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Estudar ou trabalhar?

Foto do escritor: Comunica Uerj
Comunica Uerj
9 de set.
4 min de leitura

O deslocamento entre jornadas que deixa os estudantes da Uerj em um dilema monumental.


Por: Diego Oliveira


Ao chegar à universidade, recém-matriculados depois de um cansativo processo de vestibular, os estudantes vivem o período de se deparar com um universo novo, composto por festas, novas amizades, descobertas, liberdade e o começo da fase adulta. Passada a adrenalina das diversões iniciais dos estudantes da Uerj, bem como as mudanças trazidas pelos estudos no começo da vida adulta, surge o primeiro grande dilema: saber quando é a hora de começar a equilibrar a pesada rotina de estudos e assumir tarefas como trabalho ou estágio.


Por volta do terceiro período, já ambientados com a faculdade, os estudantes começam a encontrar opções de trabalho. A partir daí, os problemas começam a aparecer. Mesmo com possibilidades de empregos e estágios híbridos ou remotos, algumas boas colocações ainda exigem a presença dos funcionários nas repartições. Dessa forma, os deslocamentos da faculdade ao trabalho ou do trabalho à Uerj pesam tanto para os discentes quanto para os empregadores no momento da contratação. Com as principais empresas do setor de comunicação da cidade do Rio de Janeiro localizadas entre o Centro, os bairros da Zona Sul e a Barra da Tijuca, deslocar-se da região do Maracanã, onde se situa a Uerj, é um desafio a ser administrado quando colocamos na balança os horários de aula e os de trabalho.


Para tomarmos como base um estudante que sai do Maracanã às 12h20m para esses três lugares, levam-se, no mínimo, trinta minutos até o Centro ou até duas horas até a Barra da Tijuca. Refiro-me a esses números porque levo em conta apenas a situação dos estudantes da Faculdade de Comunicação Social da Uerj. Porém, se considerarmos os outros cursos oferecidos pela universidade, o tempo de deslocamento pode ser ainda maior, o que torna inviável para alguns a jornada dupla de estudar e trabalhar ou estagiar.


Compartilhando minha própria experiência sobre me dividir entre estudos e estágio, posso dizer que a rotina de quem precisa passar por esse caminho é muito difícil. Afinal, levei quatro anos da minha vida nessa loucura. Eu me dividia entre a graduação em Direito na Uerj e minhas obrigações. Minha jornada começava às 3h30m da manhã, horário em que eu acordava para estar na Uerj às 7h, com aulas até às 10h. Logo em seguida, ia para o bairro da Tijuca para treinar jiu-jitsu. Após o treino, seguia para o estágio, que começava às 13h no Centro do Rio. Às 17h30m, embarcava no metrô lotado até a Uerj para ter aulas das 18h às 22h40m. Depois dessa correria diária, me deslocava até o bairro do Amapá, na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde chegava em casa por volta das 0h30m para descansar um pouco e viver tudo isso novamente no dia seguinte.


Levei essa rotina cansativa do final de 2015 até o mês de março de 2020. Com a pandemia de Covid-19, a Uerj parou e o trabalho passou a ser desempenhado de maneira remota. Com a reabertura do nosso país entre 2021 e 2022, consegui me formar na universidade e fui efetivado no meu trabalho. Ele passou a ser exercido de maneira remota, situação na qual me encontro até hoje: estudando jornalismo e trabalhando de maneira remota.


Mesmo com a minha vida passando por um período de aparente calmaria, tenho a noção de que esse tempo está com os dias contados. Com a graduação de jornalismo avançando cada vez mais, terei de me dividir em múltiplas frentes novamente, como as aulas na Uerj, o trabalho voluntário no AudioLab com as transmissões dos jogos, o trabalho no escritório, além do estágio que está por vir. Contudo, nada disso me assusta mais. Além da experiência que tenho acumulada, a tecnologia e a acessibilidade dos dias atuais me permitem produzir mais e desempenhar mais funções em menos tempo.


Mesmo com as proximidades da Uerj contando com uma infinidade de linhas de ônibus, trem e metrô, os leitores podem compreender que os deslocamentos ainda pesam na hora dos estudantes optarem por quais vagas vão preencher no mercado de estágio e trabalho. Para encurtar os deslocamentos e não passar tanto tempo dentro dos transportes lotados, há quem prefira ganhar menos e ocupar posições menos competitivas, deixando passar as oportunidades com as quais muitos sonharam durante toda a adolescência e o começo da vida adulta. O principal impacto disso é o crescente aumento de pessoas profissionalmente frustradas, que levarão uma clara desvantagem na hora de galgar ramos melhores de atuação no começo das carreiras.


Meus caros e minhas caras, escolhi colocar um relato em primeira pessoa nesta edição especial da nossa coluna para que vocês entendam a magnitude do momento especial de começar a dividir as rotinas entre estudos, trabalho, vida familiar e social.


O tempo de deslocamento entre as mais variadas atividades vai determinar o nível de cansaço físico e mental que vocês terão ao término da semana. Portanto, escolham com sabedoria. Se algo não estiver de acordo com aquilo que você espera, mude de emprego ou estágio.


Vocês ainda estão na fase de buscar conhecimento e aprender, na prática, o que vão fazer por mais de trinta ou quarenta anos de suas vidas.


Para ter sucesso no trabalho e nos estudos, procure viver uma rotina o mais equilibrada possível. Observe bem os horários, adapte, dentro do possível, o horário de trabalho e desloque-se com segurança no meio de transporte que você precisar utilizar.


Boa sorte, boa aula e bom trabalho.

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