Dá para comer saudável sendo universitário?
- Comunica Uerj

- 17 de ago.
- 3 min de leitura
E-book produzido por pesquisadores da Uerj reúne orientações e receitas para conciliar alimentação, rotina e orçamento durante a trajetória acadêmica
Por: Lívia Martinho
Entre o horário da aula e o dinheiro disponível no bolso, escolher o que comer pode ser mais uma tarefa da rotina universitária. Para quem passa o dia na faculdade, preparar uma refeição, encontrar um lugar para armazená-la ou simplesmente ter tempo para se sentar e comer nem sempre é fácil. Quando a alternativa mais acessível é um salgado ou um lanche rápido, manter o equilíbrio pode parecer ainda mais difícil. Mas será que é possível manter uma alimentação saudável durante a graduação?
Essa foi uma das preocupações que deram origem ao e-book Princípios Básicos da Vida Saudável, produto de uma tese desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental da Uerj. O material integra um programa de educação em saúde voltado aos estudantes da universidade e reúne orientações e recomendações nutricionais baseadas em evidências e diretrizes, além de receitas e sugestões práticas para a rotina.
Montagem: Veronica Rangel e Gustavo Casimiro

Capa do e-book Princípios Básicos da Vida Saudável
Uma das autoras e organizadoras, Veronica Rangel percebeu que a chegada à universidade pode representar uma mudança importante na relação com a comida. Depois de uma rotina em que muitas refeições eram feitas em casa, o estudante passa a decidir sozinho o que vai comer e precisa conciliar essas escolhas com horários de aula e orçamento. Na Uerj, uma das alternativas é o restaurante universitário, que oferece refeições a preços baixos e, para Veronica, é uma opção mais adequada do que substituir uma refeição por lanches. Outra possibilidade é levar comida de casa, desde que o estudante tenha condições de preparar e armazenar a refeição.
O problema aparece quando o relógio aperta e, entre uma aula e outra, biscoitos, salgadinhos e outros lanches podem acabar vencendo a disputa justamente porque são rápidos e fáceis de encontrar. É aí que o planejamento pode ajudar. Preparar uma quantidade maior de comida e separar as refeições para os dias seguintes pode economizar tempo durante a semana. Frutas e sanduíches também podem resolver os intervalos entre as aulas. O e-book apresenta receitas simples como pão de banana, cuscuz e crepioca, além de orientações sobre armazenamento e conservação.
Mas cozinhar também exige trabalho. Gustavo Casimiro Lopes, organizador do e-book, chama atenção para uma etapa que costuma ficar escondida: é preciso comprar os ingredientes, higienizar, preparar e armazenar. Para ele, a praticidade pesa nas escolhas alimentares. “O iFood não vende sua comida, ele vende praticidade”, resume.
Foto: Lívia Martinho

Gustavo Casimiro Lopes e Veronica Rangel de Moura, organizadores do e-book
Entretanto, ainda existe outra questão: quanto custa comer bem?
O estudante de Economia Ricardo Netto costuma comparar os preços antes de comprar alimentos. O valor pesa nas escolhas, embora não seja o único critério, e o aumento do consumo de proteínas, principalmente carne, também pode encarecer as compras. Na Uerj, encontrou algumas facilidades como a variedade do cardápio e o acesso às saladas que contribuem para uma alimentação melhor.
O café da manhã é um exemplo, já que, antes de a refeição ser oferecida na universidade, Ricardo às vezes deixava de comer em casa por falta de tempo para preparar. Na rua, quando precisa comer rápido, as opções de salgados, açaí e hambúrguer aparecem entre as alternativas que encontra. Para ele, alimentos mais naturais podem ter preços altos e acabam concorrendo com opções de fast food que muitas vezes custam o mesmo ou até menos.
Ricardo já tentou mudar seus hábitos em diferentes momentos e percebeu que uma alimentação muito restritiva pode dificultar a rotina. Quando restringia demais o que comia, sentia mais fome e acabava recorrendo a biscoitos e doces. Por isso, considera que o maior desafio é encontrar um equilíbrio entre uma alimentação que contribua para seus objetivos e que seja possível manter no dia a dia.
O e-book segue uma perspectiva semelhante porque, em vez de propor uma alimentação baseada em proibições, recomenda variedade, atenção aos sinais de fome e saciedade e preferência por alimentos in natura ou minimamente processados. Para quem leva comida de casa, sugere opções como frutas, sanduíches naturais, iogurte e bolinho de banana. Já para quem almoça fora, orienta observar as opções disponíveis e, quando possível, escolher preparações grelhadas, assadas ou cozidas. Outra dica é deixar o prato mais colorido, com pelo menos três cores diferentes na refeição, já que se considera que variedade de cores é igual a maior diversidade nutricional.
No fim, comer saudável na universidade parece menos uma questão de perfeição e mais de organização. Quem tem acesso ao bandejão pode aproveitá-lo para as principais refeições, quem consegue cozinhar pode deixar parte da semana encaminhada e quem passa muitas horas fora de casa pode levar frutas, sanduíches ou outras opções simples para os intervalos. Entre a próxima aula e o fim do mês, uma alimentação equilibrada precisa, antes de tudo, caber na vida real.








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