Fórmula 1 no Brasil: uma paixão nacional adormecida pela falta de representação
- Comunica Uerj

- 11 de nov.
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No dia 9 de novembro, São Paulo recebeu o Grande Prêmio da Fórmula 1 e contou com um piloto brasileiro, depois de oito anos sem representação nacional na categoria
Por Isabella Topfer
Reprodução: Instagram - @gabrielbortoleto_

Com a chegada de novembro, os fãs brasileiros de automobilismo já entram no clima para o Grande Prêmio de São Paulo, em Interlagos, tradicionalmente disputado neste mês. Em 2025, a corrida ocorreu no fim de semana (9) e ficou marcada pelo retorno de um brasileiro às pistas depois de oito anos. Antes dessa temporada, a última vez que um piloto brasileiro tinha corrido em Interlagos havia sido em 2017, com Felipe Massa representando a Williams, mas agora Gabriel Bortoleto, correndo pela Sauber, faz sua estreia no circuito e traz esperanças para a nação.
O Brasil recebe o Grande Prêmio de Fórmula 1 desde 1973 (a primeira corrida da categoria foi em 1972, mas foi extraoficial), sendo a maioria delas no circuito de Interlagos, com exceção de 1978 e de 1981 a 1989, quando a etapa era disputada no Autódromo de Jacarepaguá (ou Autódromo Internacional Nelson Piquet), no Rio de Janeiro. Independentemente do local de disputa, a Fórmula 1 no Brasil guarda grandes momentos e memórias para os fãs de automobilismo.
Em relação aos pilotos nacionais, cinco venceram em solo brasileiro: Emerson Fittipaldi venceu as duas primeiras edições do Grande Prêmio no Brasil, em 1973 e 1974; em 1975, José Carlos Pace conquistou a única vitória de sua carreira em uma dobradinha com Fittipaldi, que terminou em segundo; Nelson Piquet venceu em 1983 e 1986, quando Ayrton Senna conquistou a 2ª posição, marcando a rivalidade histórica entre os brasileiros; Senna saiu vencedor em Interlagos em 1991, numa vitória marcante e emocionante, e em 1993; os últimos triunfos nacionais ocorreram com Felipe Massa, em 2006 e 2008, sendo o último marcado pelo vice-campeonato de Massa, que na última volta perdeu o título para Lewis Hamilton.
O Brasil é o país com o maior número de pilotos vencedores no Grande Prêmio do Brasil, além de diversas vitórias históricas em outros circuitos e grandes ídolos no esporte, com oito títulos mundiais, vencidos por Fittipaldi, Piquet e Senna, considerado o maior piloto da história por diversos profissionais de corrida, especialistas e fãs. Senna e os outros campeões e ídolos são responsáveis pela grande conexão entre a nação brasileira e o esporte. A paixão nacional, principalmente por Senna, era forte e incontestável, e sua morte precoce, em 1994, revelou isso: o governo decretou luto de três dias e “o Brasil parou”, cerca de 200 mil pessoas compareceram ao velório.
Esse amor pelo automobilismo ainda persiste em muitos brasileiros, mas a falta de um ídolo, de um campeão nacional afasta as pessoas que não são grandes entendedoras e fãs do esporte, mas gostam de torcer pelo país. Por isso, a chegada de Bortoleto à categoria promete reacender a paixão nacional e trazer alegria para os amantes de Fórmula 1, que, apesar de possuírem outros ídolos, sentiam falta de alguém que os representasse. Esta colunista é uma dessas pessoas. Eu cresci acompanhando a Fórmula 1 e ouvindo histórias sobre Ayrton Senna de meu pai, Fernando, que sempre foi um grande fã de automobilismo e estava em Interlagos nas duas vitórias do ídolo em solo brasileiro. Ele me contou sobre a paixão do povo por Senna, percebida no autódromo e no dia de sua morte, e também acompanhou a trajetória de Rubens “Rubinho” Barrichello e de Felipe Massa, torcendo muito por eles. Agora, eu, meu pai e todos os brasileiros amantes do esporte estamos ansiosos para depois de oito anos, acompanhar novamente um brasileiro promissor, Gabriel Bortoleto, torcendo para que sua carreira seja longa e vitoriosa.








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