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Crianças no esporte: infância perdida ou investimento para a vida?

  • Foto do escritor: Comunica Uerj
    Comunica Uerj
  • 21 de out.
  • 3 min de leitura

Maioria dos grandes atletas começa a competir ainda crianças, mas qual é a realidade deles nessa fase?


Por Isabella Topfer


Reprodução: Acervo Pessoal - Luciano e Rosane Seixas

João Seixas, piloto de kart cadete
João Seixas, piloto de kart cadete

No mês de outubro comemora-se o Dia das Crianças, o que levou esta colunista a pensar na relação dos pequenos com o esporte. O esporte é presença constante na vida de muitas pessoas, desde a infância e, em muitos casos, ele se faz presente como forma de entretenimento, seja acompanhando a modalidade ou praticando como hobby, mas esse texto busca destacar as crianças que eram ou são atletas e como isso afeta suas vidas.


Diversos estudos mostram a importância da prática de esportes na infância, diminuindo as chances de depressão, ansiedade e dependência química, além dos benefícios para a saúde física e emocional, contribuindo com o aprendizado de valores como disciplina e respeito. Com isso, entende-se por que a educação física é uma disciplina obrigatória da Educação Básica no Brasil. Mas o que acontece quando o esporte deixa de ser somente um hobby e uma prática saudável e se torna uma responsabilidade? A resposta dessa pergunta varia de acordo com uma série de fatores, como a modalidade praticada, o apoio da família e o investimento financeiro. Para entender melhor essa realidade, o COMUNICA trouxe histórias reais de atletas mirins.


João Seixas tem 10 anos e é piloto de kart cadete, sendo o único negro da categoria. O COMUNICA conversou com os pais dele, Luciano e Rosane, e a mãe contou como o filho se tornou piloto: “João sempre teve uma ligação com brincadeiras e desenhos que envolvessem carrinhos. Quando completou 8 anos, ele experimentou andar de kart no shopping. Percebemos que ele tinha talento e procuramos uma equipe para que ele começasse a correr em Guapimirim (local de treinamento dos pilotos profissionais no Rio de Janeiro)”. Ela também afirmou que o pequeno piloto enxerga o esporte como algo sério: “Só entra na pista para ganhar e detesta perder.” Sobre a infância e os estudos, conta que João perde algumas festas para treinar, mas não reclama, e que os estudos são sempre prioridade, como combinado com o treinador, “sem notas boas, não tem treino”.


Sandryanny Gomes, estudante de Ciências Políticas, tem 19 anos e adora praticar esportes como hobby, mas quando era criança chegou a pensar em ser atleta profissional de futebol. Ela conta que começou a jogar bola com 4 anos e desde então o futebol fez parte da vida dela e da irmã, que se tornou jogadora profissional. “Comecei na escolinha do PSG, na qual aprendi as primeiras noções de técnica e trabalho em equipe. Depois, tive a oportunidade de passar pelas bases de Flamengo e Fluminense. Foi uma experiência incrível, cheia de aprendizado e momentos marcantes.” Sandryanny afirma que um dos motivos que a fizeram desistir da carreira foi a falta de investimento no futebol feminino, além da distância de casa para o centro de treinamento que “tornava tudo mais cansativo, principalmente para uma criança”.


Betina Dourado, 25 anos, começou a competir na natação aos 6 anos e afirma que o esporte teve papel fundamental na sua infância e adolescência. “Desde muito cedo minha rotina era totalmente organizada em torno dos treinos. Depois da escola, eu ia direto para a piscina e passava as tardes treinando. Por causa dessa rotina intensa, eu tinha hábitos muito diferentes da maioria dos adolescentes.” Ela contou ao COMUNICA o que a levou a parar de competir, quando estava terminando o ensino médio: “Eu sempre fui muito independente e queria trabalhar o mais rápido possível para ter meu próprio dinheiro. Como esse era o meu foco principal e infelizmente ainda demoraria muito para a natação me gerar dinheiro, optei por abrir mão do esporte para começar a trabalhar e não me arrependo.” Apesar dessa escolha, Betina carrega consigo os valores ensinados pelo esporte, como “foco, persistência, organização, resiliência e trabalho duro” e seus aprendizados.


Como mostram esses exemplos, o esporte traz muitos benefícios e ensina valores que ficam para a vida, mas em troca exige dedicação e abdicação. É importante que não esqueçamos que, mesmo sendo atletas, crianças são crianças e devem receber cuidado especial para que tenham uma vida equilibrada, entre os estudos, os treinos e o lazer. Para garantir esse equilíbrio, o apoio dos pais é essencial, em todos os passos e escolhas, caso o filho deseje seguir carreira ou não. Mas esse auxílio precisa ser também financeiro, por isso precisamos de pessoas que acreditem no esporte e nessas crianças, e invistam nelas. Rosane Seixas, mãe de João, destaca isso: “No kartismo, tudo é muito caro e vence quem tem mais recursos. Ele precisa de patrocinadores empenhados em ajudá-lo a suprir todas essas necessidades para que ele consiga vencer e atingir seus objetivos.”


João Seixas é um piloto prodígio e precisa de todo nosso apoio, acompanhe o trabalho dele nas redes sociais: @joaoseixas.kart



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