu maneirar um pouco

Que vai pintar uma tela do meu corpo nu”

Caju (Liniker)


A porta de entrada para essa viagem inicia com a balada Caju — carregando o mesmo nome do álbum — que traz a idealização de Liniker de um amor romântico simples, porém difícil de se alcançar. Não só essa faixa, mas esse início do álbum girará em torno de reflexões sobre amor, afeto e vulnerabilidades. Tanto momentos à capela, de vazio, quanto momentos de catarse, com a entrada de sons sinfônicos na melodia, são valorizados por Liniker nesse pontapé inicial de Caju. A faixa Tudo, em contrapartida, não transparece esses pontos, se tornando mais uma faixa chiclete.


Reprodução: Instagram Liniker

Foto de divulgação do clipe da faixa Tudo
Foto de divulgação do clipe da faixa Tudo

“Enquanto você dorme, eu cheiro você

Pra guardar na memória o tom do meu veludo cor marrom, ai

Eu não tô a fim de desgrudar, mas quero fazer, dos dias, a paz

Para fazer um escarcéu com teu sorriso

Nem ligo, a gente pode demorar”

Veludo Marrom (Liniker)


Caju pode ser considerado um álbum longo para os padrões atuais dos vídeos curtos. Ele carrega 14 faixas e uma hora e nove minutos de duração, sendo que há três faixas em sequência com mais de sete minutos cada uma. Como a terceira, e melhor, faixa do álbum, Veludo marrom, que embala num início lento e sensual, valorizando apenas a voz de Liniker. O instrumental evolui com a invasão progressiva da Orquestra Jazz Sinfônica na melodia, mostrando ao longo daqueles rápidos sete minutos três interpretações diferentes de Liniker da mesma letra. As duas faixas seguintes, Ao seu lado, uma parceria com a dupla Anavitória e em Me ajude a salvar os domingos, seguem a mesma linha — baladas com intensidades crescentes, que acompanham o ouvinte até o sétimo minuto.


Aproximando-se do meio do álbum, parece que Liniker se liga à diversidade sonora que vivenciou em sua infância. Como em Negona dos Olhos Terríveis, um axé em parceria com BaianaSystem, em Mayonga, uma faixa curta de samba que me lembra a melodia de Mas que nada, de Jorge Ben Jor, e em Papo de Edredom, um R&B com a cantora baiana Melly. Essa mistura causa uma estranheza à primeira vista, pois o andamento do álbum não te direciona para essa pluralidade de estilos, porém demonstra o vasto repertório da cantora e traz o toque de brasilidade que o título sugere.


Foto de divulgação do clipe da faixa Tudo

Liniker no seu show de estreia da turnê Caju
Liniker no seu show de estreia da turnê Caju

“É puro meu amor e sincero, não tem lero-lero

Tô te dando a letra porque é você que eu quero

Vinte e quatro horas do meu lado e cê vai ver

Que eu sou mais que magia, muita coisa, pode crer”

Febre (Liniker)


A faixa Popstar vem em seguida trazendo novamente o pop à trajetória do álbum, porém com uma melodia e uma letra que foge do padrão das outras apresentadas, parecendo perdida naquele meio. Já o pagode Febre e o brega Pote de Ouro revivem a pluralidade de sons que o álbum vinha trazendo, elevando a energia e fazendo o corpo dar uma balançada.


Na reta final, Deixa estar traz Lulu Santos e Pabllo Vittar como convidados para compor voz na faixa, trazendo um pouco do estilo de cada um. Mas não funciona, as vozes ficam bagunçadas e a letra repetitiva. Em seguida vem So especial, toda em inglês, e em tom mais eletrônico em parceria com Tropkillaz. E, para fechar, Liniker recita dramaticamente o que parece uma carta para si mesma em Take your time e relaxe.


O maior destaque de Caju está nas canções em que Liniker se desnuda — nas letras declarativas, com seus sentimentos, suas fragilidades e seus pensamentos — como Caju, Veludo marrom e Ao seu lado. A pluralidade de estilos que segue torna o álbum uma espécie de vitrine, com momentos brilhantes de brasilidade — Febre, Pote de ouro — mas também têm faixas que soam deslocadas e enfraquecem a coesão — como Popstar e Negona dos olhos terríveis. Caju é especial, é o convite de Liniker para o mundo conhecer um pouco do nosso estilo, da nossa dança e do nosso balancê.





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