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Do sonho à realidade: mostra aborda cinema e I.A. trazendo reflexão crítica sobre nova ferramenta

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 5 de nov.
  • 3 min de leitura

Com sessões gratuitas, evento explora como tecnologia tem transformado a sétima arte e o imaginário popular


Por Luis Felipe


Imagem: Filme Ela - Annapurna Pictures/Stage 6 Films

Filme estrelado por Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson está presente na programação
Filme estrelado por Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson está presente na programação

Na última terça-feira (28), a mostra Do sonho à realidade: Cinema e Inteligência Artificial chegou à Caixa Cultural e vai até o dia 9 de novembro, na unidade da Rua do Passeio, no Centro do Rio de Janeiro. O nome é uma alegoria ao futuro do ser humano integrado à tecnologia, imaginado pelos filmes do passado — e que hoje faz parte do nosso presente. É uma oportunidade de explorar a nova perspectiva do cinema com a chegada das IAs, não somente como ferramenta, mas também como um resgate de dilemas éticos. A entrada é gratuita, com distribuição de ingressos 30 minutos antes de cada sessão.


A programação do evento conta com a exibição de grandes clássicos do cinema, como RoboCop, O Exterminador do Futuro e Metrópolis, contando com algumas sessões comentadas por convidados. Além disso, serão realizados debates voltados para a temática principal da mostra, como Cinema e I.A., com Matheus Sodré, e o workshop Luz, Câmera e Prompt, com Saulo Frauches, que contará com atividades práticas, parte teórica e discussões éticas sobre o uso da nova ferramenta no audiovisual.


Em entrevista ao COMUNICA, Gabriel Martins — professor de Sociologia e doutorando em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, além de um dos responsáveis pela curadoria da mostra — afirmou que a nova relação entre o cinema e a inteligência artificial se trata de uma dinâmica complexa e multifacetada. Ele salienta que o próprio cinema nasceu como uma invenção técnica e precisou se reinventar ao longo dos anos. Gabriel também reforçou o papel da sétima arte neste novo momento da humanidade e como isso se reflete na mostra:


“O cinema, nesse sentido, não é apenas espectador dessas mudanças, mas um laboratório crítico para entendê-las. Nosso intuito foi tentar dar um passo além do marketing e da publicidade em torno dessas inovações técnicas, muito eivadas de palavras de ordem e fórmulas prontas. Por um lado, gostaríamos de pensar como essas novas ferramentas mudam completamente a maneira como lidamos com o cinema e com o mundo e, por outro lado, como essas são questões também antigas e há muito tempo refletidas pelo campo da arte”, reforça o professor.


Ao ser indagado sobre o processo de seleção da mostra, tendo em vista o vasto acervo de obras com temáticas futuristas e tecnológicas, o entrevistado afirmou que foi levada em consideração a amplitude histórica e simbólica das representações da inteligência artificial no cinema — não se limitando às produções mais populares ou com maiores inovações técnicas, mas observando como cada obra tematiza a presença da tecnologia em seu tempo: os medos, as esperanças e as visões de futuro. Uma das preocupações, segundo ele, era não restringir a mostra ao uso técnico das IAs, mas sim propor uma reflexão crítica e multidisciplinar.


Por fim, em resposta à pergunta sobre qual das obras selecionadas mais se aproxima do futuro imaginado, ele elegeu “Ela” do diretor Spike Jonze, estrelado por Scarlett Johansson e Joaquin Phoenix. O filme retrata um escritor que desenvolve uma relação amorosa com o sistema operacional de seu computador — e, segundo o curador, é provavelmente o mais verossímil, por não tratar de robôs dominando o mundo, mas sim da “intimidade artificial”. No Brasil, segundo estimativa do UOL com dados da agência de comportamento Talk, cerca de 12 milhões de pessoas já utilizaram alguma inteligência artificial como forma de terapia — uma evidência da fala do entrevistado.


Para mais informações, consulte o Instagram da mostra (@mostracine.ia) ou da Caixa Cultural (@caixaculturalrj), em que consta a programação detalhada do evento e informações sobre acessibilidade e classificação indicativa.


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