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Dos gramados ao cotidiano: camisa de futebol se tornou peça coringa

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 11 de ago.
  • 3 min de leitura

De símbolo de torcida a elemento de estilo, a peça ocupa novos espaços no 

guarda-roupa e ganha diferentes significados entre os jovens


Por: Vitória Perez 


Basta caminhar pelos corredores da Uerj para perceber que uma peça não sai do guarda-roupa dos alunos: a camisa de futebol. Talvez pela paixão do carioca pelo esporte, talvez pela proximidade da universidade com o estádio que é cartão-postal da cidade, o Maracanã, o fato é que ela ocupa um espaço cada vez maior no estilo desses universitários.


Foto por Vitória Perez

Camisa do América Futebol Clube, clube de Natal no Rio Grande do Norte
Camisa do América Futebol Clube, clube de Natal no Rio Grande do Norte

Entre os estudantes entrevistados, conforto e praticidade aparecem como alguns dos principais motivos para escolher a peça no dia a dia. “Além de eu gostar muito de futebol, são camisas confortáveis e fáceis para montar um look”, conta Murilo Soares, estudante de Jornalismo. Embora alguns entrevistados considerem a camisa informal demais para determinados ambientes, há quase um consenso de que ela vai além da paixão pelo time ou da busca por conforto. Sua versatilidade também permite diferentes combinações com outras peças, como jeans, alfaiataria, jaquetas, tênis, chinelos e acessórios.


Para outros estudantes, existe ainda a possibilidade de criar identificação e conexão com outras pessoas. Ao encontrar alguém usando a camisa de um time pelo qual torcemos, surge uma abertura para uma conversa, uma troca ou até mesmo para a criação de um vínculo.


Foto por Vitória Perez

Camisa do Borussia Dortmund, clube da Alemanha
Camisa do Borussia Dortmund, clube da Alemanha

Mais que uma camisa: identidade e pertencimento


Para além do cotidiano universitário, o Brasil abriga o maior acervo particular de camisas de futebol do mundo, segundo a Vogue. O responsável pela coleção é o executivo brasileiro Cássio Brandão, que contou à revista ter começado a reunir suas peças aos 18 anos, motivado por um desejo de infância: quando criança, não tinha condições de comprar as camisas, que eram caras. A história de Cássio mostra que a relação com essa peça pode ir muito além da paixão por um clube, ela também pode carregar memórias.


A camisa de futebol pode resgatar lembranças da infância e criar laços entre diferentes gerações. É o presente de um familiar que muitas vezes nos veste com a camisa de seu próprio time antes mesmo de sabermos pronunciar nosso nome. Ela também nos aproxima dos nossos ídolos do esporte e pode nos conectar a diferentes lugares do país. Basta encontrar alguém usando uma camisa do Flamengo ou do Vasco em Sergipe, por exemplo, para que uma cidade inteira pareça um pouco mais próxima. E, claro, ela também alimenta a boa e velha rivalidade entre clubes.


Quando a camisa vira objeto de desejo


Além de ganhar espaço nas ruas, a camisa de futebol vem conquistando espaço no mundo da moda. E a Copa do Mundo ajudou a colocar ainda mais atenção sobre essa relação. Um dos exemplos é o jogador australiano Jackson Irvine.


Há algum tempo Jackson está nos holofotes no mundo fashionista por usar camisas não apenas do time que defende, o FC St. Pauli, da Alemanha, mas como parte essencial de seu estilo e personalidade. Em diferentes registros, o atleta mostra inúmeras possibilidades de combinar a peça com sapatos de plataforma e calças de alfaiataria.


                                                                Foto Instagram/@jacksonirvine_

Jackson com a camisa da seleção japonesa
Jackson com a camisa da seleção japonesa

Com o passar do tempo, Jackson também se tornou uma referência de uma forma mais livre de viver o futebol. Seus visuais rompem com padrões tradicionais de masculinidade associados ao esporte e mostram que a camisa pode ser muito mais do que um uniforme. A partir dela, ele encontrou uma forma de atravessar os limites entre futebol e moda, usando a peça como ferramenta de expressão pessoal.


Afinal, por que ela é uma peça coringa?


Seja usada por universitários, preservada por colecionadores ou registrada nas redes sociais como parte do estilo de atletas, a camisa de futebol continua ganhando espaço nos guarda-roupas. Sua força talvez esteja justamente na capacidade de ocupar diferentes lugares e assumir diferentes significados.


Ela pode até não combinar com tudo e nem agradar a todos. Mas, para alguns, representa o time do coração, para outros, uma memória da infância. Podendo então expressar uma identidade, aproximar pessoas e, ao mesmo tempo, oferecer o conforto necessário para enfrentar um dia comum. No fim, talvez seja justamente isso que faz da camisa de futebol uma peça coringa: ela não precisa significar a mesma coisa para todo mundo.

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