Pagar para estudar: o obstáculo invisível dos calouros cotistas da Uerj
- Comunica Uerj

- 25 de mar.
- 4 min de leitura
Apesar dos auxílios, existem ainda problemas que os calouros enfrentam no transporte para a universidade, como a demora do pagamento do auxílio transporte.
Por Diego Oliveira
Ingressar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) é o sonho de muitos estudantes todos os anos. A Uerj é uma faculdade plural, acolhedora, bem localizada e com um sistema de cotas que cumpre bem o seu papel social. Mas a queridinha no coração da maioria dos estudantes do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que oferece um bom suporte aos estudantes cotistas durante a graduação, tem um problema logo no primeiro mês de aulas. Os calouros que solicitam o auxílio transporte precisam tirar dinheiro do próprio bolso para pagar a passagem de ida e volta da universidade no primeiro mês.
Foto por: Fernanda Rodrigues

Desde outubro de 2021, a Uerj instituiu o pagamento de auxílio transporte para seus estudantes cotistas ou em situação de vulnerabilidade. Essa conquista foi significativa para os alunos, pois diminuiu os gastos com deslocamento, que pesavam no bolso. Porém, os alunos só recebem a primeira parcela do benefício no valor de R$300 reais um mês depois do início das aulas. Ou seja, os calouros acabam tendo uma perda inicial.
Mesmo tendo esse gasto inicial com passagem, os estudantes da Uerj não abrem mão do seu sonho de estudar numa faculdade pública, plural e de qualidade. Mariana Marins da Silva, de 26 anos, caloura do curso de Relações Públicas (RP) e moradora de Bangu, fala das dificuldades que um cotista enfrenta no começo da graduação:
"Eu já sabia desde antes de entrar na Uerj que teria que arcar com os primeiros custos de transporte do meu próprio bolso. Mas como eu trabalho, me aperto um pouquinho até o auxílio ser liberado. O bombfoi que em março de 2026, as aulas começaram na segunda semana do mês. Aí é uma semana a menos de passagem que eu gasto. Só aí, a economia é de R$100 reais."
Mariana conta que além desse problema, ela ainda sofre com a falta de integração entre os transportes municipais com os trens, bem como com o valor do Auxílio Transporte da Uerj ser inferior em relação aos custos mensais com passagem.
"Utilizo quatro conduções para ir e voltar da Uerj cinco vezes por semana. Sendo o trem o principal meio de transporte. Mas para poder chegar à Estação de Trem de Bangu, utilizo transporte alternativo, que só aceita o Cartão Jaé, e não faz integração com o Bilhete Único."
A estudante finaliza com uma breve observação sobre a diferença no valor pago de auxílio versos o custo total médio de passagem mensal: "Eu, e acredito que todos os estudantes cotistas da UERJ, torcemos para que esse valor aumente. Pois assim poderemos cobrir os custos com transporte em sua totalidade, sem ter de procurar por alternativas."
Quem define os critérios e a forma de pagamento do Auxílio Transporte aos estudantes cotistas na Uerj bem como as regras para que os calouros recebam o benefício, é a Pró-Reitoria de Políticas e Assistência Estudantis (PR4). O setor gerencia todos os auxílios aos estudantes em situação de vulnerabilidade, que podem ser solicitados pelos alunos nos períodos correspondentes em cada semestre acadêmico, por meio da plataforma Aluno Online.
Para os ingressantes do período letivo 2026.1 que solicitaram o benefício e cumpriram os requisitos, a primeira parcela do Auxílio Transporte será paga no mês de abril de 2026. O valor de R$300 reais, será pago aos beneficiários na mesma conta Bradesco criada logo após a matrícula dos estudantes que possuem direito ao suporte. Mas até o presente momento, não houve nenhum aceno por parte da PR4 ou da reitoria da universidade em antecipar o Auxílio Transporte a fim de contribuir com os estudantes que não têm de onde tirar o dinheiro para estudar durante o primeiro mês letivo. E com as coisas feitas dessa forma, posso afirmar categoricamente que os alunos cotistas ou em vulnerabilidade da Uerj que têm direito ao Auxílio Transporte, mesmo ingressando numa faculdade pública, pagam para estudar durante o primeiro mês.
Não adianta a Uerj ser uma faculdade pública, acolhedora, plural, bem localizada e pioneira no cumprimento da Lei de Cotas bem como no apoio prestado aos estudantes, se no primeiro mês os alunos menos abastados precisam pagar suas passagens do próprio bolso. Sendo que a maioria sequer possui meios para que isso seja possível.
Uma solução a ser adotada pela PR4 seria antecipar o período de matrícula dos alunos do primeiro período, para que os calouros sejam incluídos na folha de pagamento referente a março. Pois dessa forma nenhum novo estudante da Uerj terá de se preocupar como fará para custear o primeiro mês de passagem.
Agora, é a hora. Vamos propor à PR4 a mudança no Auxílio Transporte para contemplar os calouros e garantir um acolhimento real na chegada à Uerj?
Porque a universidade que abre as portas para a inclusão precisa decidir se quer apenas receber seus novos estudantes — ou garantir que eles realmente consigam chegar até ela.








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