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III Seminário Sambavivências abre mês de novembro focando na relação entre samba e construção de identidade

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    Comunica Uerj
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Evento promove debates acerca de vivências que vão muito além dos dias de desfile: mobilidade, cidadania e educação são temas cada vez mais abordados


Por: Carlos Roberto


Reprodução: Carlos Roberto

Cartaz de divulgação do evento no corredor de acesso ao bandejão
Cartaz de divulgação do evento no corredor de acesso ao bandejão


O carnaval no Rio de Janeiro não ocorre apenas em fevereiro. É um evento que dura o ano inteiro e movimenta a cultura, a economia e, sobretudo, a educação. A Uerj corrobora isso através do Sambavivências, projeto de extensão de História, que carrega o lema Samba, histórias e educação. Em sua terceira edição, o seminário – que tem o mesmo nome – foi realizado entre os dias 10 e 14 de novembro. Durante o encontro, os auditórios 71, da Faculdade de Direito, e 9042 F, da Faculdade de História, tiveram seus dias de Sapucaí.


A abertura do evento, iniciado às 18h com a mesa Cantos e Contos, teve a participação de Tia Nanci, Célia Domingues, Vinicius Natal e Pretinho da Serrinha. Personagens que se dedicam a pesquisa, produção e construção ativa do carnaval e dos movimentos negros.


Vinícius Natal, pesquisador da Unidos de Vila Isabel e integrante do portal Pensamento Social do Samba, trouxe reflexões sobre uma visão de mundo através da vivência do samba, e teve destaque no debate juntamente com Pretinho da Serrinha, que desde os dez anos de idade vive no mundo do samba e hoje é um dos principais nomes do Império Serrano. Pretinho contribuiu com o debate sobre repertório, elementos e estética do samba com os diferentes ritmos e instrumentos da música popular brasileira. Célia Rodrigues e Tia Nanci trouxeram em suas falas o resgate da ancestralidade e da força das raízes e das comunidades quilombolas para a formação de nossa identidade.


No segundo dia, o professor Fábio Carvalho comandou a oficina Subúrbios, no auditório Jaime Antunes, sala 9042 F. Cria do Andaraí, salgueirense, escritor e Mestre em Ensino de História, Fábio propõe uma revisão do conceito de subúrbio e reflete sobre os cuidados com a memória coletiva e a história desses lugares. De acordo com o Observatório do Turismo nos Subúrbios Cariocas, a categoria subúrbio carrega sentidos polissêmicos motivados pelas obras audiovisuais que circundam o imaginário do carioca. Mais do que atribuir a acepção geográfica, de se estabelecer às margens do Centro da cidade – que pode ser entendido como algo pejorativo – o subúrbio tem muita relevância para a mobilidade do samba no tecido social, sendo o berçário de grandes nomes e grupos como a Velha Guarda da Portela, João Nogueira, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Ismael Silva, Cartola, entre muitos outros. O primeiro samba gravado da história é suburbano. No bairro da Penha, em 1917, Ernesto dos Santos, o Donguinha, lançou Pelo Telefone, marcando-o como gênero musical. Pensar a mobilidade urbana é também pensar as mudanças que influenciam as regiões ao longo do tempo, e seus respectivos traços estilísticos e culturais. E o samba é o regente desses fluxos.


A mesa Julgamento recebeu Bruno Marques, jurado de harmonia, e Arthur Gomes, que julga o quesito enredo. Eles debateram as vivências em um dos processos mais importantes da semana dos desfiles das escolas de samba. Você pode conferir a coluna do COMUNICA “Olhos de harpia, audição de coruja e coração de mãe”, que marca o terceiro dia do seminário.

No quarto dia, o encerramento com a mesa Enredo trouxe profissionais de diferentes escolas para conversar sobre a escolha da composição que vai ser levada no desfile – dia mais aguardado pelas escolas, depois de tantos ensaios e entrega de energia e apoio à comunidade. Pesquisadores e enredistas se reuniram para falar de obras da maior festa popular, e o momento trouxe contornos de produção com os ensaios de rua. Vivian Pereira, Jader Moraes, Stephanye Paz, João Vitor Silveira e Igor Ricardo contaram um pouco das histórias que vão ser retratadas na avenida. Entre os destaques, a homenagem da Grande Rio a manguebeat – ritmo tradicional pernambucano marcado pelo Chico Science; a trajetória do presidente Lula, apresentada pela estreante do Grupo Especial, Acadêmicos de Niterói; e a homenagem da Mangueira ao Mestre Sacaca – um importante curandeiro popular do Amapá, conhecedor dos saberes sobre ervas medicinais e práticas de cura.



O samba é muito mais que um ritmo, é uma ferramenta educacional e formadora de cidadania, reforçando a identidade cultural e histórica que vai muito além do carnaval. O Sambavivências é também um apelo para não se esquecer das origens e trazer de volta à comunidade toda vivência da academia e de todos os lugares por onde se passa. A Uerj funciona como um intermediador desse processo a partir dos estudos de extensão em parceria com laboratórios, observatórios, profissionais e professores de diversas universidades.




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