Rock in Rio (versão Uerj)

O maior festival de música da América Latina no ponto de vista dos estudantes da universidade
Por: Júlia Martins
Foto por Willian Santos / Pexels

Multidão em frente ao letreiro do Rock in Rio
Em sua 11ª edição no Brasil, o Rock in Rio continua sendo um dos festivais favoritos dos brasileiros. Neste ano, a edição durou 7 dias e cerca de 140 artistas se apresentaram, com destaque para o inglês Elton John e o grupo de K-Pop Stray Kids. Estima-se que o festival recebeu um público de cerca de 100 mil pessoas por dia, entre eles, estavam alguns uerjianos que puderam aproveitar a Cidade do Rock.
As atrações do festival sempre transitam entre diferentes gêneros musicais, e este ano não foi diferente. O feriado de sete de setembro (segunda-feira) contou com um line up diverso, desde Péricles cantando em inglês até Gilberto Gil e Elton John no final do dia. A volta do Rocket Man após 9 anos sem vir para o Brasil movimentou o público e mostrou, como a sua própria música diz, que ainda está de pé. Isadora Ortiz, aluna do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Uerj (PPGCOM), escolheu ir ao festival pela quarta vez comemorar o seu aniversário curtindo o show do cantor, mesmo não o conhecendo tão a fundo: “A música que mais me marcou foi Your song. Eu fiquei tão hipnotizada que até esqueci de gravar. Foi muito emocionante ouvir aquela letra linda ao vivo e, ao mesmo tempo, ter a dimensão de que eu estava vendo uma lenda da música ali na minha frente.”
Gustavo Fontenele, aluno do 4º período de Relações Públicas, foi pela primeira vez ao Rock in Rio. Ele sonhava em assistir ao Elton John ao vivo, mas mesmo indo para ver um artista específico, o evento também pode apresentar nomes que muitas vezes não são tão conhecidos. Esse foi o caso dele ao assistir à performance do cantor Jon Batiste e se impressionar: “Mesmo vendo por um telão do Palco Sunset nos intervalos dos shows, fiquei maravilhado com o nível de produção e entrega do artista ao público e a performance. Não conhecia o artista.” Outro show que rendeu elogios foi o do cantor Péricles cantando sucessos da gravadora Motown, com o repertório repleto de clássicos do soul, pop e R&B gravados em uma época de segregação racial: “Ele usou toda sua potência para interpretar os clássicos que embalaram gerações, foi muito emocionante.”
Foto por Gustavo Fontele / Instagram: @soufontenelle

Gustavo, aluno de Relações Públicas, vestido em homenagem ao cantor Elton John
O dia cinco (sábado) se diferenciou por ter tido a maior parte do line up composta por artistas do metalcore e heavy metal, com as bandas Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold como atrações principais. A aluna Daniela Monte Nevo, de Letras/Italiano, esteve presente e destacou o show da banda estadunidense Bad Omens, no Palco Sunset, como a sua atração favorita da noite: “O vocalista tem uma voz impecável, a iluminação e o uso dos efeitos, foram encaixados de modo impecável e foi lindo.” Gustavo também esteve nesse dia e elogia a atração principal, Bring Me The Horizon: “O show combina as músicas com uma narrativa que envolve diferentes mídias. É uma história bem contada, que envolve a própria performance da banda com as animações e a história que acompanhamos no telão do Palco Mundo, que brilhantemente foi aproveitado pela banda.”
O festival teve sua primeira edição em 1985, e desde então muitas coisas mudaram, principalmente na infraestrutura do evento. A edição de 2026 foi marcada por chuvas e ventos fortes, o que deixou a grama sintética totalmente encharcada, afetando a passagem e a experiência. De acordo com Daniela, um dos aspectos positivos da organização foram os banheiros limpos e pontos de hidratação espalhados pela grama, além de diversos vendedores de bebidas. Isadora também elogiou a organização na compra antecipada de alimentos, novidade nesta edição - o público pôde comprar comidas e bebidas dentro do festival antes de entrar por meio do aplicativo oficial. A ideia surgiu para reduzir as filas e melhorar a experiência do público. Mas essa medida fez com que fosse necessário ter 3 aplicativos diferentes no celular para conseguir aproveitar o festival: “Acho que essa quantidade de aplicativos pode ser um ponto a melhorar, principalmente porque nem todo mundo chega ao festival com espaço ou facilidade para usar vários aplicativos diferentes no celular”, diz Isadora.
Outra questão foi a volta para a casa. A estação de metrô Jardim Oceânico também funcionou por 24 horas para embarque. Neste ano, a Prefeitura do Rio de Janeiro ampliou as frotas do BRT e criou uma operação especial para aqueles que foram ao festival, o BRT Expresso Rock in Rio, com uma passagem diária, ida e volta, no valor de trinta reais. Gustavo foi uma das pessoas que realizaram o trajeto por BRT e diz que o valor foi abusivo pelo serviço prestado - o trajeto custaria apenas dez reais normalmente e o BRT não operou como expresso como havia sido prometido: “Para mim foi uma desculpa para cobrarem mais caro. Eu estava com a pulseira do expresso BRT, mas só serviu pra voltar pra casa sem precisar esperar muito tempo pelo ônibus, porque o BRT foi parador e ainda peguei um outro ônibus depois.”
Embora Gilberto Gil tenha cantado Pro mundo inteiro acordar e a gente dormir, alguns estudantes não tiveram essa escolha. Como doutoranda, Isadora tinha estágio docente no dia seguinte ao show. O estágio docente é uma etapa obrigatória da pós-graduação, na qual o aluno, ao lado do seu orientador, participa e acompanha atividades do ensino na graduação, para ganhar experiência com a docência durante o período do doutorado. E mesmo chegando em casa às 3h ela precisou acordar às 6h40m para ir à universidade: “Conforme a tarde foi chegando, o sono começou a bater. Mesmo assim, fiquei na Uerj até o fim do dia e cumpri normalmente minhas atividades. Fausto (Fausto Amaro, professor da pós-graduação) até me disse que eu poderia ter pedido para não ir, mas eu me considero uma pessoa muito responsável com meus compromissos e preferi ir e recuperar o sono depois. No fim, sobrevivi!”








Comentários