Além das rampas: grupos de WhatsApp se tornam espaços seguros para alunos da Uerj
- Comunica Uerj

- 29 de ago.
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Para além de assuntos universitários, os grupos Mulheres FCS e Rede LGBTI+ funcionam como espaços de troca, proteção e apoio entre estudantes.
Por: Maria Eduarda do Valle
Foto: Mini-documentário Identidade e coletividade: a importância dos grupos na FCS (leme.uerj.br)

Comuns em universidades, os grupos de WhatsApp ajudam estudantes a obter informações sobre aulas e disciplinas, estudar para trabalhos e provas e até combinar caronas ou companhia nos transportes públicos. Algumas comunidades, porém, ultrapassam as questões acadêmicas e se transformam em espaços de acolhimento, troca e apoio. É o caso dos grupos Mulheres FCS e Rede LGBTI+ da Uerj.
O grupo feminino da Faculdade de Comunicação Social (FCS) foi criado próximo às eleições presidenciais de 2018, em um período marcado pela intensa polarização política no país. Inicialmente, a comunidade tinha como objetivo organizar manifestações políticas e garantir a segurança das alunas dentro e fora da universidade. Em entrevista ao COMUNICA, Maria Fernanda Machado, uma das fundadoras, conta que a iniciativa deu origem a uma rede de apoio entre as participantes: “Queríamos organizar o grupo para participar do movimento feminista da universidade. Fomos juntas da Uerj à Cinelândia para uma manifestação e foi um grande marco para nós. Mas, bem mais que isso, nos tornamos uma rede de apoio umas para as outras: compartilhamos localização nas voltas noturnas após as aulas, marcamos pontos de encontro e garantimos que todas possam estudar e viver a faculdade em segurança.”
Hoje com 418 membros, as alunas de Jornalismo e Relações Públicas conversam no Mulheres FC sobre questões acadêmicas, como horários de disciplinas, avaliações e formação de grupos para seminários. Ao mesmo tempo, o grupo mantém a proposta de acolhimento que marcou sua criação, oferecendo suporte diante de situações como machismo, assédio e outras formas de violência.
Com uma proposta semelhante, a Rede LGBTI+ reúne seis grupos no WhatsApp: Geral, Grupo de Estudos, Oficina de Escrita Acadêmica, Comunicação, Apoio Acadêmico e Jurídico e o grupo da equipe responsável pela organização e articulação da comunidade.
A rede surgiu em 2023, depois que estudantes perceberam que alunos LGBTI+ eram frequentemente excluídos ou silenciados dentro da universidade. Para a fundadora, Tayná Peixoto, criar um espaço de comunicação e troca pensado e administrado pelos próprios estudantes é uma forma de democratizar o acesso a informações que interferem diretamente na vida acadêmica e cidadã da comunidade. “Antes da criação da rede, era nítido que faltava um espaço onde pudéssemos construir uma rede de apoio estruturada. Nos nossos grupos, não precisamos estar na defensiva para existir ou justificar nossas identidades. É uma forma de dizer: “Nós estamos aqui, somos muitos e estamos organizados”, afirma Tayná.
Inicialmente voltada para questões jurídicas, como a retificação de nome social e denúncias, e para divulgação de eventos, editais e ações de conscientização, a Rede ampliou sua atuação e se transformou em um espaço de cuidado coletivo. As discussões passaram a envolver questões como mobilidade, infraestrutura urbana, permanência estudantil e acesso a direitos.
Foto: Instagram (@redelgbti.uerj)

Entre mensagens, localizações compartilhadas, dúvidas acadêmicas e relatos pessoais, o WhatsApp se transforma em uma extensão dos espaços de convivência da Uerj. Mais do que facilitar a vida universitária, grupos como o Mulheres FCS e a Rede LGBTI+ mostram como a tecnologia pode ser usada para construir redes de proteção e pertencimento além das rampas.








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