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Luxo e abandono: o contraste entre os ‘Flamengos’ escancara a desigualdade

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 4 de nov.
  • 2 min de leitura

Enquanto o futebol masculino nada em investimentos e estrutura, o feminino ainda luta pelo básico.


Por Ana Luiza Pereira



Reprodução: Instagram (@paulareis.raw)


Equipe feminina rezando em conjunto no CT
Equipe feminina rezando em conjunto no CT

Nos últimos dias, o Flamengo voltou ao centro do debate esportivo — mas não foi por um título ou uma contratação milionária. O que ganhou espaço nas redes foi o vídeo publicado pela jornalista Renata Mendonça, mostrando as condições precárias da estrutura utilizada pelo futebol feminino do clube. Vestiário improvisado em contêiner, campo menor do que o padrão profissional e condições de higiene inadequadas. Um cenário que não condiz com o clube que se orgulha de ter os maiores investimentos do país.


Já a estrutura do futebol masculino é outro universo. CT moderno, gramados impecáveis, tecnologia de ponta, acompanhamento médico de elite e uma folha salarial de centenas de milhões. O contraste é gritante e simbólico. Ele revela o quanto o futebol feminino, mesmo dentro de clubes gigantes, ainda é tratado como um projeto paralelo, um favor institucional.


O mais curioso é que a denúncia da jornalista surgiu poucos dias após o Flamengo anunciar que vai readequar o orçamento do futebol feminino para 2026. Um termo elegante para dizer “vamos cortar gastos”. A justificativa oficial fala em valorização da base — mas, na prática, soa como uma tentativa de disfarçar um retrocesso. Porque desenvolver a base é ótimo, sim, mas não deve servir de desculpa para diminuir investimento, reduzir o elenco e deixar de oferecer condições dignas e básicas em um clube com o tamanho do rubro-negro.


Reprodução: Instagram (@dibradoras)

Vídeo expondo as precárias condições fornecidas pelo clube.
Vídeo expondo as precárias condições fornecidas pelo clube.


E é impossível não se perguntar: se fosse o time masculino treinando num campo reduzido e com vestiário precário, o clube ou a própria torcida aceitariam? A resposta é óbvia. A diferença de tratamento evidencia como o futebol feminino, apesar de ter ganhado espaço nos últimos anos, ainda sofre com a falta de estrutura e investimento. Os clubes não veem o futebol feminino com a mesma urgência e prioridade.


O vídeo de Renata Mendonça é um alerta necessário. Ela lembra que o futebol feminino brasileiro não precisa apenas de espaço — precisa de condições reais para existir com dignidade. Se o Flamengo defende em seu discurso diversos valores, é preciso que esses princípios também alcancem as mulheres que representam o clube. O mesmo escudo que estampa o uniforme masculino deve ter o mesmo respeito quando está no peito de uma atleta. O fato é que se as mulheres continuarem treinando em campos menores, com estruturas improvisadas e orçamentos reduzidos, o jogo continuará desigual — dentro e fora das quatro linhas.



1 comentário


amandagomes554
04 de nov.

👏🏼👏🏼👏🏼

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