“Memórias, não são só memórias”
- Comunica Uerj

- há 6 dias
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Conheça o Musa, projeto da Faculdade de Comunicação Social sobre mídia, música e comunicação
Por: Júlia Martins
Foto: Débora Gauziski

Logo do projeto Musa - Grupo de Pesquisa em Mídia, Música e Memória
Assim como Pitty canta em sua música, as memórias são fantasmas que assombram os ouvidos. A partir disso, o grupo Musa - Núcleo de Pesquisa em Mídia, Música e Memória, mostra como esses temas estão mais conectados do que nunca com a comunicação. Criado pela professora Débora Gauziski, o projeto é vinculado ao Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo da Uerj (Lacon) e tem como objetivo entender o fenômeno da nostalgia e da memória no meio musical. A principal atividade no momento é um grupo de estudos aberto para todos os estudantes, com reuniões online para discutir leituras. O próximo encontro está marcado para o dia 3 de setembro, quinta-feira, às 18h, com discussão do texto “Realismo Capitalista” de Mark Fisher.
Esses elementos estão presentes desde o nome do projeto. De acordo com Débora, a ideia veio a partir das musas na mitologia grega, que eram deusas responsáveis pela criação artística, sendo filhas de Zeus com Mnemosine, a deusa da memória. “Musa” seria o casamento perfeito entre os objetos de estudo do projeto. No nome, ela também incluiu o termo mídia para abranger futuramente mais assuntos além da música, para tratar sobre nostalgia e colecionismo. O projeto está no começo e conta com uma bolsista de jornalismo, além de estar no planejamento a criação de um blog para publicação de textos nessa temática.
O grupo também busca tratar sobre a nostalgia na mídia física, sobretudo no consumo de vinis. O projeto começou a realizar um levantamento sobre essa cena no Rio de Janeiro, buscando estabelecimentos de venda e festas que tocam vinil, para começar uma pesquisa. Débora explica que a nostalgia tem se feito presente não apenas no meio musical, e que parte de um fenômeno de saudosismo ao passado, de uma época menos conectada: “Talvez seja como um reflexo do mal-estar que vivemos por conta da hiperconexão e de uma obsessão por produtividade. Uma das nossas hipóteses é que a nostalgia também é um efeito de tudo isso.”
Por muito tempo, a música foi tratada com certo preconceito na pesquisa em comunicação, principalmente a cultura pop. A música popular e seus movimentos não eram vistos como interessantes ou importantes o suficiente para serem discutidos no meio acadêmico. Débora explica que a música funciona como um instrumento comunicacional, podendo fortalecer ou não ideais na sociedade, e como é importante ter pesquisas sobre isso na comunicação. Ela traz para debate músicas de movimentos de contracultura ou canções de protestos que são usadas fora do seu contexto original e apropriadas por movimentos opostos. Um exemplo disso foi o uso da música All American Bitch da cantora estadunidense Olivia Rodrigo em um vídeo do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos sobre a deportação de imigrantes. Mesmo sendo contra tudo aquilo que a artista e a própria canção falam sobre, a música foi usada pelo governo de Donald Trump, com uma mudança de significado. “É curioso observar essa mobilização da música. Trata-se de um fenômeno que devemos acompanhar continuamente para entender como a música pode ser utilizada para diferentes intenções e discursos.” diz Débora.
Mesmo que alguns pesquisadores ainda tenham preconceitos, o tema vem conquistando cada vez mais espaço nos congressos de comunicação, como o Intercom - Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, que possui um Grupo de Trabalho específico para Comunicação, Música e Entretenimento. Muitas pesquisas discutem sobre temas como as cenas musicais, audiência, aspectos sociopolíticos nas músicas, e as comunidades de fãs e seus fenômenos.
Outra questão muito presente na discussão sobre nostalgia é a performance nas redes sociais. Esse tema ainda não chegou a ser foco das discussões do grupo, mas Débora diz que é uma questão para ser discutida. A performance passa pela nostalgia a partir de trends no TikTok, alimentando um exibicionismo a partir de produtos culturais. “Não se trata apenas de alimentar a nostalgia com referências de experiências vividas,mas sim por meio de filmes de outra época, idealizando certos momentos e estéticas, então vejo que tem uma conexão bem forte entre performance, memória e nostalgia.”








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