Da MPB aos super-heróis: como Djavan e Marvel se aproximam?
- Comunica Uerj

- 7 de ago.
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Enquanto Djavan ganha status de ícone pop entre os mais jovens, a Marvel vê seu público envelhecer. As estreias da semana ajudam a explicar essa transformação
Por: Maria Eduarda
Nesta semana, o Rio de Janeiro foi palco de duas estreias: Homem-Aranha: Um Novo Dia, na quarta-feira (29), e a turnê Djavanear, comemorativa dos 50 anos de carreira de Djavan, no sábado (1º). À primeira vista, os dois eventos parecem conversar com públicos completamente diferentes. De um lado, está uma das maiores franquias de super-heróis do cinema mundial; do outro, um dos nomes mais consagrados da MPB.
Foto: Divulgação/Djavan e Marvel Brasil

Como as estréias audiovisuais da semana nos mostram uma convergência de gerações?
O que aproxima esses lançamentos, porém, é justamente o sentimento que ambos despertam: a nostalgia. Ouvir Oceano e Samurai, de Djavan, se tornarem trilha sonora de conteúdo viral no TikTok, traz memórias herdadas: de almoços em família, viagens de carro e encontros de fim de ano. Ao reencontrarem a voz do “muso da MPB”, como foi apelidado nas redes sociais, os jovens absorvem um sentimento de pertencimento e de memória afetiva que atravessam gerações.
O fenômeno, no entanto, vai além das tendências das redes sociais. Os jovens não apenas compartilham trechos de músicas ou reproduzem coreografias: eles ocupam plateias, aprendem letras lançadas décadas antes de nascerem e transformam clássicos da MPB em parte de seus repertórios cotidianos. A tecnologia pode ter aproximado os jovens do cantor, mas é a qualidade de sua obra que faz com que ela permaneça.
No caso da Marvel, o resgate à memória também se torna um dos principais motores de seu público, mas age de maneira diferente. Quem acompanhou a ascensão do Universo Cinematográfico Marvel nos anos 2010 cresceu ao lado de personagens como Homem de Ferro, Capitão América e Viúva Negra, criando uma conexão emocional que continua impulsionando o interesse por novos lançamentos. Contudo, diferentemente do fenômeno vivido na chamada Saga do Infinito, a fase mais recente da franquia tem encontrado dificuldade em dialogar com o público juvenil, que uma vez foi seu alvo.
Foto: Divulgação/Djavan

Turnê Djavanear passeia pelos 50 anos de carreira do cantor Djavan
Nesse contexto, a nostalgia deixa de ser apenas um recurso narrativo e passa a ser um dos principais motivos que mantêm o público adulto nas salas de cinema. O retorno de figuras icônicas, referências a filmes anteriores e a presença de atores que marcaram gerações passaram a funcionar como um convite para revisitar um universo que já conquistou a audiência. Mais do que apresentar novas histórias, a estratégia busca reacender o vínculo emocional construído ao longo de mais de uma década de filmes. Para muitos espectadores, o interesse já não está apenas na novidade, mas na oportunidade de reviver uma experiência que marcou uma geração.
No fim, pouco importa se o impulso vem da memória afetiva de uma música ou da saudade de um personagem que marcou uma geração. Seja em um show ou em uma sala de cinema, o que permanece é a capacidade de emocionar, reunir pessoas e atravessar o tempo. Afinal, mais do que o motivo que nos leva até elas, é a experiência de apreciá-las que mantém a cultura viva.








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