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Jogos no Maracanã afetam mobilidade e rotina de estudantes da UERJ

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 19 de mar.
  • 4 min de leitura

Dia a dia dos alunos se torna ainda mais difícil devido às orientações da Reitoria de manutenção das aulas


Por: Júlio César Mariano


Reprodução: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio

Maracanã, importante estádio carioca que se localiza próximo à Uerj.
Maracanã, importante estádio carioca que se localiza próximo à Uerj.

Um problema antigo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) é a questão da mobilidade urbana quando acontecem jogos no Maracanã. Em dias de evento, as ruas ao entorno do estádio são interditadas e acabam dificultando a vida de quem utiliza o transporte público, devido ao trânsito e à diminuição da frota e alteração de rotas usuais dos ônibus. Além disso, universitários se queixam do aumento da violência e dificuldade de acesso ao Campus Maracanã em dias de jogo.


Segundo o site da Prefeitura do Rio de Janeiro, a CET-RIO planeja esquemas de trânsito para o entorno do Maracanã quando ocorrem jogos no estádio. Para o dia do clássico Flamengo x Fluminense, do último dia 8 de fevereiro, por exemplo, a estratégia planejada e divulgada foi de interdição das Ruas Professor Eurico Rabelo, Arthur Menezes, Conselheiro Olegário, Isidro de Figueiredo, além da Visconde de Itamarati e a Avenida Rei Pelé a partir de 13h30m. A liberação somente ocorreu às 20h30m.


A dificuldade encontrada pelos estudantes em dias de partidas como essa é relatada por Maurício Rizzo, estudante de Relações Públicas da universidade: "Quando o jogo é às 19h, chega umas 17h, 18h, já tá impossível. Chego a ficar esperando o 249 (linha de ônibus) por uma hora. A São Francisco Xavier – rua de acesso ao campus Maracanã – fecha completamente.”


A fim de entender o posicionamento de membros de gestão de cursos da universidade em relação ao problema, O COMUNICA UERJ ouviu a diretoria da Faculdade de Comunicação Social (FCS) sobre a orientação em dias de jogo: "A orientação da Reitoria é no sentido da manutenção das aulas sempre, a não ser que haja alguma excepcionalidade. Por sua vez, as direções de cursos da Uerj não têm autonomia para decidir a respeito; pode apenas, em certos casos, pedir a compreensão dos docentes para evitar fazer avaliações nesse dia e abonar eventuais faltas.”


A diretora da FCS, Patrícia Miranda, defendeu a orientação de manutenção das aulas, alegando que o esvaziamento da universidade pública nesses dias beneficia apenas aos setores sociais que visam a sua derrocada, alertando sobre o interesse daqueles que desejam a privatização das instituições de ensino geridas pelo Estado. "A universidade esvaziada é munição para os ataques de quem quer destruí-la", afirma Patrícia.


Quando perguntada sobre o que pode ser feito para mitigar os problemas de mobilidade e violência no entorno da universidade em dias de partida, a diretora comentou sobre como um dos laboratórios da FCS pode contribuir nessa tarefa: “A FCS tem a sorte de contar com o Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (Leme), que realiza pesquisas quanto à violência na cidade em dias de jogo e à incidência de casos perto da Uerj para entender os reais impactos da violência na mobilidade da comunidade uerjiana. Esses estudos vão poder orientar a faculdade e mesmo a Reitoria a entender melhor as reais causas do problema e ajudar na tomada de decisões."


Segundo a Reitoria, no que compete à abordagem preventiva do problema, está sendo feito contato com a Secretaria estadual de Segurança, a CET-RIO e o Bepe (Batalhão Especial de Policiamento em Estádios) para cobrar melhores soluções de segurança e de trânsito em dias de jogo. Isso porque, segundo a posição da administração da universidade, não é razoável que a instituição seja pressionada a suspender as aulas todas as vezes em que haja eventos no Maracanã. 


Reprodução: Facebook/ UERJ

Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Contudo, O COMUNICA UERJ também procurou estudantes da universidade para entender, pela perspectiva dos discentes, os efeitos desse cenário sobre o rendimento acadêmico: “Os jogos do Maracanã acabam com a minha rotina. Sempre que tem partida as ruas são fechadas, os ônibus que eu costumo pegar não passam e não consigo nem chegar nem sair da Uerj. Quando os professores não cancelam a aula, eu não consigo ir, e quando cancelam, do mesmo jeito, eu acabo perdendo a matéria. Se tiver 2 jogos seguidos, quarta e quinta, a gente ainda acaba perdendo dois dias de cinco.”, diz João Vitor, estudante do 3º período de Economia na Uerj.


Para além da questão da mobilidade, o aumento nos índices de violência relacionados ao esporte, também se tornou um grande problema na rotina carioca. No ano de 2023, dos 138 casos de violência no futebol brasileiro, 38 se deram no Estado do Rio de Janeiro. É o que aponta o levantamento feito por pesquisadores do Observatório Social do Futebol da Uerj. 


Um caso recente é o de Thierry Muniz, que foi assaltado no entorno do Maracanã às vésperas da prova do Enem, o que impossibilitou o jovem de realizar o exame. O rapaz estava vestindo uma camisa do Fluminense e, no dia, ocorria a primeira partida da final da Copa do Brasil, entre Flamengo x Atlético Mineiro.







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