Galeitura: Gustavo Scarpa mostra que leitura também faz parte do futebol

Por: Mariana Martins
Reprodução: X/@galeitura

Meme criado pela torcida com os jogadores Gustava Scarpa e Victor Hugo
Jogadores de futebol possuem grande influência para criar tendências. Cortes de cabelo, modo de se vestir, como se movimentar em campo, estilo musical e outras tantas coisas. Recentemente, um novo costume foi adicionado a essa lista: a leitura. Uma mobilização iniciada na rede social X (antigo Twitter), levou a torcida do Atlético Mineiro a criar a Galeitura, um clube do livro que já conta com cerca de 500 integrantes e tem como objetivo acompanhar as indicações literárias do meio-campista alvinegro Gustavo Scarpa. O primeiro livro indicado, A morte de ivan ilitch está entre os mais vendidos na plataforma Amazon e lidera as vendas na categoria de Ficção de Gênero.
Os jogadores não têm ideia do quanto são influentes. Basta uma ação dentro ou fora de campo para impactar uma geração de torcedores. No entanto, o valor dado aos livros por Gustavo Scarpa faz com que ele vá além de hábitos voltados para a aparência e o “jeito de ser jogador” cultivado no futebol. Desde 2018, quando ainda defendia o Palmeiras, Scarpa compartilha suas indicações e nos últimos meses ele conseguiu transformar o vestiário do Atlético Mineiro em uma biblioteca. Jogadores como Cuello, Victor Hugo e Ruan Tressoldi apareceram nas redes sociais do meio-campista lendo. O atleta agora recebe o apelido de “Ministro da Educação” pelos apoiadores do Galo.
No ano passado, a relação de Scarpa com a torcida e o elenco não era boa. Ele relatava que se sentia deslocado por ter hobbies alternativos, que não eram compartilhados pela equipe nem valorizados no futebol. Esse cenário mudou por completo ao longo dessa temporada. O meio-campista conseguiu difundir seus hábitos para uma comunidade inteira, fazendo até aqueles que não se interessavam por livros entrarem para a Galeitura. Tanto para o jogador quanto para os integrantes da torcida, usar uma mesma camisa, compartilhar pensamentos sobre uma obra, encontrar pessoas com gostos semelhantes faz com que todos se sintam parte de algo. Somando isso ao bom momento do Atlético Mineiro, não foi por acaso que essa mobilização foi tão abraçada pela Massa.
Reprodução: YouTube/@atletico

Gustavo Scarpa com a camisa da Galeitura
Também é interessante ver a participação masculina nessa mobilização, já que a leitura por lazer é considerada algo majoritariamente feminino. Por conhecer muito bem o mundo do futebol, sabemos o tanto que o machismo e os papéis de gênero estão enraizados nessa cultura. Não à toa, o Scarpa se sentia isolado e a educação não é valorizada pelos jogadores. Quando um atleta da modalidade mostra o quão bom é esse hábito, ele está dizendo ao elenco e a torcida que ler não é “coisa de mulher” e incentiva mais homens a incluir livros em suas rotinas.
Esse movimento “furou a bolha”, e outras torcidas já estão criando seus próprios clubes como a Fiel Leitura e Tricoler, referentes aos apoiadores do Corinthians e São Paulo respectivamente, sendo bem-recebidas pela pioneira apesar da rivalidade. O Cruzeiro fundou o Cruleitores, que de início não teve uma boa receptividade pelos torcedores dos dois clubes de Belo Horizonte, mas conseguiu resistir às críticas. Além disso, a Galeitura, em parceria com o Instituto Galo, está promovendo uma campanha de arrecadação de livros infantojuvenis em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, que serão doados para os beneficiários da instituição, ilustrando o propósito cultural, educativo e inclusivo da organizada.








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